Deu ruim para o Trump? Empresários do Brasil e dos EUA se unem para exigir negociação contra o tarifaço de 25%
CNI, Amcham e U.S. Chamber of Commerce enviam carta conjunta para os governos do Brasil e dos Estados Unidos com uma proposta de negociação sobre as tarifas

Em resposta ao tarifaço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, empresários norte-americanos e brasileiros se uniram contra a imposição de uma cobrança de 25% sobre a importação dos EUA de produtos do Brasil.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham) e a U.S. Chamber of Commerce, considerada a maior organização empresarial do mundo, tentam negociar uma solução com os governos do Brasil e dos EUA para reduzir o impacto das tarifas sobre os dois países.
Do lado brasileiro, as entidades produziram uma carta conjunta para o ministro do Desenvolvimento, Marcos Elias Rosa, e das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
Esse mesmo documento foi enviado também às autoridades norte-americanas. Nos EUA, quem recebeu a comunicação que tenta fazer pressão sobre as tarifas foi Marco Rubio, secretário de Estado, e o embaixador Jamieson Greer.
O objetivo dos empresários é reverter as tarifas de 25% contra produtos brasileiros, anunciadas em junho pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).
No último mês, o USTR afirmou que o Brasil adota práticas que são "irrazoáveis, discriminatórias ou restritivas" ao comércio norte-americano. Desde então, tem realizado uma investigação sobre as iniciativas comerciais do Brasil que deve ser concluída até a próxima terça-feira, dia 15 de julho.
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Porém, tanto companhias brasileiras quanto as dos Estados Unidos enxergam que a taxação adicional pode prejudicar o empresariado e os consumidores, e sugerem uma negociação em duas etapas.
Negociação em duas fases
As entidades envolvidas na carta defendem uma negociação em duas fases: uma com ações de curto prazo e outra com medidas de longo prazo.
De imediato, os empresários pedem que os esforços se concentrem em “temas de alto impacto”, como a redução de barreiras comerciais para alguns produtos, incluindo insumos industriais, bens de capital, itens voltados ao desenvolvimento de data centers e infraestrutura de inteligência artificial. Também sugerem mais cooperação regulatória nos setores automotivo, farmacêutico, de saúde animal e de dispositivos médicos.
Outro fator de negociação é a aceleração de análises de pedidos de patentes no Brasil, principalmente no setor de saúde e biofarmacêutico para combater a pirataria e falsificação.
Outras ações de curto prazo citadas incluem uma maior parceria em minerais críticos e a implementação do Protocolo Anticorrupção do Acordo de Cooperação Econômica e Comercial (ATEC).
Já no longo prazo, em uma segunda etapa, as entidades afirmam que os países podem ampliar o escopo das negociações, com discussões sobre economia digital, comércio eletrônico, segurança energética e alimentar, e inovação.
"Ao avançar, em um primeiro momento, as questões comerciais mais imediatas e, em seguida, ampliar a agenda para abarcar oportunidades estratégicas de longo prazo, ambos os governos poderão fortalecer a confiança, aumentar a competitividade e estabelecer bases mais sólidas para uma cooperação econômica duradoura", defendem as associações.
Companhias de peso entraram na briga contra as tarifas
Além das entidades, algumas empresas norte-americanas também se manifestaram diretamente contra as tarifas impostas aos produtos importados do Brasil pelos Estados Unidos. Entre elas estão Coca-Cola, Tesla e eBay.
No caso da Coca-Cola, a preocupação está concentrada nos insumos cítricos usados na cadeia de bebidas.
A companhia pediu ao USTR que mantenha “a isenção proposta para insumos de laranja originários do Brasil” e que adicione “exclusão equivalente ou um regime de transição” para insumos de limão brasileiros. Segundo a gigante de bebidas, a substituição de fornecedores não seria simples nem imediata.
A Tesla, fabricante de veículos elétricos do trilionário Elon Musk, também enviou comentários ao USTR. A empresa afirmou apoiar medidas voltadas à reindustrialização dos Estados Unidos e à construção de cadeias de suprimento mais resilientes no país no longo prazo. Mas fez um alerta: “essa transição levará tempo”.
Segundo a companhia, alguns insumos, como peças e componentes fornecidos pelo Brasil, ainda não podem ser obtidos nos Estados Unidos em escala suficiente para permitir uma manufatura norte-americana competitiva sem acesso a cadeias internacionais de suprimento já estabelecidas.
Já o eBay sugeriu que o USTR modifique a medida para isentar produtos “de segunda mão, usados e seminovos de quaisquer tarifas impostas no âmbito da investigação da Seção 301”. Segundo a plataforma, aplicar a tarifa a produtos revendidos não atinge o objetivo de punir os fabricantes investigados.
“Um bem já foi comprado, utilizado e revendido — muitas vezes por diversos proprietários ao longo de vários anos. Uma tarifa imposta no momento da revenda no mercado secundário não gera qualquer sinal econômico que alcance o fabricante original, muito menos qualquer prática brasileira de distorção da concorrência relacionada à fabricação inicial do produto”, afirmou o eBay.
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