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Livrarias, bares, restaurantes e outras lojas físicas perceberam um aumento no fluxo de pessoas, faturamento e mix de produtos vendidos graças às trocas de figurinhas da Copa

A cada quatro anos, a Copa do Mundo para todo o Brasil durante os jogos, vira estampa de produtos e movimenta financeiramente negócios de diferentes segmentos. Entre as iniciativas no comércio desse período, uma que costuma chamar a atenção dos consumidores é o álbum de figurinhas, com a compra e troca entre os colecionadores.
Um efeito do “boom” das trocas de figurinhas foi a criação de pontos de encontro com essa finalidade. Diferentes locais como escolas, parques, praças, áreas de convivência em condomínios se tornaram, naturalmente, espaços para colecionadores.
Alguns negócios também encontraram uma oportunidade nesse tipo de ação e tornaram as lojas físicas em pontos de encontro.
Empresas como a Livraria da Vila, o Tulipa Bar e as franquias Puro.Açaí e Pastel do Bairro relataram, ao Seu Dinheiro, um aumento do fluxo de pessoas, atração de novos públicos e a conversão dos visitantes em consumidores de outros produtos das marcas.
Vera Ruthoer, consultora de negócios do Sebrae-SP, explica que esse tipo de ação é uma oportunidade para companhias de diferentes segmentos.
“Um cantinho de troca simples já transforma o estabelecimento em ponto de encontro e gera movimento, venda e fidelização naturalmente. Pode ser um motor de vendas para os pequenos negócios, contanto que tenha cuidado com estoque e atendimento”, diz.
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O ‘hype’ das figurinhas
À medida que a Copa do Mundo dos Estados Unidos, México e Canadá se aproxima da abertura, que vai acontecer nesta quinta-feira (11), a corrida para completar o álbum de figurinhas segue no radar.
O Google Trends, ferramenta que mede termos buscados no Google, mostra que a procura por pontos de trocas de figurinhas teve um grande aumento nos últimos três meses:

Alguns pontos já são bastante conhecidos. A própria Panini, editora do álbum, implementou espaços em shoppings por todo o Brasil. Em São Paulo, por exemplo, o Museu de Arte de São Paulo — o Masp — já é um tradicional lugar de troca de figurinhas em todas as Copas.
O Ibirapuera, ainda na capital paulista, também é um dos endereços que atrai os colecionadores. Nesta edição da Copa, o parque chegou a receber um evento do iFood direcionado à troca de figurinhas.
A plataforma de delivery é patrocinadora da Seleção Brasileira e criou, em parceria com a Panini, a Mega Troca de Figurinhas iFood, realizada no fim de maio (30). O evento reuniu 2.577 pessoas e entrou para o Guiness World Records — o livro dos recordes — com a maior troca de figurinhas do mundo.
A Livraria da Vila, tradicional loja de venda de livros em diferentes estados do Brasil, é um dos negócios que entrou na onda dos colecionadores. Nascida em 1985 no bairro da Vila Madalena, em São Paulo, a empresa tem atualmente 27 unidades em funcionamento.
Todas as unidades da Vila estão com os álbuns e figurinhas à venda desde o dia 30 de abril, quando passaram a ser oficialmente comercializados. A empresa criou espaços direcionados à troca entre os colecionadores em alguns shoppings que possuem lojas da livraria, como o Eldorado e Higienópolis, em São Paulo.
No Eldorado, o ponto é localizado ao lado de uma feira do livro da empresa, fora da loja física. Já em Higienópolis, também há um espaço de troca dentro do shopping, além de uma loja pop-up, exclusivamente com itens da Copa.
Helena do Val, diretora comercial da Vila, diz que a iniciativa começou pela percepção do interesse do público e por saber que a Copa mobiliza os brasileiros. “Essas ações geraram engajamento e aproximaram novos públicos da livraria”, explica.
Segundo Val, pessoas que estão conhecendo a Vila pela primeira vez graças às trocas de figurinhas acabam tendo contato com os livros dispostos na loja.
A diretora comercial explica que foi necessário um investimento de recursos da livraria para criar os espaços dedicados à Copa: a área de trocas de figurinhas, a loja pop-up em Higienópolis e carrinhos temáticos com produtos que têm circulado nas unidades.
“Também ampliamos a exposição de produtos relacionados ao tema, com os álbuns, figurinhas, livros e colecionáveis de futebol”.
Apesar de não divulgar números, a diretora comercial destaca que houve um aumento de fluxo com pessoas que se interessam por livros relacionados ao universo esportivo e do futebol.
Devido ao aumento da visibilidade da livraria graças às ações, a Vila já adianta que planeja repetir as iniciativas na Copa de 2030. “Possibilita alcançar novos públicos e apresentar a livraria para pessoas que ainda não conhecem a marca”, destaca Val.
No caso do Tulipa Bar, no bairro do Itaim Bibi, em São Paulo, a estratégia de troca de figurinhas foi mais focada em branding. Ou seja, em reforçar a marca na memória do público.
O bar foi inaugurado em abril deste ano e faz parte do Grupo Saints, dono de outros bares já famosos na cidade, o Boteco São Bento e o São Conrado.
