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RENDA FIXA

Como garantir retorno de 1% ao mês antes do corte da Selic? Veja simulações de taxas e títulos de renda fixa

O Copom ainda não cortou a taxa de juros, mas isso deve acontecer em breve — e o mercado já se move para ajustar os retornos para baixo

Como travar 1% de retorno ao mês com a renda fixa (CDB, Tesouro Direto, LCA e mais) - Imagem: Montagem Seu Dinheiro

Não foi dessa vez que o Comitê de Política Monetária (Copom) cortou a taxa básica de juros. A decisão de ontem (10) manteve a taxa Selic em 15% ao ano, e o comunicado não deu sinais sobre um primeiro corte em breve.  

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Mas mesmo sem um recado claro do Copom, os agentes financeiros mantém suas apostas de primeiro ajuste em janeiro ou março de 2026. A sinalização também serve para os investidores. O início dos cortes da taxa Selic significa retornos menores nos títulos de renda fixa.  

“O mercado sempre busca se antecipar aos movimentos macroeconômicos. Por isso que em alguns investimentos a janela do 1% ao mês já está se fechando, antes mesmo de o ajuste na Selic acontecer”, diz o planejador financeiro Caio Mitsuo. 

Ao longo de novembro, esse movimento de antecipação já se fez sentir. Em prazos intermediários e longos da curva de juros — que reúne as expectativas de taxas futuras e orienta os retornos dos títulos de renda fixa —, os ajustes diminuíram em mais de 20 pontos-base as projeções para a Selic no futuro, segundo relatório do Itaú. 

A questão é: ainda dá tempo de travar o retorno de 1% ao mês na renda fixa?  

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1% ao mês na renda fixa 

Os prêmios dos títulos prefixados (de taxa fixa) e IPCA+ (com correção da inflação mais taxa fixa) encontrados nas plataformas de investimentos já pagam menos hoje do que pagavam há alguns meses.  

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Em setembro, por exemplo, os títulos prefixados de um ano estavam oferecendo taxas de 14,30% ao ano. Ao final de novembro, o retorno nesse prazo estava em 13,66% ao ano.  

Os papéis indexados ao IPCA tiveram o mesmo comportamento: a taxa real de cinco anos fechou de 7,85% para 7,61% ao ano ao final de outubro.  

A boa notícia é que, para travar 1% de retorno líquido ao mês com títulos de renda fixa, a taxa prefixada limite é de 12,7% ao ano. Com base nessa estimativa, é possível espelhar esse retorno para os títulos pós-fixados e indexados ao IPCA.  

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Pós-fixados 

Os pós-fixados acompanham a taxa Selic corrente. Ou seja, enquanto a Selic estiver acima de 12,7% ao ano, o retorno de 1% ao mês está garantido — desde que a remuneração seja de, no mínimo, 100% do CDI.  

“Se considerarmos o que o mercado está operando hoje na curva de juros, estaremos acima desse patamar de 12,7% até 2027, o que para mim não parece algo viável”, diz Mitsuo.  

Já o relatório Focus, que compila semanalmente as projeções do mercado para os principais indicadores, prevê os juros em 12% já no final de 2026. Um prazo bem mais curto, que pressiona o retorno dos pós-fixados.  

Indexados à inflação 

No caso da renda fixa indexada ao IPCA, como os títulos pagam a correção da inflação mais uma taxa adicional, é preciso somar a taxa à estimativa do índice de preços para chegar a um retorno anual.  

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Para 2026, por exemplo, o relatório Focus estima 4,2% de IPCA. Isso significa que, para chegar a um retorno de 12,7% ao ano, a taxa adicional (chamada de juro real) tem que ser de pelo menos 8,5%.  

No entanto, a recomendação para os títulos indexados à inflação é levar para o longo prazo — acima de cinco anos de investimento. Esses títulos têm como objetivo acumular a correção da inflação para manter o poder de compra do dinheiro. Quanto maior o tempo de alocação, mais vantajoso o investimento.  

Prazos curtos, de um a quatro anos, são mais bem atendidos por pós-fixados e prefixados, segundo os analistas.  

Isso não significa que a renda fixa IPCA+ deve ser descartada na estratégia de travar retornos de 1% ao mês. O juro real acima de 7% ao ano é uma rentabilidade historicamente muito alta e deve ser aproveitada para o longo prazo. 

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Possibilidades do Tesouro Direto 

Quando se fala em travar o retorno de 1% ao mês, isso significa investir em títulos de renda fixa com a rentabilidade adequada e levar esses papéis até o vencimento. Dependendo do prazo, é possível manter essa rentabilidade por um tempo considerável, depois de os juros perderem esse patamar de remuneração.  

Para os analistas consultados pelo Seu Dinheiro, a forma mais simples de fazer isso é por meio de títulos prefixados.  

Os prefixados têm uma taxa fixa que indica logo no momento da compra qual o retorno anual daquele investimento. Essa remuneração não depende da taxa Selic nem da inflação para entregar o que está previsto ali.  

O Tesouro Prefixado 2028, por exemplo, no dia 9 de dezembro oferecia uma remuneração de 13,10% ao ano, até o vencimento em 1º de janeiro de 2028. Essa taxa significa uma remuneração de mensal de 1,0917%, sem considerar o imposto de renda e taxas adicionais, por dois anos.  

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Nesse mesmo período, se o comportamento da Selic seguir o relatório Focus, o juro estará em 10,5% ao ano, o que significa que o Tesouro Selic 2028 pagará 10,50% ao ano — o equivalente à remuneração mensal de 0,875%, sem considerar imposto de renda e taxas adicionais.  

