Casal tinha dificuldade de encontrar vacina para os filhos e criou negócio que deve faturar R$ 172 milhões em 2026
Rosane e Fábio Argenta transformaram uma necessidade da própria família na rede de franquias Saúde Livre Vacinas

Para muitos pais, encontrar uma vacina para os filhos é apenas mais um item da lista de cuidados com a saúde. No caso de Rosane e Fábio Argenta, porém, a busca acabou mudando o rumo da vida profissional.
No fim dos anos 2000, eles precisavam percorrer outras cidades para encontrar vacinas complementares ao calendário público de imunização. Quando encontravam, nem sempre se deparavam com a estrutura e o atendimento que esperavam.
A percepção de que existia uma demanda pouco atendida levou o casal a enxergar uma oportunidade de negócio. Com investimento inicial de R$ 30 mil, eles inauguraram em 2012 a primeira unidade da Saúde Livre Vacinas em Lucas do Rio Verde (MT).
O negócio se transformou em uma rede com mais de 200 unidades entre abertas e em implantação, que estima aplicar cerca de 2 milhões de doses neste ano e projeta faturamento de R$ 172 milhões em 2026.
Negócio de vacinas: a experiência que virou oportunidade
Antes de entrar no mercado de vacinação, os Argenta já atuavam na área da saúde. Naturais de Passo Fundo (RS), eles se conheceram na faculdade e construíram carreira em áreas diferentes: Fábio tornou-se cardiologista e Rosane virou dentista e professora universitária.
Em 2003, após a mudança para Mato Grosso, o casal abriu uma clínica própria em Lucas do Rio Verde, reunindo serviços de cardiologia e odontologia.
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Segundo a empreendedora, a abertura da clínica de vacinação, em 2012, aconteceu após a identificação de uma demanda crescente por imunização infantil e pela chegada de novas vacinas voltadas para adultos.
“Os locais não ofereciam ambiente perfeitamente adequado às melhores práticas dos serviços de vacinação, como ambiente adequadamente climatizado, que permitisse higiene adequada, ambiente acolhedor, atendimento humanizado e equipe preparada para atendimento personalizado de cada cliente”, afirma Rosane ao Seu Dinheiro.
Então, o casal dividiu funções para fundar a Saúde Livre Vacinas. Enquanto Rosane se dedicava aos processos regulatórios para colocar a operação de pé, Fábio aprofundava os estudos sobre imunização.
“A receptividade foi muito positiva desde o início, principalmente porque havia uma carência desse tipo de serviço em Lucas do Rio Verde”, afirma.
Crescimento acelerado sem grandes campanhas
Nos primeiros anos, a expansão aconteceu principalmente por indicação dos próprios clientes.
“A satisfação com o atendimento e a confiança construída ao longo do tempo fizeram com que o marketing boca a boca se tornasse nosso principal canal de divulgação nos primeiros meses”, diz a empreendedora.
O investimento inicial foi recuperado em apenas três meses, de acordo com a empresa. A segunda unidade foi aberta em Sinop (MT) e, até 2015, a operação já contava com cinco clínicas próprias.
O crescimento levou os fundadores a dar um novo passo em 2017: transformar o negócio em franquia.
A primeira unidade franqueada foi inaugurada em Santarém (PA). Um ano depois, a rede já reunia 12 clínicas entre operações próprias e franquias. Em 2019, o número chegou a 27 unidades.
Foi nesse período que Rosane decidiu deixar definitivamente a atuação clínica na odontologia para se dedicar à gestão da empresa.
O impacto da pandemia na operação
A pandemia de covid-19 representou um dos momentos mais importantes da trajetória da rede.
De um lado, o tema vacinação ganhou protagonismo e aumentou a visibilidade do setor. De outro, a empresa precisou adaptar a operação e lidar com mudanças no comportamento dos consumidores.
“No início, observamos um aumento expressivo na procura por vacinas, especialmente a da gripe, em razão da maior preocupação da população com a prevenção de doenças respiratórias. Já a partir do segundo ano da pandemia, percebemos uma redução na demanda por vacinas”, afirma Rosane.
Segundo ela, a empresa precisou investir em ações de conscientização para reforçar a importância da manutenção da carteira vacinal atualizada.
Ao mesmo tempo, acelerou mudanças operacionais que acabaram se tornando permanentes.
“A principal mudança na Saúde Livre Vacinas foi a ampliação dos modelos de atendimento. Fortalecemos significativamente o serviço de vacinação domiciliar, que passou a ter um papel estratégico na operação. Além disso, expandimos nossa atuação para empresas, levando a imunização diretamente aos locais onde as pessoas estavam.”
A empresa também investiu em sistemas de gestão e em ferramentas de CRM, tecnologia usada para monitorar a jornada dos pacientes e centralizar informações sobre o relacionamento com os clientes, apoiando a expansão da rede.
Próxima meta: 254 clínicas em funcionamento
Hoje, a Saúde Livre Vacinas tem mais de 200 unidades entre abertas e em implantação e pretende chegar a 254 clínicas em funcionamento em 2026.
A estratégia de crescimento continua baseada no franchising, mas a empresa afirma que a seleção dos parceiros é um dos pontos centrais da expansão.
“Nosso principal objetivo é formar uma rede de empresas saudáveis, que possam formar e manter uma equipe de trabalho preparada e engajada para oferecer o melhor serviço de vacinação aos nossos clientes”, afirma Rosane.
Segundo a fundadora, a avaliação dos candidatos considera principalmente a capacidade de gestão e liderança.
“Somos muito claros quanto ao potencial do negócio. Pensamos que a verdade e a clareza são importantes para o alinhamento de expectativas de ambas as partes.”
O casal vê espaço para crescimento do setor nos próximos anos, apoiado pelo aumento da conscientização sobre prevenção e imunização. A meta da empresa é que, com a expansão da rede, seja possível contribuir para elevar a cobertura vacinal brasileira em 1%.
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