As 5 ações para investir no segundo semestre — e por que o Ibovespa pode voltar aos 200 mil
No painel sobre ações do Onde Investir no Segundo Semestre, Rodrigo Santoro, da Bradesco Asset, e Ruy Hungria, da Empiricus, revelam as ações favoritas para o restante de 2026 e explicam por que o Ibovespa ainda pode romper marcas históricas
Quem viu o Ibovespa flertar com os 200 mil pontos há poucos meses pode olhar para a bolsa hoje, de volta aos 170 mil pontos, com certa frustração. No entanto, para o investidor que gosta de ver o copo meio cheio, essa reversão guarda um lado bom: agora está mais barato comprar.
Essa é a visão de Rodrigo Santoro, head de equities da Bradesco Asset, e Ruy Hungria, analista da Empiricus Research, durante o painel sobre ações no Onde Investir no Segundo Semestre, evento promovido pelo Seu Dinheiro.
Com a queda do índice, a dupla selecionou cinco ações nas quais vale a pena investir no segundo semestre, mesmo levando em conta a provável turbulência causada pelas eleições presidenciais, juros ainda em patamares elevadíssimos e a guerra no Oriente Médio que, apesar das negociações de um cessar-fogo, ainda não foi resolvida.
As recomendações dos especialistas mostram que os investidores devem ter Itaú (ITUB4), Equatorial (EQTL3), Localiza (RENT3), Direcional (DIRR3) e Axia Energia (AXIA3) na carteira
A dupla explica por que comprar cada um desses papéis e qual é cenário para a bolsa na reta final do ano. Alerta de spoiler: a expectativa é que o Ibovespa volte a se aproximar dos 200 mil pontos nos próximos meses.
Esta reportagem faz parte da série sobre Onde Investir no 2º semestre de 2026:
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Por que investir nestas 5 ações no segundo semestre?
Entre as recomendações de Hungria, o Itaú aparece como uma das empresas mais bem posicionadas para atravessar um cenário de juros elevados por mais tempo do que o esperado no início do ano.
Segundo o analista, com a disparada pela qual o Ibovespa passou, o banco chegou a negociar em níveis que já exigiam mais cautela do investidor. No entanto, a correção recente devolveu atratividade ao papel.
Na visão de Hungria, o Itaú reúne praticamente tudo o que o mercado procura em momentos de maior incerteza: crescimento consistente dos lucros, forte geração de caixa, elevada rentabilidade e distribuição recorrente de dividendos.
Por isso, mesmo que a economia continue enfrentando dificuldades, a expectativa é que o banco siga entregando resultados robustos e remunerando os acionistas.
"Quando o fluxo estrangeiro estava ajudando, o valuation ficou um pouco esticado. Passados dois meses, ele voltou para níveis muito atrativos. É uma empresa resiliente, paga dividendos, e os resultados continuam crescendo”, disse o analista durante o Onde Investir no Segundo Semestre, evento do Seu Dinheiro.
Equatorial (EQTL3): o potencial inexplorado
Entre as utilities, uma das grandes apostas de Santoro é a Equatorial. Segundo o gestor da Bradesco Asset, além de negociar a um retorno considerado elevado em relação ao histórico da companhia, o mercado ainda não incorpora completamente o potencial de criação de valor dos novos investimentos.
“Hoje ela entrega uma taxa interna de retorno bastante elevada, e essa conta ainda não considera todas as opcionalidades da companhia, seja via Sabesp, Copasa ou novos projetos. O histórico da Equatorial mostra que ela consegue criar muito valor para o acionista”, diz o gestor.
Localiza (RENT3): pronta para se beneficiar quando os juros começarem a cair
A Localiza aparece como uma das apostas mais ligadas a um eventual alívio na Selic, atualmente em 14,25% ao ano.
De acordo com Santoro, a companhia passou por um período difícil nos últimos anos, principalmente por causa das distorções no mercado de veículos usados, mas conseguiu reorganizar a operação e voltar a ampliar suas margens.
Além disso, a empresa também vem sendo favorecida pela dificuldade financeira enfrentada por concorrentes menores, que hoje têm muito mais dificuldade para acessar crédito e financiar crescimento. Esse ambiente tornou o setor mais racional e fortaleceu a posição competitiva da líder de mercado.
“A companhia conseguiu recolocar a operação nos trilhos, tanto pela melhora do mercado de carros usados quanto pelo repasse de preços. Como vários concorrentes não têm a mesma estrutura de capital, o mercado ficou muito mais racional”, disse o gestor da Bradesco Asset durante o evento.
Direcional (DIRR3): sempre firme e forte
Na visão da Empiricus, a Direcional é uma forma de investir no setor imobiliário reduzindo parte do risco associado às eleições de 2026. Isso porque a empresa concentra sua atuação no segmento de habitação popular, beneficiado pelo programa Minha Casa Minha Vida.
Segundo Hungria, trata-se de uma política pública que atravessou governos de diferentes orientações políticas e tende a continuar existindo independentemente do resultado da disputa presidencial.
Essa previsibilidade ajuda a sustentar a demanda pelos empreendimentos da Direcional e reduz a sensibilidade da empresa ao ciclo econômico.
"É um segmento subsidiado que já atravessou governos de esquerda e de direita. A gente entende que a Direcional consegue passar bem por qualquer cenário eleitoral e ainda continuar entregando bons resultados”, diz o analista.
