O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.
Esse espaço é um complemento às notícias do site.
Recurso Exclusivo para
membros SD Select.
Gratuito
O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.
Esse espaço é um complemento às notícias do site.
Você terá acesso DE GRAÇA a:
Alterações em prazos, juros ou conversões para ações podem afetar os títulos de dívida que têm a Raízen como devedora
Depois de muita especulação, eis que a Raízen (RAIZ4) protocolou um pedido de recuperação extrajudicial, nesta quarta-feira (11), para renegociar parte da sua dívida astronômica. O pedido tem como objetivo rever R$ 65,14 bilhões em créditos inadimplidos com instituições financeiras decorrentes da emissão de títulos de renda fixa: debêntures, Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) e bonds (títulos emitidos no exterior).
Há ainda uma parcela de R$ 33,49 bilhões no pacote da recuperação que se refere a dívidas entre empresas do próprio grupo.
Embora uma parte significativa dos títulos da Raízen esteja na carteira de fundos de crédito e bancos, bilhões estão nas mãos de pessoas físicas. Entre 60% e 90% das emissões de CRAs da empresa foram absorvidos por investidores de varejo, segundo dados da plataforma Vitrify.
Um total de R$ 11,4 bilhões captados em CRAs e debêntures continuam com a dívida ativa, sendo aproximadamente R$ 5,7 bilhões em CRAs e R$ 5,7 bilhões em debêntures.
Em fevereiro, a Raízen resgatou antecipadamente CRIs emitidos pelo OXXO, com participação da Raízen S/A. 72% dos títulos estavam nas mãos de pessoas físicas.
Segundo a Vitrify, um total de R$ 600 milhões em dívidas da Raízen estava com vencimento previsto para março de 2026. Com a recuperação extrajudicial em curso, esse vencimento fica travado. O próximo vencimento mais próximo era de R$ 352 milhões, em junho de 2027.
Leia Também
O restante dos valores tem vencimentos previstos para 2028 e 2039.
A recuperação extrajudicial é uma tentativa de acordo amigável com os credores, levada à Justiça apenas para oficialização.
Diferentemente da recuperação judicial, o processo extrajudicial pode ser protocolado com a anuência de uma parte dos credores, não a totalidade. Se a empresa conseguir que mais da metade concorde com o plano, a Justiça pode obrigar a parcela restante a aceitar as mesmas condições — ainda que não tenham concordado inicialmente.
Isso evita que pequenos grupos de credores travem a negociação e garante que todos entrem no plano de recuperação extrajudicial.
Nesta terça-feira (11), a Raízen apresentou uma proposta inicial com a anuência de 47% dos credores.
O objetivo agora é usar o período de suspensão de pagamentos — a Raízen pediu 180 dias, mas depende da concordância do juiz — para convencer o maior percentual possível a aceitar um plano definitivo de renegociação.
A proposta atual é apenas uma versão inicial. A empresa se comprometeu a realizar novas rodadas de negociação nos próximos dias para chegar a um "Plano Atualizado", que será a versão final a ser votada e, se aprovada, homologada pelo juiz.
Embora R$ 98,63 bilhões seja um valor astronômico, a Raízen afirmou que tem intenção de pagar seus credores e possui cerca de R$ 20 bilhões em caixa, segundo o último balanço.
O pedido de recuperação serve para ganhar fôlego e reorganizar os pagamentos que drenariam a companhia nos próximos anos.
Vale acrescentar que esse processo foca estritamente em dívidas com grandes bancos e investidores. Estão de fora fornecedores e funcionários, que continuarão recebendo normalmente.
Bruna Florian, advogada do EFCAN Advogados, explica que o pedido de recuperação extrajudicial da Raízen não diferencia a natureza de emissão da dívida. Debêntures, CRAs e bonds entraram na mesma categoria de "credores quirografários".
Isso significa que todos estão no mesmo barco e sujeitos às mesmas condições de renegociação.
O plano inicial apresentado pela empresa prevê três saídas principais para resolver a dívida:
Ainda não há definição sobre qual dessas medidas será efetivamente utilizada para quitar as dívidas da empresa. No entanto, Florian afirma que o plano inicial deixou claro que são essas as opções disponíveis para a negociação em curso entre a empresa e seus credores.
O investidor pessoa física não toma parte direta na negociação com a Raízen. Essa tarefa cabe ao agente fiduciário dos títulos de renda fixa, que atuam como representantes legais dos investidores nas assembleias.
O BNY Mellon (Bank of New York Mellon) foi arrolado como representante dos titulares de bonds. No caso das debêntures e CRAs, os agentes fiduciários representam os investidores.
Dados da Vitrify apontam a Pentágono e a Planner como principais responsáveis pelos títulos.
