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Pesquisa do Sebrae-SP aponta que cerca de 791 mil pequenas empresas devem ser beneficiadas pela Copa do Mundo, que será disputada entre 11 de junho e 19 de julho

A Copa do Mundo costuma mexer com muito mais do que a paixão pelo futebol. A cada edição do torneio, bares lotam, vitrines mudam de cor, campanhas promocionais ganham força e pequenos negócios tentam aproveitar o clima de torcida para aumentar as vendas. Em 2026, a expectativa é que o impacto seja ainda maior entre os empreendedores paulistas.
Uma pesquisa do Sebrae-SP aponta que cerca de 791 mil pequenos negócios do Estado de São Paulo devem ser beneficiados pela Copa do Mundo, que será disputada entre 11 de junho e 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México. Desse total, 698 mil são microempreendedores individuais (MEIs) e 93 mil são micro e pequenas empresas.
O levantamento, realizado entre os dias 1º e 26 de abril de 2026, mostra que o torneio já entrou no planejamento de boa parte dos empresários. Entre os empreendedores de segmentos com potencial de crescimento durante o evento, 74% afirmam que já estão se preparando para a Copa, enquanto outros 24% dizem que ainda pretendem se organizar. Apenas 2% não têm planos para aproveitar o período.
A ideia da maioria é transformar o clima do campeonato em oportunidade de negócio. Segundo a pesquisa, metade dos entrevistados pretende criar promoções, combos ou kits temáticos. Já 44% planejam lançar ou adaptar produtos e serviços inspirados na Copa.
As redes sociais também devem ganhar protagonismo durante o torneio. Cerca de 38% dos empresários pretendem reforçar a divulgação digital e investir mais na comunicação online. Outros 36% dizem que vão ampliar estoque ou capacidade produtiva para atender a um possível aumento da demanda.
Também aparecem entre as principais estratégias decorar lojas, vitrines e canais digitais com referências ao campeonato, iniciativa citada por 33% dos entrevistados, além de mudanças no horário de funcionamento, mencionadas por 26%.
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Segundo Felipe Ferreira de Barros, coordenador de pesquisas do Sebrae-SP, os dados mostram que a experiência da Copa de 2022 deixou um saldo positivo para boa parte dos pequenos negócios. De acordo com ele, o fato de apenas uma parcela pequena dos empresários afirmar que não teve resultados relevantes reforça o potencial do evento para movimentar diferentes setores da economia.
A pesquisa mostra que os principais benefícios esperados pelos empreendedores para 2026 são aumento no número de clientes, citado por 26%, crescimento do faturamento, com 19%, e conquista de novos consumidores, com 16%.
Mas nem tudo é otimismo. O avanço dos custos aparece como principal preocupação para 28% dos entrevistados. A concorrência das grandes empresas foi mencionada por 27%, mesmo percentual daqueles que apontam o aumento da competitividade entre negócios como desafio para o período.
Parte da confiança dos empreendedores vem do que aconteceu no último Mundial. Segundo o estudo, 46% dos pequenos negócios haviam feito algum tipo de preparação para a Copa de 2022.
Entre os que investiram em ações relacionadas ao torneio, 47% perceberam aumento no número de clientes e 46% relataram crescimento do faturamento durante o período. Outros 38% afirmaram ter conquistado novos consumidores e 35% disseram que a Copa ajudou a movimentar as redes sociais da empresa.
Apenas 4% afirmaram que não perceberam resultados relevantes.
Já entre aqueles que decidiram não fazer preparativos na edição passada, o principal motivo foi a percepção de que o negócio não tinha relação direta com o evento, resposta dada por 32% dos entrevistados. Outros 29% disseram que faltavam recursos para investir.
Mesmo em 2026, ainda há empresários que enxergam barreiras para entrar no clima da competição. Entre os poucos que não pretendem fazer ações específicas para a Copa, 38% acreditam que o torneio não deve gerar impacto relevante para o negócio. Outros 33% citam falta de capital para investir.
