Maior concorrência e oportunidade de exportação: os possíveis impactos do acordo Mercosul–UE para PMEs brasileiras
Pequenas e médias empresas ganham acesso ao mercado europeu, mas também precisarão lidar com maior concorrência em solo nacional

A aprovação provisória do acordo Mercosul-UE, nesta sexta-feira (9), abre uma nova etapa na relação econômica entre os blocos. Pequenas e médias empresas (PMEs) podem ter vantagens ao ganhar um novo mercado para seus produtos.
Ao mesmo tempo, precisam dar atenção especial aos seus negócios para se manterem competitivas com a presença maior de empresas estrangeiras no mercado brasileiro.
O acordo com a União Europeia prevê a criação da maior zona de livre-comércio do mundo, com redução gradual de tarifas e maior integração regulatória.
O Mercosul eliminará as tarifas sobre 91% das importações vindas da UE ao longo de um período de 15 anos. Do outro lado, a UE eliminará progressivamente as tarifas sobre 92% das exportações do Mercosul para o bloco por até dez anos. A previsão é que o documento seja assinado na próxima semana.
Acordo Mercosul-UE aumenta o mercado em potencial
Em 2025, a União Europeia respondeu por 14,3% das exportações brasileiras, segundo dados da balança comercial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Do lado das importações, UE comprou 17,9% de tudo que o Brasil exportou.
Apesar da relevância do bloco europeu no comércio exterior, o número de pequenas empresas brasileiras que exportam ainda é reduzido. Hoje, elas representam menos de 1% do valor exportado e seguem concentradas no mercado interno, o que limita, na prática, o aproveitamento imediato das vantagens previstas no acordo.
Leia Também
Os efeitos do acordo Mercosul-UE sobre as PMEs brasileiras devem ser graduais e melhorar a competitividade de produtos brasileiros no mercado europeu, ampliando margens e permitindo preços mais atrativos, diz João Alfredo Lopes Nyegray, professor dos cursos de Negócios Internacionais e Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR).
Ainda assim, segundo ele, o ganho tarifário isolado não é o principal fator de entrada no comércio internacional.
“O diferencial mais relevante está na previsibilidade regulatória proporcionada pela integração com um mercado altamente institucionalizado”, afirma.
Isso significa que empresas conseguem antecipar custos, riscos e obrigações antes de investir ou firmar contratos de longo prazo.
“Na União Europeia, as normas seguem processos formais, com consultas públicas, períodos de transição e fiscalização relativamente consistente, reduzindo mudanças abruptas por decisões políticas pontuais”, diz.
PMEs brasileiras também veem a concorrência se acirrar
Já para o economista Paulo Feldmann, professor da FIA Business School, o acordo Mercosul-UE tende a ter efeitos mais negativos para as PMEs brasileiras.
“O acordo é considerado benéfico para o Mercosul como um todo e para as grandes empresas brasileiras, mas as pequenas empresas serão prejudicadas devido a uma profunda assimetria competitiva com as pequenas empresas europeias”, afirma.
Segundo Feldmann, empresas europeias contam com maior apoio governamental e já têm mais tradição em exportar. “Existe um abismo na experiência de comércio exterior. Na Europa, as pequenas empresas são responsáveis por uma grande parte das exportações, enquanto no Brasil esse número é muito baixo”, diz.
Na ausência de políticas públicas de incentivo, ele avalia que as PMEs brasileiras não possuem experiência suficiente para acessar o mercado europeu. Além disso, a entrada de empresas estrangeiras mais organizadas e estruturadas pode intensificar a concorrência no mercado interno.
Estratégias para enfrentar o novo cenário
Para Nyegray, a principal estratégia para as PMEs brasileiras é compreender que o acordo não deve ser tratado como um evento distante, mas como um processo já em curso. A preparação começa pela redefinição da proposta de valor.
“Para acessar o mercado europeu, não basta oferecer preço competitivo; é necessário demonstrar qualidade consistente, capacidade de entrega, conformidade regulatória e uma narrativa clara sobre origem, sustentabilidade e confiabilidade”, afirma o docente.
Entre as estratégias estão papear exigências técnicas e ambientais, estruturar sistemas de rastreabilidade e organizar a documentação de origem.
Também fundamental elevar padrões de gestão, qualidade e logística. “O mercado europeu penaliza atrasos, inconsistências e falhas contratuais, o que exige profissionalização de processos, revisão de contratos internacionais e atenção à gestão de riscos cambiais e logísticos”, diz.
Para PMEs que não pretendem exportar ou que atuam em setores mais pressionados pela concorrência europeia, a estratégia tende a ser defensiva e adaptativa. Isso envolve reduzir a dependência de produtos comoditizados, investir em diferenciação por serviço e customização e considerar parcerias estratégicas com empresas europeias.
Setores com maior potencial de ganho — e de risco
Segundo o professor da PUCPR, os maiores beneficiários tendem a ser setores nos quais as PMEs brasileiras conseguem combinar acesso preferencial com diferenciação, valor agregado e narrativa de origem.
