Títulos do Tesouro Direto ganham novos prazos: veja o que muda para o investidor
Papéis prefixados e indexados à inflação tem vencimento alongado, enquanto Tesouro Selic só oferece um vencimento

A plataforma do Tesouro Direto atualizou as opções de vencimento dos títulos públicos disponibilizados em 2026. A partir deste mês, os investidores encontram novas alternativas de prazos tanto para o Tesouro Prefixado quanto para o Tesouro IPCA+.
A mudança é recorrente no início de cada ano, período em que o Tesouro Nacional organiza o planejamento da dívida pública. Para 2026, o Plano Anual de Financiamento (PAF) estabelece mais emissões de títulos prefixados e o alongamento dos vencimentos da dívida da União.
Na prática, para os investidores, isso significa que os prazos disponíveis nos títulos do Tesouro Direto tendem a ficar mais longos. Veja a seguir.
Novos prazos no Tesouro Direto
Tesouro Prefixado
Os títulos prefixados passaram por duas mudanças:
- O Tesouro Prefixado 2028 deixou de ser oferecido. Em seu lugar, entrou o vencimento para 2029;
- O Prefixado que paga juros semestrais com vencimento para 2035 deixou a plataforma. Agora, o novo vencimento é 2037; e
- O Tesouro Prefixado 2032 se manteve igual.
Ao longo do ano, o Tesouro Nacional pretende lançar um novo título Tesouro Prefixado com juros semestrais de vencimento ainda mais longo, segundo o PAF 2026.
Tesouro IPCA+
Os títulos indexados à inflação do Tesouro Direto também passaram por duas mudanças nos prazos mais curtos.
Leia Também
- O Tesouro IPCA + 2029 deixou de ser oferecido, para dar lugar ao vencimento em 2032; e
- O título mais curto com juros semestrais passou a ser o Tesouro IPCA + 2037.
Os demais vencimentos disponíveis continuam os mesmos:
- Tesouro IPCA+ 2040;
- Tesouro IPCA+ 2050;
- Tesouro IPCA+ com juros semestrais 2045; e
- Tesouro IPCA+ com juros semestrais 2060.
De acordo com o PAF 2026, o Tesouro Nacional quer organizar melhor os prazos dos títulos indexados à inflação para garantir que, ao longo do ano, vários vencimentos longos sejam oferecidos regularmente, aumentando a previsibilidade e negociação dos papéis.
- LEIA TAMBÉM: Tesouro Direto: A ‘janela de ouro’ do Tesouro IPCA+, que pode render até 91% com a queda dos juros
Tesouro Selic
A plataforma do Tesouro Direto apresenta apenas uma opção de Tesouro Selic a partir de fevereiro. Até o mês passado, dois vencimentos eram oferecidos: 2028 e 2031. Agora, apenas o Tesouro Selic 2031 aparece para o investidor.
Entretanto, isso não significa que a oferta desse modelo de título será mais restrita neste ano.
No próximo mês, o Tesouro Nacional lançará um novo título público para reserva de emergência: o Tesouro Reserva.
O papel será um meio-termo entre o Tesouro Selic e um CDB de liquidez diária. O objetivo é aproximar os investidores dos títulos públicos, oferecendo investimentos mais simples e fáceis de entender. (Saiba mais sobre o Tesouro Reserva aqui).
Por que isso importa para o investidor
Nenhuma dessas mudanças significa que, se você tem algum título “descontinuado” na carteira, deixará de receber a rentabilidade contratada por ele ou que o vencimento do seu papel mudou. Significa apenas que esses papéis deixaram de ser oferecidos na plataforma do Tesouro Direto.
No aplicativo de bancos e corretoras ainda é possível comprar cada um dos vencimentos substituídos, porém, em negociação no mercado secundário.
Caso você precise vender antes do vencimento, também é possível — nada muda nesse sentido.
Em termos de investimentos, a inclusão de novos prazos cria degraus adicionais para aplicação. Assim, fica mais fácil escolher um título mais próximo da data em que você pretende usar o dinheiro. Com isso, diminuem as necessidades de resgates antecipados, que podem causar prejuízos.
É importante lembrar que os títulos do Tesouro Direto têm correlação negativa entre taxa e preço.
Quando os juros de mercado caem diante de uma perspectiva de queda na taxa Selic, as taxas dos títulos prefixados e IPCA+ também caem, e seus preços de mercado sobem. Porém, quando os juros de mercado sobem, as taxas desses mesmos títulos também sobem, e seus preços de mercado caem.
Esse fenômeno é conhecido como marcação a mercado — e na situação de um resgate antes do vencimento, essa oscilação de preço e taxa pode resultar em prejuízo, com o investidor vendendo o título público por um preço menor do que ele comprou.
Com diferentes prazos disponíveis, é possível planejar melhor os vencimentos das aplicações para não correr o risco do resgate antecipado.
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