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As micro e pequenas empresas são responsáveis por metade dos empregos formais no Brasil, diz estudo do Sebrae; cargos mais operacionais predominam entre as funções

Os pequenos negócios dominam o empresariado brasileiro. Além de representarem 97% das companhias que existem no país, as micro e pequenas empresas (MPEs) são responsáveis por metade dos empregos formais e têm investido nos salários: segundo dados do Sebrae, a remuneração cresce em um ritmo mais acelerado do que nas médias e grandes companhias (MGEs).
O estudo Panorama do Emprego 2026, realizado pelo Sebrae, mostra que, entre os anos 2022 e 2024, os salários nas micro e pequenas empresas cresceram 5%.
Já no mesmo período, as companhias de maior porte registraram um avanço de 3,7% no valor pago aos funcionários em regime CLT.
Mas apesar do aumento ter sido maior nas empresas menores, a cifra da remuneração ainda fica bem abaixo das demais companhias. Os salários são, em média, 32,5% inferiores.
Enquanto as micro e pequena empresas pagam cerca de R$ 2,9 mil, as médias e grandes oferecem R$ 4,2 mil.
Rodrigo Soares, presidente do Sebrae, explica que, no caso das companhias de menor porte, há “uma estrutura operacional mais enxuta e a menor margem financeira frequentemente limita o nível de remuneração ofertado”.
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Outra consequência do modelo reduzido dos pequenos negócios é a desaceleração na oferta de empregos em períodos mais conturbados da economia.
Entre 2022 e 2024, por exemplo, as MPEs tiveram um crescimento tímido geração de trabalhos, de 2,7%. Nas MGEs, o percentual foi de 8,5%.
Os dados coincidem com o período em que a taxa básica de juros do país, a Selic, começou a avançar de forma mais acelerada.
Os juros começaram o ano de 2022 a 9,75%, passaram por um pico de 13,75% e, ao final de 2024, estavam em 12,25% ao ano.
Neste cenário, o crédito se torna mais caro e um desafio maior às MPEs, que têm menos acesso a financiamentos alternativos — e se refletem em diferentes iniciativas da operação, inclusive as vagas de emprego.
Apesar de Sudeste ser o lugar onde existem mais vagas nas MPEs, não é nessa região que a média salarial é a maior.
O estado de São Paulo é que o se destaca com melhor remuneração, de R$ 3.342, mas quando considerado a média da região, o Sul é o que fica no topo. Por lá, as companhas pagam cerca de R$ 3,1 mil. As menores cifras estão localizadas no Nordeste, com R$ 2,2 mil.
Além disso, há uma discrepância entre os estados brasileiros na comparação dos empregos formais gerados pelos pequenos negócios e as grandes companhias.
No Brasil como um todo, há uma divisão praticamente igual na proporção dos trabalhos. Porém, em estados como o Tocantins, 65,9% dos trabalhadores de carteira assinada estão em empresas de menor porte.
As funções que mais ocupam os brasileiros nas MPEs são focadas principalmente em atividades operacionais.
Os vendedores de comércio varejista são maioria entre os empregos, seguidos de auxiliares de escritório e assistentes administrativos. A remuneração média nesses cargos não ultrapassa R$ 2,7 mil.
O estudo realizado pelo Sebrae faz um comparativo com as remunerações mais altas nas MPEs, que são os gerentes comerciais, os farmacêuticos e os gerentes administrativos.
No caso do gerente comercial, os salários médios chegam a R$ 5,6 mil, enquanto os administrativos recebem média de R$ 4,7 mil.
Porém, mesmo os cargos mais altos recebem bem abaixo das médias e pequenas empresas. Um funcionário com ensino superior em uma MGE, por exemplo, recebe cerca de R$ 9 mil, contra R$ 4,7 mil na mesma escolaridade das MPEs.
O presidente do Sebrae também atribui essas diferenças ao porte e complexidade das companhias.
“Empresas de maior porte operam com maior escala e atuam em segmentos de maior intensidade tecnológica, o que geralmente demanda profissionais mais especializados e mais bem remunerados”, explica Soares.
Como as micro e pequenas empresas estão em diferentes setores da economia e representam quase todo o número de companhias que existem no Brasil, o Sebrae defende que as demandas nos empregos são bastante diversas, tanto funções com maior peso cognitivo quanto atividades com mais competências físicas e operacionais.
Ainda assim, existem algumas habilidades comuns. No caso de atividades ligadas ao comércio e varejo, o Sebrae destaca a necessidade de boa comunicação, interação interpessoal, cooperação, escuta ativa, clareza de fala e negociação.
Entre os auxiliares de escritório e outras funções mais ligadas ao mundo corporativo, é preciso saber trabalhar em equipe e ter uma boa comunicação escrita.
Já em ocupações mais operacionais, o que predomina é a habilidade prática, coordenação motora, execução de tarefas padronizadas e percepção sensorial.
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