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Com custos maiores e menos espaço para o “sabor chocolate”, mercado deverá equilibrar qualidade e preço sem frustrar consumidores

Nos últimos anos, muitos consumidores começaram a perceber uma mudança no sabor e na qualidade dos chocolates vendidos no Brasil. Produtos mais doces, mais gordurosos e com menos cacau passaram a dominar as prateleiras — cenário que abriu espaço para críticas, frustração e desconfiança por parte do público.
“O que a gente vinha consumindo eram coisas ‘sabor chocolate’. Elas não respeitavam o percentual e eram muito saborizadas, sem sólidos de cacau que justificassem o nome”, afirma Paula Sauer, especialista em gestão e professora da FIA Business School.
Agora, o setor entra em uma nova fase — e os empreendedores da cadeia do chocolate terão de se adaptar rapidamente.
Uma nova legislação vai endurecer as regras para produtos vendidos como chocolate no Brasil, exigindo mais cacau na composição e mais transparência nos rótulos.
Especialistas enxergam oportunidades importantes para marcas que souberem transformar qualidade, transparência e diferenciação em valor percebido para o consumidor.
“Para o apaixonado por chocolate, que se sentia carente com a oferta atual, é a oportunidade de experimentar um produto com controle de qualidade e rigor”, diz Sauer.
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Para os empreendedores, isso significa um mercado mais exigente, que requer adaptação, mas também cria uma oportunidade rara: conquistar consumidores que estão mais atentos à qualidade e mais dispostos a valorizar marcas que entreguem transparência, identidade e uma experiência melhor de consumo.
A Lei nº 15.404/2026 estabelece critérios mínimos para produção, classificação e rotulagem de produtos derivados de cacau no Brasil.
A norma vale para produtos nacionais e importados e entra em vigor em 360 dias a partir da publicação no Diário Oficial da União (DOU), no dia 11 de maio. O prazo dado é para adaptação da indústria.
A principal mudança é a obrigatoriedade de informar, na parte frontal da embalagem, o percentual total de cacau presente no produto.
A informação deverá ocupar pelo menos 15% da área frontal da embalagem e aparecer em destaque, no formato: “Contém X% de cacau”.
A lei também define percentuais mínimos para cada categoria:
O texto também proíbe estratégias que possam induzir o consumidor ao erro, como embalagens, imagens, cores ou expressões que façam um produto parecer chocolate sem atender aos critérios mínimos estabelecidos.
Empresas que descumprirem as regras estarão sujeitas às penalidades previstas no Código de Defesa do Consumidor, além de outras sanções sanitárias e legais.
Embora a nova legislação tenha potencial para melhorar a percepção do consumidor sobre os chocolates vendidos no país, ela chega em um momento delicado para o setor, explica Sauer.
O mercado global de cacau atravessa uma forte crise de oferta. Mudanças climáticas e os impactos do El Niño reduziram safras em diferentes regiões produtoras, pressionando o preço da matéria-prima no mundo inteiro.
No Brasil, o cenário ainda é agravado pelo aumento do uso de fertilizantes e defensivos agrícolas para combater pragas persistentes, como a vassoura-de-bruxa, principalmente no Nordeste e no Espírito Santo.
“O Brasil deixa de ser um produtor de chocolate do varejão. A ideia é produzir cada vez mais chocolates de melhor qualidade, mas isso encarece a matéria-prima e o produto final”, afirma a docente.
Para Bruno Lambert, docente da área de gastronomia do Senac São Paulo, valorizar chocolates com maior teor de cacau já é um movimento consolidado em várias regiões do país.
“A gastronomia, de modo geral, visa pela qualidade e a regulamentação para tornar os produtos melhores e mais puros. Os bons produtos são procurados e valorizados por chefs, restaurantes e confeitarias renomadas e fazem parte do mercado exclusivo, com alto valor agregado.”