O Tulipa realizou uma ação pontual de troca de figurinhas no dia 30 de maio, durante o amistoso da Seleção Brasileira contra o Panamá. A empresa divulgou o evento por meio das redes sociais para que os clientes levassem os cromos repetidos para trocar no bar ao longo do dia.
Sócio do Tulipa, Diego Gordon diz que o bar teve ocupação máxima durante o dia e reconhece que o espaço já estava naturalmente mais cheio graças à transmissão do jogo.
“Houve pessoas que vieram inicialmente para participar das trocas e acabaram permanecendo para assistir ao jogo e consumir os produtos. Ao mesmo tempo, muitos clientes que chegaram motivados pelo jogo viram uma oportunidade para trocar suas figurinhas repetidas e entrar no clima de torcida queríamos criar”, diz.
O bar também promoveu a venda de figurinhas ao longo do dia, com 150 pacotes vendidos, e planeja continuar a comercialização diretamente nas mesas do bar durante o período da Copa do Mundo.
O principal objetivo dessas iniciativas ligadas ao álbum, de acordo com Gordon, é um esquenta para os jogos que começam em breve.
“Usamos esse momento para fortalecer a relação do bar com a comunidade que acompanha eventos esportivos. A troca de figurinhas foi uma das formas de incentivar as pessoas a assistirem a Copa conosco”.
Embora tenha considerado a iniciativa positiva para apresentar o estabelecimento para mais pessoas, o Tulipa diz que não pretende repetir a estratégia de troca de figurinhas.
“Recebemos um volume elevado de clientes no espaço físico do bar, o que dificultou a operação.”
Outra companhia que apostou na troca de figurinhas como uma estratégia de aumentar visibilidade do negócio foi a Pastel do Bairro.
A nova franquia foi inaugurada no bairro do Morumbi, em São Paulo, há exatamente um mês, em 8 de maio, e planejou aproveitar a Copa do Mundo devido à abertura em uma data próxima do campeonato.
Para isso, o fundador Marco Lisboa decidiu mergulhar na temática do futebol para atrair clientes. O restaurante de pastéis criou sabores inspirados nos Estados Unidos, Canadá, México e Brasil.
A ação de troca de figurinhas, no entanto, não começou de forma planejada. No dia da inauguração, o filho de 22 anos de Lisboa, imerso no universo do álbum da Copa, sugeriu ao pai usar essa estratégia de divulgação.
“Planejamos abrir perto da Copa do Mundo e ter os pastéis temáticos, mas as figurinhas foram um instinto no dia da inauguração. Uma rádio estava na loja para falar sobre a abertura e já começamos a divulgar as figurinhas”, diz o fundador.
Ele comenta que, aos sábados, entre 11 e 16 horas, a loja recebe clientes para realizar as trocas, que também acabam conhecendo os produtos temáticos da Copa na pastelaria. Para ele, o que iniciou por um impulso mostrou uma boa sinergia com a estratégia de focar no campeonato.
Marco defende que, para fidelizar os clientes, apostar na qualidade dos pastéis é um ponto essencial.
Ele diz que o pastel, recheado de ponta a ponta e com sabores diferentes — como costelinha de porco com barbecue —, é um diferencial do que costuma ser encontrado no mercado. O fundador confia que ao apresentar o produto para quem visita devido às figurinhas é suficiente para criar um público fiel.
Já para a Puro.Açaí, franqueadora com 80 lojas em sete estados brasileiros e 15 anos de mercado, a iniciativa também tem um pé no branding, mas foi implementada principalmente para aumentar o fluxo de pessoas na loja.
A empresa de açaí nascida em Fortaleza, no Ceará, se tornou um dos pontos de venda oficial de figurinhas da Panini e aproveitou para criar espaços específicos de trocas entre os colecionadores dentro das lojas.
O diretor executivo da rede, Fernando Horácio, explica que as lojas foram decoradas com a temática da Copa, pontos para a troca de figurinhas foram criados e a empresa tem divulgado essas ações relacionadas ao mundial nas redes sociais da marca para atrair clientes.
Mas segundo Horácio, o objetivo vai além da Copa. A ideia é converter as pessoas que já estão ali pelas figurinhas para os produtos principais da loja de açaí.
Ele também diz que houve um aumento do tempo que as pessoas ficam dentro da loja e defende qualquer entrada no estabelecimento deve ser interpretada como uma oportunidade para vender os produtos.
Para aproveitar esse tipo de oportunidade, o diretor explica que a rede fez um treinamento de vendas com as equipes para que, à medida que o público chegasse nas lojas pelas trocas, os funcionários estivessem preparados para oferecer outros itens.
“Por já estar dentro da loja e passar um tempo ali, o cliente acaba comprando uma água, um picolé ou um pote de açaí. Isso gera aquela venda por impulso”, explica.
E na visão do diretor, a estratégia está rendendo frutos. Desde o início das iniciativas, houve a percepção de mais pessoas circulando na rede e um aumento de 22% no faturamento.
Outro propósito é a retenção de clientes. Horácio diz que, para manter esse fluxo, a empresa oferece um cadastro para entrar no programa de fidelidade da Puro.Açaí. Ao conhecer a marca e participar do pós-venda, a probabilidade de voltar à rede é maior.
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