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EXPANSÃO INTERNACIONAL

Acordo Mercosul-UE entra em vigor nesta semana e pequenas e médias empresas têm destaque no tratado; o que está em jogo?

Acordo tem regras específicas de acesso à informação para PMEs; documento também reforça a importância dessas companhias para o crescimento econômico

Bandeiras do Mercosul e União Europeia
Mercosul e União Europeia - Imagem: rarrarorro/Rmcarvalho/iStock - Montagem: Giovanna Figueredo

Tempo equivalente a uma geração inteira foi necessário para que o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE) saísse do papel. Após 27 anos de discussões, a relação econômica entre os blocos entra em vigor na próxima sexta (1) e pode gerar consequências para as pequenas e médias empresas (PMEs) brasileiras.

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O acordo envolve os quatro membros fixos do Mercosul, que são Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, e os 27 países que fazem parte da União Europeia.

Cabe ressaltar que os dois blocos somam cerca de 718 milhões de consumidores e Produto Interno Bruto (PIB) de mais de US$ 22 trilhões, equivalente a R$ 110,5 trilhões na cotação atual.

A partir dessa semana, empresas brasileiras e europeias já poderão exportar produtos com tarifas reduzidas ou zeradas, que é o principal ponto do tratado.

Tarifa zero nas relações comerciais

Para recapitular: o acordo prevê a eliminação de tarifas alfandegárias dos dois blocos de forma gradual: o Mercosul zerará tarifas sobre 91% dos bens europeus em até 15 anos, enquanto a União Europeia eliminará taxas sobre 95% produtos em até 12 anos.

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Na primeira etapa do acordo, 2,9 mil produtos brasileiros se tornarão isentos imediatamente, incluindo principalmente bens industriais, além de alimentos e matérias-primas.

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Segundo estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), mais de 80% dos produtos vendidos pelo Brasil ao bloco europeu passam a ser isentos.

Os setores mais beneficiados devem ser:

  • Máquinas e equipamentos;
  • Alimentos;
  • Metalurgia;
  • Máquinas, aparelhos e materiais elétricos; e
  • Produtos químicos.

A expectativa é de que, sem as tarifas da UE, as empresas brasileiras poderão vender produtos para a Europa sem pagar impostos de entrada, o que reduz custos e aumenta a competitividade frente a outros países.

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Outra consequência deve ser o aumento do alcance comercial brasileiro. Hoje, o país representa cerca de 9% das importações globais. Com o acordo, esse número pode saltar para mais de 37%.

E as PMEs?

Um dos destaques do tratado é um capítulo exclusivo a PMEs que ressalta a importância dessas companhias para as economias dos dois blocos.

“As PMEs contribuem significativamente para o comércio, o crescimento econômico, o emprego e a inovação”, diz o texto.

Além disso, o Mercosul e a União Europeia reforçaram a intenção de apoiar o crescimento e o desenvolvimento das micro, pequenas e médias empresas com a “redução de barreiras não tarifárias”.

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Em relação a essas companhias, o principal foco do acordo é garantir o acesso à informação e suporte. Uma das obrigações dos dois blocos pensando em PMEs é a criação de portais online públicos e gratuitos, reunindo dados para quem deseja exportar.

Esses sites devem concentrar informações como:

  • As tarifas de cada produto e as regras de origem;
  • Um resumo do acordo, com a descrição de trechos relevantes para PMEs;
  • Regras aduaneiras;
  • Medidas sanitárias e regulamentações; e
  • Procedimentos de registro das empresas.

Esse site também deve ter uma base de dados sobre os impostos envolvidos na exportação. A previsão é que o portal fique pronto em até três anos após o tratado entrar em vigor. Ou seja, até 2029.

Outra exigência é a criação do cargo de coordenadores de PMEs tanto por parte do Mercosul quanto da União Europeia.

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Quem estiver nessa posição terá a função de desenvolver planos de trabalho para pequenas e médias empresas de beneficiarem do acordo e assegurar que as necessidades dessas companhias estejam sendo cumpridas.

Quais são as perspectivas para as PMEs?

Atualmente, as pequenas e médias empresas brasileiras ainda representam um número reduzido no volume de exportação. Elas representam menos de 1% do valor exportado e são mais concentradas no mercado interno.

Segundo João Alfredo Lopes Nyegray, professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), os efeitos do acordo Mercosul-UE sobre as PMEs brasileiras devem ser graduais e melhorar a competitividade de produtos brasileiros no mercado europeu, ampliando margens e permitindo preços mais atrativos.

Ainda assim, na visão dele, o ganho tarifário isolado não é o principal fator de entrada no comércio internacional. “O diferencial mais relevante está na previsibilidade regulatória proporcionada pela integração com um mercado altamente institucionalizado”, afirmou ao Seu Dinheiro.

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Nyegray também destaca que as PMEs mais beneficiadas devem ser do setor de alimentação e bebidas premium. Por outro lado, companhias que competem diretamente com produtos europeus no mercado interno podem ser vulneráveis.

Para a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), o acordo representa uma oportunidade de expansão dos negócios a partir da redução de tarifas, simplificação de processos e a maior previsibilidade regulatória.

“O acordo criará um ambiente mais estável e seguro para operações internacionais, fator particularmente relevante para empresas de menor porte”, diz a federação.

Ainda assim, o economista Paulo Feldmann, professor da FIA Business School, dá o contraponto de que há o risco de as empresas menores sofrerem com o aumento da concorrência no mercado interno.

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Para ele, é importante que ainda haja um maior incentivo para PMEs brasileiras ingressarem no comércio exterior.

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