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A Pipo Saúde, fundada em 2019, investe em inteligência artificial para se destacar em um mercado com concorrentes globais e atende clientes como Yamaha, QuintoAndar e OLX

Um dos benefícios “queridinhos” do mundo corporativo representa o segundo maior gasto das empresas com funcionários: os planos de saúde. Essa despesa só fica atrás dos valores direcionados à folha de pagamento e cresce entre 15% e 20% nos últimos anos.
Mesmo com custos expressivos, é praticamente indispensável nas empresas brasileiras. Cerca de 93,5% das companhias oferecem assistência médica aos funcionários, segundo uma pesquisa divulgada pela Pipo Saúde.
Não é à toa que este mercado tem nomes gigantes tanto no cenário nacional quanto no exterior. No Brasil, há a Qualicorp (QUAL3), por exemplo, com valor de mercado de R$ 482,8 milhões na cotação do último fechamento (25) e líder do setor no qual a Pipo está inserida. Já a maior em nível mundial é a Marsh (MRSH), listada na bolsa de Nova York e com mais de 100 anos de atuação.
Foi observando este setor aquecido que Manoella Mitchell, que seguia carreira no mercado financeiro com teses de saúde, decidiu fundar uma corretora de seguros que saísse do padrão convencional: a Pipo Saúde.
Formada em Economia, a fundadora passou por empresas relevantes como o banco britânico Barclays Capital, o fundo soberano de Singapura Temasek e a gestora de private equity Actis.
Em entrevista ao Seu Dinheiro, Mitchell explica que a história da companhia não começou a partir de nenhuma ideia mirabolante. “Eu trabalhava analisando investimentos. A gestora onde eu estava investiu em uma corretora de seguros no Brasil e eu comecei a olhar muito o setor de saúde. Percebi que tinha oportunidade naquele mercado.”
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Foi a partir disso que ela “trocou de lado do balcão” e fundou a empresa considerada uma healthtech em 2019 com os sócios Vinicius Correa, ex-Nubank, e Thiago Torres.
Atualmente, a Pipo Saúde atende 200 empresas em todas as regiões do Brasil e Mitchell destaca que os clientes são de segmentos bastante variados: “temos desde a Yamaha, até o QuintoAndar e a OLX.”
Outro número destacado pela corretora de seguros é o número de vidas sob gestão. Focada em planos corporativos, a companhia atende cerca de 250 mil pessoas.
Para efeito de comparação, no 1º trimestre de 2026, a Qualicorp reportou 880,1 mil vidas sob gestão – 519,2 mil na carteira administrada pela companhia.
Além disso, a Pipo registra um crescimento anual de faturamento na ordem de 50% e a expectativa para 2026 é chegar em R$ 80 milhões.
Na prática, a Pipo Saúde é uma corretora de seguros digital. Ela faz a intermediação entre os planos de saúde e as empresas interessadas em contratar benefícios para os funcionários.
Até aí qualquer corretor faz a mesma coisa. Mas a Pipo Saúde decidiu investir em tecnologia para se diferenciar com uma plataforma mais intuitiva e prática. Isso era fundamental para que a empresa conseguisse concorrer com os grandes players que já existiam no mercado.
“Nós focamos na experiência do usuário, design da plataforma e ferramentas digitais”, explica Mitchell.
A experiência no mercado financeiro também ajudou os fundadores a terem conhecimento sobre as possibilidades de crédito para o empreendimento. Por ser uma companhia nova, a Pipo dificilmente conseguiria empréstimos bancários e, portanto, recorreu às injeções de capital dos investidores.
A Pipo Saúde nasceu com um investimento de fundos estrangeiros no valor de R$ 150 milhões. Esse tipo de aporte é feito por fundos que alocam recursos em companhias com alto potencial de crescimento e escalabilidade, com um risco significativo.
Uma das empresas que alocou recursos na corretora digital foi a Thrive Capital, sediada em Nova York, nos Estados Unidos, que tem mais de R$ 50 bilhões em ativos e é a maior investidora da OpenAI.
A empresa tem parceria com mais de 30 empresas de planos de saúde, como Bradesco, SulAmérica, Unimed e Amil.
Porém, além da intermediação, que é comum entre corretores, a Pipo tem um time médico próprio para o que Mitchell chama de coordenação do cuidado.
“É muito comum um paciente ir ao pronto-socorro diversas vezes com o mesmo problema. Normalmente isso está atrelado a alguma questão de saúde que precisa ser investigada. Com dados e tecnologia, a Pipo percebe esse padrão e entra em contato com a pessoa”, explica.
A equipe médica da companhia realiza uma teleconsulta com o paciente para uma triagem e faz a recomendação de um especialista disponível no plano de saúde.
A tecnologia inclusive é um dos meios que a Pipo quer se diferenciar no mercado – e lutar com as grandonas.
“A Pipo Saúde é o Nubank do mercado de seguros. O cenário está cheio de Bradesco, e Itaú. Alguns dos nossos concorrentes são companhias de capital aberto no exterior e valem centenas de bilhões de dólares. Só credibilidade não bastaria para nós”, explica Manoela Mitchell, de 34 anos, uma das fundadoras da companhia.
Assim como o Nubank nasceu em 2013 e desafiou os grandes bancos com um modelo de negócio inovador na época, com foco em tecnologia, a Pipo Saúde foi criada com o objetivo de ir além da corretagem tradicional nos benefícios de saúde corporativos.
“A inteligência artificial está em quase tudo na Pipo, seja na comunicação com o cliente, com as equipes de recursos humanos ou nas projeções de reajustes”, explica.
Ela comenta que os primeiros contatos com os pacientes são respondidos por um agente — um sistema de software autônomo, capaz de tomar decisões, diferente dos chatbots que só respondem perguntas.
Para o RH também há atuação dos agentes. Neste caso, para resumos sobre o plano de saúde e os custos de cada funcionário.
Além do uso externo, a IA está presente na operação interna da companhia, com automação de processos em finanças e contratação de pessoas pelo time de RH, por exemplo.
Todas as iniciativas de inteligência artificial são incentivadas pela própria liderança, o que a companhia também percebe como um diferencial.
Mesmo com todo o mercado também olhando para IA no cenário atual, a Pipo defende que, pelo menos no setor em que atua, os outros players ainda têm uma atuação tecnológica “superficial”, enquanto esse é o core da corretora digital.
“Com IA nós conseguimos ter mais escala, mais eficiência e menos erro. Acredito que, com a tecnologia cada vez mais avançada, a Pipo daqui dois anos vai conseguir crescer mais rápido do que cresce hoje e conseguir resultados financeiros ainda melhores”, defende Mitchell.
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