Ele cita como exemplo chocolates transformados em bombons, trufas e barras que passam a ser tratados como uma espécie de joia comestível.
“Mas também não podemos deixar de levar em consideração que uma parte da população não tem acesso aos produtos mais caros.”
Segundo Lambert, o desafio da gastronomia e dos negócios do setor será justamente equilibrar qualidade e acessibilidade. E é nesse ponto que os empreendedores precisarão ser mais estratégicos.
Segundo Sauer, algumas empresas deixaram de atuar apenas como varejo alimentício e passaram a se posicionar como lojas de presentes. “Ao vender o chocolate acompanhado de itens como pelúcias, canecas ou flores, o valor percebido do produto aumenta”, explica.
A estratégia ajuda a justificar preços mais altos e cria uma experiência de compra menos focada apenas no custo do chocolate.
Para pequenos empreendedores, isso também abre espaço para kits personalizados, vendas sazonais e produtos com maior valor agregado.
Outra estratégia que deve continuar ganhando espaço é a reduflação — prática em que as empresas diminuem o tamanho do produto sem alterar o preço final.
O objetivo é evitar um reajuste muito agressivo na prateleira e reduzir a percepção imediata de aumento.
“Como não posso repassar todo o aumento para o consumidor para não perder fatia de mercado, eu reduzo o tamanho da embalagem e mantenho o preço”, afirma a especialista.
O movimento já é comum na indústria de alimentos e tende a se intensificar com o cacau mais caro. Ainda assim, Sauer alerta que o empreendedor precisa ter cuidado para não comprometer a confiança do consumidor.
Segundo ela, o cliente percebe mudanças na qualidade, no tamanho e até mesmo em embalagens criadas para mascarar a redução do produto.
Ela cita o caso de ovos de Páscoa que utilizam suportes plásticos cada vez maiores para manter o volume visual da embalagem enquanto reduzem a quantidade efetiva de chocolate.
“Se o cliente sentir que está comprando ‘plástico’ em vez de chocolate, a sensação de traição é imediata”, afirma.
Para a especialista, “um consumidor traído custa caro” para a empresa. Ou seja: economizar na produção pode sair muito mais caro no longo prazo caso a marca perca credibilidade.
Reformulações também ajudam na economia de matéria-prima.
“As pequenas confeitarias terão que reduzir a utilização de chocolate em algumas receitas como nos brownie e mousses, que tem alto teor de chocolate. O ponto de atenção nas receitas será saber balancear a quantidade de chocolate como a textura final”, diz Lambert.
Isso exige mais criatividade dos pequenos negócios. Uma das possibilidades é ampliar a produção de bombons recheados com frutas da estação — ingredientes mais baratos — e reduzir a espessura das coberturas de chocolate.
Receitas equilibradas, combinações de ingredientes e apresentação diferenciada podem ajudar a compensar o aumento dos custos sem afastar o consumidor.
Outro movimento que deve acelerar é a formação de um mercado mais premium. Com o chocolate mais caro, muitas marcas tendem a abandonar a disputa puramente por preço e focar em exclusividade, experiência e diferenciação.
O cenário abre espaço principalmente para marcas artesanais e pequenos negócios que consigam transformar qualidade, identidade e experiência em diferencial competitivo.
A tática também pode se transformar em uma ferramenta de marketing para empresas que consigam comunicar qualidade de forma eficiente.
Segundo Sauer, existe hoje um consumidor frustrado com a queda da qualidade dos chocolates nos últimos anos — e disposto a buscar alternativas melhores.
“O marketing deve focar no rigor. Mostrar que ‘este chocolate é chocolate ao leite de verdade, não é apenas sabor chocolate’”, afirma.
O professor do Senac concorda: “A missão é tentar manter o valor final de venda e mostrar ao cliente o valor agregado do produto utilizado. É um trabalho lento de educar e mostrar a melhoria dos produtos para as pessoas”.
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