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Monique Lima

Monique Lima

Repórter de finanças pessoais e investimentos no Seu Dinheiro. Formada em Jornalismo, também escreve sobre mercados, economia e negócios. Já passou por redações de VOCÊ S/A, Forbes e InfoMoney.

RENDA FIXA

Mais rentável que a poupança e tão fácil quanto um ‘cofrinho’: novo título do Tesouro Direto para reserva de emergência já tem data para estrear

O novo título público quer concorrer com os ‘cofrinhos’ e ‘caixinhas’ dos bancos digitais, e ser uma opção tão simples quando a poupança

Monique Lima
Monique Lima
30 de janeiro de 2026
17:25 - atualizado às 16:33
dinheiro investimento ferramenta sistema lucro
Imagem: Montagem Canva Pro

Um novo título do Tesouro Direto vem aí e promete ser mais rentável que a poupança e tão fácil de mexer quanto qualquer “cofrinho” ou “caixinha” de bancos digitais. Nomeado de Tesouro Reserva, o papel será o primeiro a ser negociado de forma ininterrupta, ou seja, 24 horas por dia e 7 dias por semana.

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O objetivo do Tesouro Nacional, em parceria com a bolsa brasileira, B3, é criar um produto fácil, acessível, de boa rentabilidade, para se tornar a principal aplicação de reserva de emergência dos brasileiros.

Rogério Ceron, secretário do Tesouro Nacional, afirmou que quer chegar “na camada mais popular” com esse título.

“A gente tem mais de 3 milhões de investidores no Tesouro Direto, mas se comparar com a poupança, tem um espaço enorme. Daria para [o TD] ter 10, 20 milhões de investidores", afirmou Ceron ao Broadcast/InvesTalk.

A criação do título público entrou no Diário Oficial da União (DOU) do último dia 12.

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Com lançamento para o público em geral previsto para a primeira semana de março, nesta sexta-feira (30) começou a fase final de testes. Um grupo de 200 clientes do Banco do Brasil teve acesso ao Tesouro Reserva para avaliar o desempenho da plataforma 24/7.

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O Tesouro Reserva

Tesouro Reserva é o nome fantasia, que vai aparecer na plataforma do Tesouro Direto. No jargão financeiro, o nome do título é Letra Financeira do Tesouro série TD1, ou LFT-TD1.

Basicamente, ele é uma versão atualizada do Tesouro Selic. O título também vai acompanhar a rentabilidade da taxa Selic, com retorno pós-fixado e liquidez diária. No entanto, uma diferença importante é que o papel não vai ter marcação a mercado.

A marcação a mercado é a oscilação de preço diária dos títulos de renda fixa.

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Ser “renda fixa” significa ter um retorno garantido no vencimento da aplicação financeira. Mas, no meio do caminho, esse título passa por oscilação de preço — e de taxa — todos os dias.

Por exemplo, o Tesouro Prefixado 2028 começou o ano negociado a R$ 784,63, com uma taxa de 13,03% ao ano. Nesta sexta-feira (30), o preço está em R$ 797,38, com uma taxa de 12,65% ao ano.

Essa oscilação diária é a marcação a mercado. Se o investidor compra o título e leva até o vencimento, essa mudança de preço e taxa não interfere em nada. O retorno marcado no momento da compra será o pago no vencimento.

Mas, para uma aplicação de reserva de emergência, pode ser um fator negativo. Isso porque, diante de uma situação imprevista, o investidor pode se ver na situação de resgatar o investimento antes do fim do prazo e, a depender da oscilação, pode sair no prejuízo diante de um título com o preço menor do que o pago na hora da aplicação.

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O Tesouro Selic tem uma oscilação muito pequena comparada ao Tesouro Prefixado e ao Tesouro IPCA+ — no entanto, ainda há oscilação. Já o Tesouro Reserva, segundo Ceron, não terá oscilação nenhuma.

"Esse título não vai ter marcação a mercado, vai ser ao par [marcação na curva], o que significa que ele não vai oscilar. Isso é muito importante, justamente pensando que é um título para reserva de emergência", disse Ceron ao Broadcast.

Isso significa que o investidor não corre o risco de ver o valor do seu investimento variar negativamente em momentos de estresse no mercado — algo que, embora raro, pode acontecer com o Tesouro Selic tradicional.

Além de funcionar 24 horas por dia, o Tesouro Reserva foi desenhado para ter acessibilidade máxima.

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  • Valor nominal (preço): R$ 10
  • Aplicação mínima: R$ 1
  • Limite por investidor: R$ 500 mil por mês
  • Recurso ideal: reserva de emergência

Com esse desenho, o Tesouro Nacional busca atrair milhões de brasileiros que hoje deixam dinheiro parado na poupança ou em títulos de capitalização.

“A inspiração é a lógica de quem põe lá seus R$ 50, R$ 100, R$ 500 numa poupança tradicional. A ideia é que ele possa investir em algo que seja um pouco mais rentável, mas que tenha o mesmo dinamismo e a mesma ausência de complexidade”, detalhou o secretário do Tesouro.

Além disso, terá a plataforma 24x7 para permitir negociação a qualquer momento.

A plataforma, criada junto com a B3, foi desenhada para permitir operações em qualquer horário — inclusive de madrugada, fins de semana e feriados — algo inédito no mercado financeiro tradicional.

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O secretário do Tesouro espera que a novidade leve todo o sistema financeiro a se modernizar — e rápido.

“No final do dia, você faz o que aconteceu no e-commerce para o investimento pessoa física. ‘Eu quero comprar agora e quero receber agora’. Ninguém aceita mais esperar 15 dias úteis. A pessoa física vai movimentar o mercado”, disse Ceron.

Se tudo correr como planejado, Ceron projeta que até 2027 será comum ver plataformas oferecendo produtos financeiros com negociação contínua.

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