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Monique Lima

Monique Lima

Monique Lima é jornalista com atuação em renda fixa, finanças pessoais, investimentos e economia, com passagem por veículos como VOCÊ S/A, Forbes, InfoMoney e Suno Notícias. Formada em Jornalismo em 2020, atualmente, integra a equipe do Seu Dinheiro como repórter, produzindo conteúdos sobre renda fixa, crédito privado, Tesouro Direto, previdência privada e movimentos relevantes do mercado de capitais.

TÍTULOS PÚBLICOS

Tesouro Direto volta a oferecer retornos recordes; Tesouro IPCA+ paga 8% mais inflação e prefixados rendem mais de 13%

Incertezas globais elevam rendimentos dos títulos públicos e abrem nova janela de entrada no Tesouro Direto

Monique Lima
Monique Lima
20 de janeiro de 2026
12:29 - atualizado às 12:30
tesouro nacional tesouro direto renda fixa títulos públicos
Baú cheio de moedas, com a logo do Tesouro Nacional ao lado. - Imagem: Canva | Montagem: Maria Eduarda Nogueira

Os títulos do Tesouro Direto voltaram a oferecer taxas recordes nesta terça-feira (20). O destaque é o Tesouro IPCA+ 2029, que voltou a pagar um juro real de 8% ao ano, além da variação da inflação.  

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A última vez que o título público chegou nesse patamar foi em novembro do ano passado.  

Os títulos Prefixados, que estavam pagando na faixa dos 12% ao ano, voltaram a oferecer mais de 13% ao ano, com o título para 2032 alcançando a marca de 13,79%. 

As taxas dos títulos do Tesouro Direto subiram de forma generalizada devido a uma combinação de incertezas no Brasil, mas, principalmente, devido a uma forte pressão vinda do cenário internacional.  

Nos Estados Unidos, os juros dos títulos públicos (Treasurys) de 10 anos — que são referência global para a dívida de países — subiram para a faixa de 4,28% nesta terça-feira, atraindo o dinheiro de grandes investidores. Já os papéis de 20 e 30 anos ofereciam retornos de 4,87% e 4,92%, respectivamente. 

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Ao mesmo tempo, a renda fixa no Japão sofre com crise diante da venda em massa de títulos após incertezas sobre o orçamento do governo e a possibilidade de antecipação de eleições pela primeira-ministra Sanae Takaichi. As taxas dos títulos japoneses também dispararam. 

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Com isso, a forte elevação dos rendimentos dos Treasurys e a venda massiva de títulos japoneses contaminou os mercados internacionais de dívida — repercutindo também no Tesouro Direto brasileiro.  

Riscos que aumentaram as taxas  

A disparada nas taxas das Treasurys é resultado do clima de "guerra comercial" que voltou ao radar dos grandes investidores.  

O presidente norte-americano Donald Trump fez novas ameaças tarifárias contra a União Europeia. Mais recentemente, ele ameaçou taxar bebidas francesas em 200% para retaliar Emmanuel Macron, presidente da França, que teria questionado o interesse de Trump sobre a Groenlândia.  

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Macron também entrou em conflito direto com o norte-americano ao descartar integrar o Conselho de Paz criado por Trump para abordar a situação de Gaza e outros conflitos internacionais.  

Essa instabilidade global gera medo nos investidores, que buscam proteção em investimentos mais seguros e fazem com que as taxas das dívidas públicas subam em diversos países, inclusive no Brasil. 

Quando o risco percebido pelos investidores aumenta, eles passam a exigir uma remuneração maior para emprestar dinheiro ao governo. O que nos leva ao aumento das taxas oferecidas no Tesouro Direto. 

As oportunidades no Tesouro Direto  

Para quem tem dinheiro para investir hoje, as taxas atuais estão muito vantajosas, principalmente para carregar para o longo prazo.  

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Confira os destaques do Tesouro Direto na primeira atualização desta terça-feira, às 9h23 (horário de Brasília): 

  • Tesouro Prefixado 2028: 13,12% ao ano. 
  • Tesouro Prefixado 2032: 13,79% ao ano. 
  • Tesouro IPCA+ 2029: IPCA + 8,00% ao ano. 
  • Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2035: IPCA + 7,76% ao ano. 

Esses valores representam uma excelente oportunidade para o investidor que foca no "carrego", ou seja, segura o título até a data de vencimento.  

Ao fazer isso, o investidor garante exatamente a rentabilidade que contratou no momento da compra, independentemente das mudanças no preço do título pelo meio do caminho. É uma forma de "travar" a rentabilidade alta para os próximos anos. 

No entanto, para quem já possui esses títulos na carteira, é importante ter sangue frio e paciência.  

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Quando as taxas de juros do mercado sobem, o preço de mercado dos títulos cai — é a marcação a mercado. Isso significa que, se você precisar vender seu título hoje, antes do prazo de vencimento, poderá receber menos do que pagou.  

Por isso, o momento é favorável para novos aportes, mas exige paciência de quem já está posicionado, para não sair no prejuízo.  

Leilão do Tesouro e o que esperar 

O Tesouro Nacional realiza seu leilão semanal de títulos públicos nesta terça-feira.  

O mercado espera que o governo reduza a quantidade de títulos atrelados à inflação (Tesouro IPCA+) colocados à venda devido às altas taxas do dia. Isso acontece porque, para o governo, não é interessante pegar dinheiro emprestado pagando juros tão altos. 

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Após o leilão, as taxas do Tesouro Direto devem se mover um pouco, diante da rentabilidade cobrada pelo mercado para comprar esses títulos hoje.  

Também está no radar dos agentes financeiros a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) na próxima semana. A expectativa é de manutenção dos juros em 15% ao ano agora em janeiro, mas com alguma sinalização em relação ao início dos cortes.  

Caso se confirme, a pressão sobre os juros futuros — e a rentabilidade dos títulos públicos — deve arrefecer. Para o investidor, isso significa que a janela de oportunidade das altas taxas pode não durar muito.  

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