No caso do Tesouro IPCA+ 2029 — título com a data mais próxima disponível na plataforma do Tesouro Direto —, considerando uma inflação média de 4% para os três anos de investimento até o vencimento em 15 de maio de 2029, a rentabilidade anual estimada é de 12,26%. Isso significa uma remuneração mensal de 1,022%, sem considerar impostos e taxas.  

Entretanto, no caso do Tesouro IPCA+, a variável da inflação é sempre uma incógnita. Assim como no Tesouro Selic o valor dos juros é variável, no Tesouro IPCA+ a inflação é variável. A estimativa foi de 4% ao ano, mas pode ser 5% ou 3% — não tem como antecipar. Por isso, os analistas apontam os prefixados como a forma mais “fácil” de travar 1% de retorno ao mês.  

No entanto, os prefixados têm riscos.  

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“Prefixados são sensíveis à taxa de juros, para o bem e para o mal. Quando os juros estão em queda, os títulos com taxas mais altas tendem a se valorizar. Mas, no caso de os juros subirem, eles tendem a ficar abaixo do CDI e perder valor no preço”, diz Bruno Perri, estrategista e sócio da Fórum Investimentos.  

CDBs, LCIs, LCAs, debêntures e mais  

Todas as premissas aplicadas aos títulos públicos servem para os títulos privados: de emissão bancária (CDBs, LCIs e LCAs) e dívida de empresas (debêntures, CRIs e CRAs). A análise de pós-fixados, prefixados e indexados à inflação também se aplica a esses títulos de renda fixa.  

A diferença entre eles e os títulos públicos é a garantia. Enquanto os títulos do Tesouro Direto têm a garantia da União, por serem títulos públicos, essas outras formas de renda fixa dependem do seu emissor (bancos ou empresas).  

Recentemente, o caso do Banco Master deixou claro o que remunerações muito acima da média significam no mundo dos investimentos: cilada.  

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Para Perri, títulos públicos e de emissão bancária — cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) — são bons para perfis conservadores, com análise dos emissores e dentro dos limites de cobertura. 

Já dívida de empresas só deve ser considerada por perfis moderados a arrojados, por representarem um risco maior, principalmente se o investimento for direto no título, não via fundos de investimento.  

“Vale investir em crédito privado e títulos bancários, desde que nos melhores ratings e nomes que já estamos acostumados, mesmo que não sejam as opções que mais remuneram”, diz Mitsuo. 

1% ao mês com e sem imposto de renda  

Uma última consideração — mas não menos importante — sobre o 1% de retorno ao mês na renda fixa é o imposto de renda (IR).  

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Títulos do Tesouro Direto e CDBs, por exemplo, têm incidência de IR sobre suas rentabilidades. Já LCIs, LCAs, CRIs e CRAs são isentos de IR.  

Se o 1% ao mês que o investidor está buscando é líquido, já descontado o IR, a taxa limite muda bastante. De 12,7% ao ano para 13,8% ao ano — uma rentabilidade que está mais difícil de encontrar.  

No caso do Tesouro Prefixado 2028, que usamos de exemplo anteriormente, considerando a cobrança de IR, sua rentabilidade mensal cai para 0,919% (11,03% ao ano).  

Quando se olha para um prazo mais alongado, o Tesouro Prefixado 2032, com taxa de 13,66% ao ano, a rentabilidade mensal, descontado o imposto, sobe para 0,9925% (11,91% ao ano). 

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No entanto, o prazo de seis anos é considerado muito alongado para um prefixado — o risco de uma mudança de política monetária que eleve os juros num futuro tão longo aumenta.  

Nesses casos, para prolongar o investimento, o recomendado é olhar para títulos indexados à inflação. O Tesouro IPCA + 2035, com juro real de 7,42% ao ano — e uma inflação média estimada de 5% ao ano —, entrega uma rentabilidade mensal de 0,945% (11,35%) por dez anos.  

  • Vale destacar, entretanto, que os investimentos atrelados à inflação são voláteis e sofrem oscilações de preços diariamente. Para quem consegue segurar até o vencimento, entretanto, a remuneração é garantida.  

A janela para essas remunerações maiores, por prazos mais longos está se fechando — principalmente se o objetivo for 1% ao mês líquido de IR.  

Recomendações de renda fixa  

Em dezembro, a carteira recomendada de renda fixa compilada pelo Seu Dinheiro apresentou uma série de títulos que se enquadram no 1% ao mês — com ou sem o desconto do imposto de renda.  

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Veja algumas opções abaixo, e confira a carteira completa aqui.  

Título  Data de vencimento Retorno anual  Isento de IR Rating local 
Tesouro Selic 2028 01/03/2028 Selic (15%) + 0,05%  Não  Título público 
CDB Agibank 26/11/2027 IPCA + 8,55% Não  AA- 
CDB Banco Paraná 26/11/2027 14,05% Não  AA- 
LCA Sicoob  31/10/2030 92% CDI (13,8%) Sim  AAA 
Tesouro IPCA+ 2029 15/05/2029 IPCA + 7,94% Não  Título público 
Tesouro IPCA+ 2032 15/08/2032 IPCA + 7,57% Não  Título público   
CRA Minerva (CRA021000RY)  15/04/2031 IPCA + 8% Sim  AAA 
Debênture PRIO (PEJA22)   15/02/2034 IPCA + 6,7% Sim AA+ 
Fonte: XP Investimentos, Itaú BBA e BTG Pactual.  

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