“Alimentos e bebidas premium, como cafés especiais, chocolates de origem, mel, frutas processadas e ingredientes naturais, encontram na União Europeia um mercado disposto a pagar mais por qualidade, sustentabilidade e identidade territorial”, afirma.
As PMEs brasileiras pode se integrar no nicho B2B, desde que atendam aos padrões técnicos exigidos pelo mercado europeu para fornecer insumos utilizados no produto final.
O setor de serviços exportáveis — como tecnologia da informação, engenharia, design e serviços corporativos e criativos — também tende a se beneficiar, por enfrentar menos barreiras tarifárias e contar com maior aproximação institucional entre os blocos.
Setores mais vulneráveis incluem aqueles em que PMEs brasileiras competem diretamente com produtos europeus no mercado interno, especialmente bens industriais de média intensidade tecnológica, máquinas leves, químicos especializados e alguns bens de consumo duráveis. A entrada de produtos europeus nessas áreas pode reduzir margens e eliminar empresas menos eficientes.
Cadeias intensivas em carbono ou com baixa rastreabilidade ambiental também tendem a sofrer pressão adicional, já que clientes passam a exigir comprovações ambientais mais rigorosas.
COMEÇOU
Recarga do Gás do Povo de outubro de 2026 já está disponível; veja quem tem direito e o prazo do benefício
13 de outubro de 2026 - 10:59PASSOU VOANDO
Mega-Sena acumulada alcança a marca R$ 150 milhões e deixa +Milionária comendo poeira
13 de outubro de 2026 - 7:19A PROVA DOS 9
Ibovespa no topo, agenda cheia: para onde o investidor deve olhar no pós-recorde da bolsa
12 de outubro de 2026 - 18:00SE CUIDA, NVIDIA?
Microsoft desafia Nvidia ao lançar novo chip de IA com capacidade de processamento 7 vezes maior que a geração anterior
12 de outubro de 2026 - 15:25R$ 1 BILHÃO JÁ FOI RESSARCIDO
Bets: quase R$ 160 milhões ainda não foram devolvidos aos apostadores; veja o prazo final para recuperar o dinheiro
12 de outubro de 2026 - 14:15O EFEITO DOMINÓ DA POLÍTICA
Nobel de Economia de 2026: a dupla que revelou como pequenas decisões ajudam a explicar os rumos da economia e dos juros
12 de outubro de 2026 - 9:06ABRE E FECHA
A bolsa abre hoje? Veja como será o funcionamento da B3, dos bancos, do Pix e dos Correios neste feriado
12 de outubro de 2026 - 5:10DISPUTA POLÍTICA
Split payment opõe Flávio Bolsonaro e governo Lula em debate sobre o caixa das empresas
10 de outubro de 2026 - 15:05ABRE E FECHA
A bolsa abre no feriado de Nossa Senhora Aparecida? Veja como será o funcionamento da B3, dos bancos, do Pix e dos Correios em 12 de outubro
9 de outubro de 2026 - 10:44MÁQUINA AZEITADA
Lotofácil 3800 faz 2 novos milionários e ainda premia um bolão; Mega-Sena 3068 acumula e prêmio agora está em R$ 112 milhões
9 de outubro de 2026 - 6:24PRESSÃO QUE VIROU CONDENAÇÃO
Eduardo Bolsonaro tem prisão decretada e passaportes cancelados por Moraes após condenação no STF
8 de outubro de 2026 - 16:53BUILDINGS SUMMIT 2026
Mercado Livre vê ‘longo caminho’ para o e-commerce no Brasil e aposta em nova fronteira — mas há um obstáculo para o setor
8 de outubro de 2026 - 15:39A CONTA DA GOVERNABILIDADE
A euforia com Flávio Bolsonaro pode virar frustração? Por que uma vitória sobre Lula não é cheque em branco para reformas
8 de outubro de 2026 - 11:38ALTOS PRÊMIOS
Lotofácil 3799 deixa duas pessoas a meio caminho do primeiro milhão de reais no Paraná; +Milionária 396 acumula com bola na trave impressionante
8 de outubro de 2026 - 7:10NO FOGO CRUZADO DAS ELEIÇÕES
Fim da escala 6×1: nova regra pode sair do papel antes do segundo turno? Entenda em que pé está a votação
7 de outubro de 2026 - 17:52ELEIÇÕES 2026
Flávio Bolsonaro ou Lula no segundo turno? Moody’s compara cenários e aponta os riscos para investidores
7 de outubro de 2026 - 14:05FINANCIAMENTO SUSTENTÁVEL
ETF com selo do BID e que investe na Amazônia Legal? AMAB11 atrai R$ 66 milhões em apenas dois meses
7 de outubro de 2026 - 12:03RECEIO COM A IA
Ray Dalio volta a bater na inteligência artificial e defende que bolha está prestes a estourar. Quais são os sinais?
7 de outubro de 2026 - 11:47TEM PRA TODO MUNDO
Lotofácil 3798 tem 58 ganhadores, mas só um vai embolsar valor milionário; Mega-Sena 3067 acumula e prêmio atinge a marca de R$ 100 milhões
7 de outubro de 2026 - 7:16ESTÁ VALENDO