Enquanto tutores viajam em julho, este hotel para cães turbina o faturamento em até 30% durante as férias
Empreendedora do Recanto da Tia Carol afirma aproveitar o aumento do fluxo de caixa para ajustar o planejamento financeiro do negócio

A essa altura das férias de julho, muitas famílias já estão com passagens compradas e duas reservas de hospedagem prontas: a do destino da viagem e a do animal de estimação que fica em casa. Cada vez mais brasileiros têm assumido os “filhos de quatro patas” e, como consequência, existe um crescimento do mercado de produtos e serviços para pets – entre eles, os hoteizinhos.
Há uma demanda crescente pelo cuidado de animais de estimação em hospedagens de longa duração, creches diárias ou o serviço de pet sitter.
Não é à toa que entre os anos de 2023 e 2025, o número de pequenos negócios ligados ao mercado pet cresceu 22% no Brasil, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abempet). No período, foram abertos 41,6 mil empreendimentos.
Especialmente na alta temporada, como os meses de dezembro, janeiro e julho, há um aumento na procura por esse tipo de serviço, principalmente na hospedagem com pernoites.
Uma empreendedora que percebe o crescimento na demanda devido às férias é Ana Carolina Arisa, proprietária do Recanto da Tia Carol, localizado no bairro do Morumbi, em São Paulo.
O negócio, que se define como um centro de bem-estar social e emocional canino, oferece serviços de creche enquanto os tutores trabalham e hospedagens de longa duração durante viagens.
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Com o período de férias, a fundadora explica que o hotel costuma receber mais pets do que normalmente atende. De um lado, isso significa mais faturamento, com a estimativa de crescimento de até 30%. De outro, exige adaptações na operação.
Serviço se expandiu
O Recanto da Tia Carol nasceu como uma expansão de um serviço que a fundadora já oferecia. Veterinária de formação, Arisa passou a trabalhar como pet sitter logo após o fimda graduação, em 2012, em uma função que se assemelha a uma babá ou cuidadora de animais de estimação.

Ela atendia famílias que possuíam cães com necessidades especiais para oferecer alimentação, medicamentos, atividades de recreação e passeios na rua. Porém, ao longo dos anos, a agenda de Arisa ficou cheia e a rotina de visita aos pets se tornou mais difícil.
Foi a partir da dificuldade de conciliar o número de animais de estimação que atendia que surgiu a ideia de abrir o Recanto da Tia Carol, em funcionamento desde 2017.
“Imaginei que conseguiria unir os cães que eu atendia em um espaço equilibrado e seguro onde eu poderia supervisioná-los durante a ausência dos tutores. Por isso abri o negócio”, explica.
Atualmente, a empresa possui 25 clientes ativos nos serviços de creche, mas aceita, por dia, um número reduzido de 10 cães para conseguir manter a operação com a qualidade que considera necessária.
Durante os períodos de férias, a empreendedora expande a ocupação máxima do espaço para 15 pets.
Mais receita e mais organização
Com o aumento no número de pets, especialmente no serviço de hospedagem que tem um custo maior para o cliente, Arisa explica que o período de férias é positivo financeiramente para o negócio.
As diárias das hospedagens seguem algumas variáveis: se já é cliente mensalista ou não, o tempo de estadia do pet e se é um animal com necessidades especiais.
Uma diária avulsa da creche, sem pernoite, custa R$ 130. O valor mensal para os cães que ficam cinco dias por semana é promocional, de R$ 1.760 – equivalente a R$ 88 por dia.
Já no caso das hospedagens, os valores diários variam de R$ 145 a R$ 200.
Devido ao aumento dos serviços de estadia, a expectativa de Arisa é que o faturamento aumente entre 25% e 30% em comparação a um mês comum.
Mas apesar do aumento nas receitas, há também mais trabalho e a necessidade de organização.
Como explica a empreendedora, o Recanto da Tia Carol precisa contratar um funcionário temporário para ajudar na operação durante a alta temporada e usa mecanismos para proteger a previsibilidade.
“Cobro uma taxa de reserva para os clientes que vão ficar hospedados, assim consigo evitar ao máximo o cancelamento das estadias e garanto que minhas vagas estejam todas preenchidas.”, diz Arisa.
Outra estratégia adotada pelo negócio é usar o valor excedente do mês de julho para ajustar o planejamento financeiro. Com um maior fluxo de caixa, a empreendedora adquire novos materiais: brinquedos para os cães, camas, cobertores e materiais de limpeza.
Além disso, ela reserva parte do valor recebido no período para um fundo de emergência do negócio.
Pelo número mais elevado de pets, a empreendedora precisa reforçar medidas sanitárias.
Com isso, as atividades recreativas realizadas com os animais durante o dia são mais espaçadas pela necessidade de pausas para uma limpeza mais constante. Também leva mais tempo para medidas de higiene com os cães, como escovação dos pelos e dentes.
Empreendedora enxerga espaço para novos serviços
Devido ao espaço limitado e a operação enxuta, a empreendedora não pretende expandir o número de animais hospedados.
“Prefiro aumentar a qualidade e oferecer outros serviços para os cães que já tenho como clientes”, diz.
Entre os planos no radar estão o banho e tosa para pets que já são clientes do espaço, e consultorias para famílias que adotaram cães filhotes ou tiveram bebês recentemente e precisam adaptar o animal de estimação.
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