Axia Energia (AXIA3): eficiência e dividendos no radar
Outra recomendação da Empiricus foi a Axia Energia. Segundo Hungria, a companhia ainda tem espaço para ampliar eficiência operacional, reduzir custos e melhorar seus resultados ao longo dos próximos anos.
Na avaliação do analista, esse processo deve abrir espaço para uma distribuição maior de dividendos, especialmente a partir do próximo ano, tornando a empresa uma alternativa interessante para investidores que procuram combinar geração de caixa com potencial de valorização das ações.
“É uma empresa que vem mostrando evolução importante nos resultados, reduzindo despesas, ganhando eficiência e ainda tem bastante espaço para capturar valor. Além disso, deve começar a pagar dividendos mais robustos nos próximos anos”, afirmou.
O cenário para o Ibovespa no segundo semestre
Apesar de terem uma visão mais otimista para a renda variável no longo prazo, Hungria e Santoro esperam que o restante do ano seja marcado por oscilações intensas no Ibovespa.
A combinação entre a aproximação das eleições presidenciais, as incertezas sobre a trajetória dos juros no Brasil e nos Estados Unidos e os desdobramentos da guerra no Oriente Médio deve manter o mercado sensível a qualquer novidade econômica ou política.
Ainda assim, o gestor da Bradesco Asset acredita que o Ibovespa tem potencial para voltar a se aproximar dos 200 mil pontos até o fim do ano.
Na avaliação de Santoro, a correção recente ampliou a margem de segurança para o investidor, enquanto diversas empresas continuam apresentando fundamentos sólidos e capacidade de crescer mesmo em um ambiente macroeconômico mais desafiador.
"É uma grande caixinha de surpresas, porque temos muitos eventos pela frente que podem aumentar a volatilidade. Mas, se o cenário evoluir dentro do esperado, acreditamos que a bolsa pode voltar a negociar próxima dos 200 mil pontos”, disse o gestor.
Para Santoro, o desempenho recente do Ibovespa também esconde uma realidade importante. Embora o índice tenha acumulado valorização em parte do ano, esse movimento ficou concentrado em poucas empresas de grande peso, como Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3).
Boa parte das ações ficou para trás ou devolveu os ganhos registrados no primeiro semestre, o que reforça a importância de selecionar empresas específicas, em vez de apostar apenas na alta da bolsa como um todo.
No entanto, Hungria pondera que o caminho dificilmente será linear. Segundo o analista, a corrida presidencial ainda não entrou completamente no radar dos investidores e tende a ganhar cada vez mais relevância à medida que o calendário eleitoral avança, aumentando a volatilidade dos ativos brasileiros.
"O mercado já começou a reagir às eleições, mas ainda está muito longe de precificar todos os cenários possíveis. Muita coisa pode acontecer nos próximos meses, seja com novos candidatos, seja com mudanças nas pesquisas”, afirmou.
Na visão dos dois especialistas, esse cenário reforça a importância de priorizar companhias com balanços sólidos, geração consistente de caixa e liderança em seus setores.
E a Selic?
Esse é um dos principais motivos para a cautela dos gestores é o novo cenário para os juros brasileiros. Se, no início do ano, o mercado apostava em um ciclo consistente de cortes da Selic, hoje as expectativas mudaram significativamente diante da resiliência da atividade econômica, das pressões inflacionárias e do aumento das incertezas fiscais.
Na avaliação de Santoro, porém, a curva de juros passou a precificar um cenário excessivamente pessimista, o que ajuda a explicar por que tantas empresas de qualidade voltaram a negociar com desconto na bolsa.
Segundo o head de equities da Bradesco Asset, o problema não está necessariamente no patamar atual da Selic, mas no fato de o mercado embutir juros muito elevados por um horizonte prolongado. Isso acaba comprimindo os múltiplos das ações e elevando o custo de capital das empresas, especialmente das mais endividadas.
Por outro lado, cria uma oportunidade para investidores de longo prazo comprarem negócios sólidos a preços considerados atrativos.
"Quando você compra uma ação hoje, está comprando uma curva de juros que embute taxas muito elevadas para os próximos anos. Na nossa visão, isso não faz muito sentido. Parece muito mais uma oportunidade de entrar na bolsa do que um motivo para ficar de fora", afirmou.
No entanto, isso não significa que qualquer ação barata mereça espaço na carteira. A dupla alerta que boa parte das projeções de lucro do mercado ainda considera uma trajetória de queda dos juros, como era esperado no começo do ano, e pode precisar ser revisada caso a Selic permaneça elevada por mais tempo.
As companhias mais alavancadas seriam as principais afetadas, já que o aumento das despesas financeiras tende a pressionar seus resultados.
O interesse gringo pelo Ibovespa vai voltar?
Enquanto a Selic pesa, um fator que pode dar sustentação ao Ibovespa nos próximos meses é o retorno do investidor estrangeiro.
Segundo Santoro, apesar da perda de força nos últimos meses, os investidores globais continuam subalocados em mercados emergentes, o que abre espaço para uma nova onda de aportes caso o cenário internacional se estabilize.
"Hoje existe uma sobrealocação no mercado norte-americano, principalmente em empresas ligadas à inteligência artificial. Ao mesmo tempo, a exposição aos mercados emergentes continua muito baixa. Existe uma avenida importante para essa diversificação acontecer", afirmou.
Para o gestor, se parte desse capital voltar a buscar países emergentes, a bolsa brasileira pode estar entre as principais beneficiadas.
Assista a todos os painéis do primeiro dia de evento:
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