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ONDE INVESTIR NO 2º SEMESTRE

A Selic vai cair? Ex-diretor do BC e ex-secretário do Tesouro veem cenários diferentes, mas fazem o mesmo alerta para o Brasil

Para Bruno Serra, da Itaú Asset, e Mansueto Almeida, do BTG Pactual, próximo governo será posto à prova com risco fiscal

A Selic vai seguir em queda ou o ciclo de corte de juros no Brasil chegou ao fim? A resposta, que deve definir o rumo dos ativos brasileiros, esteve no centro da discussão do painel de cenário macroeconômico no Onde Investir no segundo semestre, evento do Seu Dinheiro.

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De um lado, Bruno Serra, gestor da família de fundos Janeiro da Itaú Asset e ex-diretor de política monetária do Banco Central, apresentou uma visão mais benigna para a inflação e para os juros no Brasil.

Do outro, Mansueto Almeida, economista-chefe do BTG Pactual e ex-secretário do Tesouro Nacional, defendeu um cenário mais cauteloso, com a Selic estacionada até o fim do ano.

Esta reportagem faz parte da série sobre Onde Investir no 2º semestre de 2026:

  • Macroeconomia (você está aqui)
  • Ações (03/07)
  • Fundos imobiliários (03/07)
  • Renda fixa (06/07)
  • Investimentos no exterior (07/07)
  • Criptomoedas (08/07)

A divergência aparece justamente no ponto que mais interessa aos investidores: o que o Banco Central fará nas próximas reuniões.

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Enquanto Mansueto vê a Selic encerrando 2026 no patamar atual, de 14,25%, Serra acredita que a autoridade monetária ainda terá espaço para voltar a cortar juros.

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Em um cenário possível traçado pelo gestor, o BC poderia reduzir a taxa em 0,25 ponto percentual (pp) nas próximas quatro reuniões, levando a Selic para 13,25% ao fim do ano.

“Está difícil saber a trajetória de curto prazo, mas certamente é bem mais otimista do que o consenso e do que está precificado na curva hoje”, afirmou Bruno Serra.

A guerra mexeu com tudo, mas o petróleo já devolveu boa parte do choque

O pano de fundo da conversa foi a mudança brusca do cenário global ao longo do primeiro semestre.

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No início do ano, o mercado ainda discutia o tamanho do ciclo de cortes de juros no Brasil e nos Estados Unidos, mas a guerra no Oriente Médio mudou esse roteiro.

Bruno Serra lembrou que o petróleo chegou a subir entre 50% e 60% no auge da tensão, chegando a beirar os US$ 120 o barril, e agora está na casa dos US$ 70, ou seja, entre 5% e 7% acima do nível anterior ao conflito.

Para o gestor da Itaú Asset, a leitura do mercado é que o fluxo marítimo voltou a ser suficiente para manter os preços do petróleo mais baixos,

Ainda assim, o novo foco de atenção está nos Estados Unidos. O Federal Reserve (Fed), sob o comando do novo presidente, Kevin Warsh, adotou um tom mais duro na última reunião e deixou aberta a possibilidade para o aumento de juros ainda neste ano.

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Serra, porém, não acredita que o Fed vá necessariamente entregar esse aperto monetário — o cenário-base da Itaú Asset é que o banco central dos EUA não suba os juros em 2026.

Inflação: BTG projeta 5,3%; Itaú Asset prevê 4,6%

A principal divergência entre os convidados foi nas projeções de inflação.

O economista-chefe do BTG estima o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 5,3% em 2026 e de 4,5% em 2027, ainda acima da meta do BC. O cenário não inclui impactos fortes do El Niño nem da possível PEC do fim da escala 6x1.

Segundo ele, a mudança na jornada pode acelerar a inflação entre 0,2 e 0,3 ponto percentual, podendo chegar a 1 ponto, dependendo da transição.

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Para Mansueto Almeida, o maior risco está nas expectativas para 2028, que já se afastaram da meta. “Quando a expectativa de inflação lá na frente começa a andar, isso atrapalha o curso política monetária”, disse.

Bruno Serra projeta inflação menor. A Itaú Asset estima IPCA de 4,6% em 2026, já considerando o El Niño, mas sem incluir a escala 6x1.

Selic: juros parados versus nova janela de cortes

Com inflação mais alta no radar, Manuseto Almeida defende uma postura mais conservadora do Banco Central.

“A nossa trajetória, dado o nosso cenário de inflação de 5,3%, é de juros constantes em 14,25%. Não esperamos mais cortes até o final do ano”, disse o economista-chefe do BTG.

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Segundo ele, o cenário só mudaria se os próximos dados trouxessem surpresas consistentes de inflação abaixo do esperado, especialmente em serviços.

Bruno Serra espera uma outra dinâmica. Para o gestor, a reversão do petróleo, a desaceleração da atividade e a possibilidade de um câmbio mais comportado podem abrir espaço para o Banco Central voltar a cortar a taxa básica.

Ele afirmou que vê a Selic encerrando o ano entre 13% e 14%: “mais próxima dos 13%”. Em um desenho possível, o BC poderia fazer quatro cortes de 0,25 ponto percentual nas próximas reuniões, levando os juros para 13,25%.

Eleições devem mexer com os mercados, mas o fiscal será o verdadeiro teste

O segundo semestre de 2026 também será marcado pelas eleições presidenciais.

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Para Bruno Serra, a disputa segue aberta, mas o mercado não deve olhar apenas para o resultado eleitoral. Segundo ele, o que importa é a agenda depois da eleição, especialmente no campo fiscal.

Mansueto Almeida foi ainda mais direto ao tratar da agenda do próximo governo. Para ele, a prioridade número um do vencedor das eleições precisa ser desacelerar o gasto público.

O economista ressaltou que, entre 2023 e 2026, o gasto público federal deve acumular crescimento real de cerca de 21%. “Isso é inflacionário em qualquer país do mundo”, afirmou.

A dívida pública, por sua vez, deve encerrar este ano em 81% do Produto Interno Bruto (PIB). Para 2027, a projeção do BTG é de algo perto de 85% do PIB, independentemente de quem vença a eleição. “Isso não é sustentável”, afirmou.

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Onde investir no segundo semestre?

Ao fim do painel, a pergunta central do evento voltou à mesa: afinal, onde investir no segundo semestre?

A principal convicção de Bruno Serra está nos juros nominais, especialmente em um horizonte de três a quatro anos. Ele afirmou que a Itaú Asset gosta de posições prefixadas, como forma de travar taxas elevadas por um período mais longo.

A tese, segundo o gestor, parte da combinação entre inflação mais baixa à frente, desaceleração da atividade e espaço para queda da Selic.

Assista ao painel completo:

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