Raízen (RAIZ4) tenta parar o relógio de R$ 65 bilhões em dívidas: empresa pede trégua em pedido de recuperação extrajudicial
Joint venture de Cosan e Shell busca 90 dias de suspensão de pagamentos enquanto negocia reestruturação com bancos e investidores

Depois de meses de pressão financeira e negociações nos bastidores, a Raízen (RAIZ4) decidiu pedir trégua. A joint venture formada por Cosan e Shell entrou com um pedido de recuperação extrajudicial para suspender temporariamente o pagamento de cerca de R$ 65 bilhões em dívidas — uma tentativa de ganhar tempo para reorganizar o balanço e avançar nas negociações com credores.
O pedido foi protocolado na noite desta terça-feira (10) no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) e busca estabelecer um período de standstill de 90 dias, durante o qual a companhia interrompe o pagamento de juros e principal das dívidas incluídas na negociação.
Na prática, a empresa quer ganhar três meses de fôlego enquanto tenta consolidar o apoio dos credores ao seu plano de reestruturação financeira.
O período de suspensão começaria a contar já a partir desta quarta-feira (11).
A busca por apoio dos credores
A estratégia da companhia é usar esse intervalo para ampliar o apoio dos credores à proposta de reorganização.
De acordo com informações apresentadas no processo, a empresa já teria conquistado adesão de mais de 40% dos credores envolvidos na negociação.
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Segundo fato relevante publicado nesta quarta-feira, a Raízen teve apoio de mais de 47% dos credores de dívidas financeiras quirografárias, "percentual suficiente para o ajuizamento da recuperação extrajudicial e que demonstra apoio relevante aos esforços para viabilizar a reestruturação das obrigações financeiras do Grupo Raízen", de acordo com a empresa.
Para que a recuperação extrajudicial seja aprovada pela Justiça, a companhia precisa reunir o apoio de mais da metade dos créditos abrangidos pelo plano.
O universo de credores da Raízen é bastante diversificado. Aproximadamente metade da dívida está nas mãos de bancos, enquanto a outra metade pertence a investidores do mercado de capitais, incluindo bondholders, detentores de CRAs e debenturistas.
A partir da data de processamento da recuperação extrajudicial, a empresa terá um prazo de 90 dias para obter o percentual mínimo para a aprovação do seu plano de recuperação extrajudicial, assegurando a vinculação de 100% das dívidas sujeitas aos novos termos e condições de pagamento a serem definidos no plano de reestruturação.
A Raízen afirma que o plano poderá envolver a capitalização do Grupo Raízen pelos acionistas, além da conversão de parte da dívida em ações e da substituição de parte dos créditos por novas dívidas.
Também estão na mesa eventuais reorganizações societárias, destinadas à segregação de parcela dos negócios atualmente conduzidos pelo Grupo Raízen, e vendas de ativos do conglomerado.
A companhia conta com um time de peso para conduzir as negociações. A Raízen é assessorada juridicamente pelos escritórios E. Munhoz, Pinheiro Neto e TWK, além do banco de investimento Rothschild, responsável pelo aconselhamento financeiro.
Vale destacar que o processo tem escopo limitado, apenas financeiro. A recuperação extrajudicial não incluirá as dívidas e obrigações do Grupo Raízen com clientes, fornecedores, revendedores e parceiros de negócios considerados essenciais para a operação e continuidade das atividades da empresa.
Rating rebaixado no mesmo dia
A deterioração da percepção de risco da companhia começou a aparecer nas avaliações de crédito há meses.
Ainda na noite de ontem, a Moody’s anunciou o rebaixamento do rating corporativo da Raízen, que passou de Caa1 para Caa3, com perspectiva negativa.
Na prática, o movimento coloca a classificação da empresa ainda mais fundo no território considerado de alto risco de crédito, refletindo as dificuldades financeiras enfrentadas pela companhia e o avanço das negociações com credores.
A maior recuperação extrajudicial do Brasil atualmente
Com cerca de R$ 65 bilhões em dívidas envolvidas, o pedido da Raízen se torna o maior processo de recuperação extrajudicial em andamento no Brasil neste momento.
O movimento ocorre no mesmo dia em que outra companhia conhecida do varejo brasileiro também recorreu a esse instrumento.
O GPA (PCAR3), controlador da rede Pão de Açúcar, entrou com um pedido semelhante para renegociar aproximadamente R$ 4,5 bilhões em dívidas.
*Com informações do Money Times.
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