Entretanto, isso não significa que o investidor não pode tomar parte nas negociações. O contato com os representantes da Raízen pode ser feito via email (recuperacaoextrajudicial@raizen.com).
A primeira consequência prática é a pausa total nos pagamentos. Durante os próximos 180 dias — se o juiz atender o prazo pedido pela empresa —, a Raízen não pagará juros ou o valor principal das dívidas sujeitas ao plano.
Além disso, a empresa está proibida de distribuir dividendos ou Juros sobre Capital Próprio (JCP) aos seus acionistas enquanto a recuperação estiver em curso, para preservar o dinheiro em caixa.
Muitos investidores, assustados, correm para o mercado secundário (onde investidores compram e vendem títulos entre si antes do vencimento) para se desfazer dos papéis. No entanto, esse é um momento de alto risco: os títulos de dívida da Raízen estão com mais de 50% de desconto.
Vender agora significa aceitar um prejuízo imediato. A recomendação é esperar o desfecho do acordo e ter cautela.
Em recuperações extrajudiciais, os cortes no valor da dívida (chamados de haircut) costumam ser muito menores do que em recuperações judiciais agressivas — em casos recentes, as perdas ficaram em torno de 20%, contra até 80% em processos judiciais comuns.
Esperar o desenrolar da negociação pode resultar em uma solução melhor do que absorver o prejuízo de uma venda antecipada agora.
O primeiro passo é manter a calma e buscar informação oficial. Os especialistas recomendam que o investidor acompanhe atentamente os comunicados enviados pelos agentes fiduciários e demais meios oficiais de comunicação sobre o plano.
Guilherme Bier Barcelos, sócio do RMM Advogados, também destaca que haverá um prazo de 30 dias para a adesão de todos os credores. Neste prazo, caso haja problemas na proposta da Raízen, será possível impugnar o plano.
Além disso, o plano inicial já consta com 11 "cláusulas de cancelamento" que funcionam como gatilhos. Se acionados, invalidam o acordo de renegociação da dívida, fazendo com que o plano perca o efeito e as cobranças voltem às condições originais. Entre os gatilhos estão:
Com R$ 117 bilhões em títulos para vencer, empresas devem vir a mercado para tentar novas emissões, a taxas ainda atraentes para o investidor
Levantamento da Quantum Finance mostra quais emissões ficaram com taxas acima da média do mercado
Depois dos bonds, debêntures da Raízen derretem no mercado secundário, com abertura de até 40 pontos percentuais em taxas
Carteiras recomendadas de bancos destacam o melhor da renda fixa para o mês e também trazem uma pitada de Tesouro Direto; confira
Em alguns casos, o ganho de um título em dólar sobre o equivalente em real pode ultrapassar 3 pontos percentuais
Juros dos títulos em dólar explodem em meio à falta de apoio claro de Cosan e Shell
Banco vê oportunidade de ganho significativo em dólar, investindo em empresas brasileiras e conhecidas
Papéis prefixados e indexados à inflação tem vencimento alongado, enquanto Tesouro Selic só oferece um vencimento
Relatório da XP recomenda a janela estratégica rara nos títulos indexados à inflação e indica os dois títulos preferidos da casa
O novo título público quer concorrer com os ‘cofrinhos’ e ‘caixinhas’ dos bancos digitais, e ser uma opção tão simples quando a poupança
Os recursos serão usados para cobrir gastos relacionados com a implantação e exploração da usina termelétrica movida a gás natural UTE Azulão II, no Amazonas; papéis são voltados a investidores profissionais
Levantamento da Empiricus mostra quais setores lideram oportunidades e como o mercado de debêntures deve se comportar nos próximos meses
Incertezas globais elevam rendimentos dos títulos públicos e abrem nova janela de entrada no Tesouro Direto
Ressarcimento começou a pingar na conta dos investidores, que agora têm o desafio de fazer aplicações melhores e mais seguras
Relatório afirma que a performance do BDIF11 está descolada dos seus pares, mesmo com uma carteira pulverizada e um bom pagamento de dividendos
Os golpistas e fraudadores estão utilizando indevidamente do nome do FGC, bem como tentando interferir no regular processo de pagamento
Apesar da pressão dos juros altos, a maioria das empresas fez ajustes importantes, e o setor segue com apetite por crédito — mas nem todas escaparam ilesas
Banco afirma que o mercado “exagerou na punição” à dívida da companhia e vê retorno atrativo para investidores em meio ao forte desconto
Itaú BBA e XP divergem em suas recomendações de títulos públicos no início deste ano; corretoras e bancos também indicam CRI, CRA, debêntures e CDB
Demora no ressarcimento pelo FGC faz a rentabilidade contratada diluir ao longo do tempo, e o investidor se vê com retorno cada vez menor