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Engenheiro de formação apostou no empreendedorismo com paletas mexicanas antes do açaí e usa os ensinamentos da falência no negócio atual

Uma rede de franquias de açaí nascida em Conselheiro Lafaiete, em Minas Gerais, está de malas prontas para expandir internacionalmente e quer chegar a 10 países até a metade de 2027: o Jah Açaí.
A empresa acumula 17 anos de história e possui 200 unidades em 14 estados brasileiros, principalmente São Paulo, Mato Grosso e Minas Gerais. O ator Caio Castro é um dos sócios para divulgações de marketing.
Desde 2018, a marca é procurada por investidores interessados em abrir unidades fora do país. Mas foi só em junho de 2025 que o Jah Açaí deu esse passo, com a inauguração de uma loja na cidade alemã de Düsseldorf. O faturamento médio mensal da operação já alcança 30 mil euros, equivalente a mais de R$ 176 mil.
Segundo o CEO Rafael Corte, esse foi só o começo do movimento. Depois de um ano da operação na Alemanha, a marca ampliou o objetivo de internacionalização. A próxima meta da rede é chegar, até o próximo verão do hemisfério norte, em junho de 2027, a países da Europa, América do Norte e América do Sul. O objetivo é chegar a 10 países até o próximo ano.
Além disso, até o fim de 2026, a rede projeta um faturamento de R$ 180 milhões em todas as unidades já em operação.
Porém, nem tudo são flores. Apesar de Corte estar por trás de uma marca em processo de expansão internacional, a história do executivo no empreendedorismo teve um início desafiador que o ensinou o que deve ser evitado em uma empresa...
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O Jah Açaí nasceu em 2009 em Conselheiro Lafaiete, cidade mineira com cerca de 130 mil habitantes. A rede foi fundada a partir de uma insatisfação profissional de Diego Dutra, um jovem de 21 anos que trabalhava em turnos de madrugada em uma mineradora da região.
Foi no empreendedorismo que Dutra enxergou uma saída para essa mudança e, com um investimento inicial de R$ 16 mil, abriu uma unidade para vender açaí na região, em um modelo tradicional de tigela – o que, dois anos depois, foi alterado para dar vez a uma das marcas registradas da marca: o self-service de açaí.
Até então, o produto não era muito conhecido na cidade mineira e, para se sentir mais seguro, Dutra permaneceu como CLT durante quatro anos após a abertura do Jah.
Mas a virada de chave da marca foi um encontro com Corte, que viria a se tornar CEO da companhia. Engenheiro de formação, ele conheceu o Jah Açaí após uma tentativa frustrada de empreendedorismo com paletas mexicanas.
“Convenci minha família a comprar uma master franquia de paleta mexicana em Minas Gerais, um estado que eu não conhecia. Cheguei a inaugurar 10 lojas sem nenhuma lógica, tinha tudo para dar errado. Dava prejuízo todo mês e tive até que pegar empréstimo com funcionário”, relembra Corte.
Pelo desespero de pagar as contas, Corte adotou a estratégia de visitar estabelecimentos que pudessem instalar freezers com as paletas mexicanas da marca, em um modelo semelhante ao da Kibon.
Em uma dessas visitas, Corte e Dutra se conheceram. O engenheiro se interessou pela qualidade do produto e pelo modelo de autoatendimento, o que o levou a sugerir ao fundador que investisse em um modelo de expansão por franquias.

No Jah, os clientes se servem em máquinas típicas de sorveteria, colocam os acompanhamentos na quantidade que desejam e, em seguida, pesam em uma balança. O atual CEO da marca viu a estratégia como um diferencial no mercado que poderia ser escalada.
“Depois da falência com as paletas mexicanas, eu não sabia exatamente o que o Diego tinha que fazer ao franquear as marcas, mas sabia tudo que não podia.”
O CEO do Jah Açaí diz que aprendeu diferentes lições que aplicou à empresa após a falência anterior: uma franqueadora precisa dar suporte ao franqueado, ser transparente quanto às dificuldades do negócio, focar na qualidade do produto que vende e tomar decisões baseadas nas necessidades do negócio.