Apesar disso, o nível de confiança segue alto. Em uma escala de 0 a 10 sobre o quanto se sentem preparados para aproveitar as oportunidades da Copa, a média entre os entrevistados foi de 7,9. Cerca de 40% deram notas entre 9 e 10, enquanto 41% atribuíram notas entre 7 e 8.
Os setores de alimentação e bebidas aparecem entre os mais beneficiados pelo campeonato. Em dias de jogos, bares e restaurantes costumam registrar aumento no movimento, impulsionados por grupos que se reúnem para assistir às partidas acompanhados de petiscos, promoções e bebidas.
O varejo de vestuário também tende a ganhar força durante o torneio. Peças nas cores verde e amarelo, acessórios e itens ligados ao clima de torcida costumam ganhar espaço nas vitrines. O movimento acompanha a tendência conhecida como “brazil core”, marcada pelo uso de elementos associados à cultura brasileira e à identidade nacional.
Mas as oportunidades não ficam restritas aos segmentos tradicionalmente ligados ao futebol.
A Copa também abre espaço para ações criativas em negócios de diferentes áreas. Salões de beleza podem apostar em unhas decoradas com as cores da bandeira brasileira, enquanto pet shops conseguem criar kits temáticos para animais, com roupas e acessórios inspirados no campeonato.
A lógica é simples: encontrar maneiras de participar do momento sem perder a identidade da marca.
Ao mesmo tempo em que o torneio cria oportunidades comerciais, ele também exige cuidado dos empreendedores para evitar problemas jurídicos.
A Fifa possui regras rígidas sobre o uso comercial de elementos ligados à Copa do Mundo. As restrições envolvem anúncios, produtos, nomes de empresas, sites e até decorações de estabelecimentos.
Entre os itens proibidos estão logotipos da entidade, imagens da taça, mascotes oficiais, slogans do torneio e o próprio nome oficial da competição, além de expressões como “Copa do Mundo 2026” e “World Cup”. A tipografia criada exclusivamente para o campeonato também possui restrições de uso.
No Brasil, as limitações também passam pela Confederação Brasileira de Futebol, que restringe o uso comercial do escudo da entidade, do nome “Seleção Brasileira” e de elementos oficiais do uniforme da equipe.
Esses materiais só podem ser utilizados comercialmente por patrocinadores oficiais, empresas licenciadas e detentores de direitos de transmissão.
Com o avanço das ferramentas digitais de monitoramento, a fiscalização dessas infrações se tornou mais intensa nos últimos anos. Dependendo do caso, as punições podem incluir retirada de conteúdos do ar, desativação de sites e redes sociais, multas e até pedidos de indenização.
Isso não significa, porém, que os pequenos negócios precisem ficar de fora da movimentação.
A alternativa mais segura é apostar em referências genéricas ao futebol e ao clima de torcida, utilizando elementos como bolas, campos, bandeiras e as cores do Brasil, sem reproduzir símbolos oficiais do torneio. O termo “Copa”, por exemplo, pode ser utilizado de forma ampla, desde que não exista associação direta com marcas registradas da competição.
Além da criatividade, o planejamento deve ser parte central da estratégia dos pequenos negócios que pretendem aproveitar o evento.
Promoções temáticas, combos especiais, decoração personalizada e campanhas nas redes sociais podem ajudar a aumentar o fluxo de clientes, mas precisam fazer sentido para o perfil do público e para os objetivos da empresa.
A preparação operacional também entra nessa conta. Estoque, equipe e fluxo de caixa precisam estar organizados para lidar tanto com um possível aumento na demanda quanto com os investimentos necessários em marketing e estrutura.
Outro fator que pode influenciar diretamente o desempenho das vendas é a trajetória da seleção brasileira durante a competição. O interesse do público costuma acompanhar os resultados dentro de campo — e isso pode impactar desde o movimento em bares e restaurantes até o engajamento de campanhas promocionais criadas pelos empreendedores ao longo do torneio.
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