Ao longo dos anos, a marca avançou e passou a operar em diferentes localidades do Brasil usando um dos aprendizados que Corte considera entre os principais: a responsabilidade na expansão.
“Queremos ter as melhores lojas, não o maior número de unidades. Nossa meta de abertura não é superagressiva, é chegar a 300 lojas em três anos. Preferimos ser uma referência de marca”, explica.
Antes de vender uma franquia em determinada cidade, a marca faz um estudo do mercado na região para decidir se a localização faz sentido, além de realizar treinamentos com os franqueados para manter o padrão da operação.
Essa mesma abordagem tem sido o centro da estratégia de expansão internacional do Jah Açaí, explica Corte.
A princípio, os sócios do Jah Açaí foram resistentes sobre levar a marca para fora do Brasil devido ao receio, mas um alemão que conheceu o modelo em visita ao Brasil se interessou e convenceu Corte e Dutra.
“Na primeira unidade, focamos mais em não dar errado. Levantamos um investimento, procuramos um aluguel barato e começamos. Mas é preciso que a empresa esteja bem-organizada antes. Levar uma marca para o exterior sem preparo pode quebrar um negócio bom no Brasil”, diz Corte.
Para os executivos da marca, a abertura na Alemanha foi uma grata surpresa. Embora não seja uma loja com um fluxo elevado todos os dias, brasileiros que moravam na região e mesmo alemães interessados em conhecer o produto visitaram a loja.
Atualmente, a unidade da Alemanha está no top 10 de faturamento da rede.
Já em Portugal, o início foi mais desafiador porque o Jah Açaí tem um concorrente de peso: a Oakberry, maior franqueadora de açaí do mundo.
Por lá, houve um foco errado de investimento. Na Alemanha, eles investiram no branding para apresentar a marca e o produto no país.
Em Portugal, tentaram seguir a mesma estratégia e chegar com um nome forte. Porém, o resultado não foi o esperado e ainda era necessário captar clientes para conseguir competir com a outra gigante.
“Quando pensamos na captação de clientes, as vendas começaram a crescer”, diz o CEO. Uma das estratégias foi focar no preço. Devido ao modelo de autoatendimento, o Jah Açaí tem menos custo com funcionários e tem uma margem maior para reduzir o valor final.
Enquanto concorrentes comercializam açaí a 15 euros, o tíquete médio do Jah Açaí na Europa é de até oito euros, quase metade do preço.
Para o funcionamento da marca no exterior, a empresa investiu R$ 1 milhão de capital próprio, apesar de as unidades serem franqueadas. Além disso, a rede mantém um aporte mensal de R$ 100 mil para dar apoio aos empreendedores.
Outra adaptação foi a necessidade de encontrar fornecedores que pudessem seguir as mesmas receitas do Jah, devido às dificuldades logísticas de exportação do açaí processado.
Por isso, a marca possui contratos com fábricas locais que são responsáveis pela produção distribuída aos franqueados. Os sócios desenvolvem o processo diretamente com os fornecedores.
A internacionalização se tornou um dos grandes focos do Jah Açaí.
“O mundo não vai dar oportunidade para uma empresa brasileira ser referência em moda, e em tecnologia. No Jah conseguimos aproveitar um produto que representa o Brasil.”
Corte também acredita que o mercado de açaí como um todo ainda tem espaço para expandir. Embora o produto tenha se popularizado nos últimos anos, ainda não é como o café, por exemplo, que é amplamente conhecido e há diferentes critérios de qualidade.
Além da Alemanha e de Portugal, a rede também deve pousar no Chile no mês de agosto. A estratégia no país foi vender uma master franquia – modelo no qual o empreendedor se torna um micro franqueador da rede e tem mais autonomia para tocar o negócio.
Serão abertas cinco unidades no Chile, com faturamento previsto de até US$ 30 mil por mês em cada loja, equivalente a R$ 155 mil. Na América Latina, a Colômbia tem negociações de uma master franquia no radar, mas o grande foco da companhia tem sido países europeus.
Até o primeiro semestre de 2027, a expectativa é ter contratos fechados na Espanha, Irlanda, França e Turquia.
Os Estados Unidos também estão na lista das discussões, especificamente o estado da Califórnia.
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