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A Golden Goose inaugurou uma loja experimental na Cidade Matarazzo onde clientes podem desenvolver um sneaker à mão, restaurar modelos antigos e acompanhar de perto o trabalho dos artesãos

Os cadarços desalinhados, o couro desgastado e o aspecto de "usado" assinatura da Golden Goose transformaram a marca em item de desejo entre os sneakerhead, como são apelidados os fãs de tênis. Agora, a marca italiana aposta em uma nova estratégia para conquistar seus clientes brasileiros: a personalização artesanal dos calçados.
A etiqueta, que já tem uma loja no Shopping Iguatemi desde 2021, expandiu no país neste mês e inaugurou uma loja experimental dentro do Mata Lab, espaço com uma curadoria afiada de produtos de luxo que vão da moda, arte ao design.

O local fica dentro do luxuoso Cidade Matarazzo, em São Paulo, e oferece uma sapataria completa onde os sneakers podem ser restaurados, customizados e até feitos à mão por mais de R$ 13 mil.
Logo na entrada da Mata Lab, a sapataria da Golden Goose chama a atenção. Nos fundos da loja, a linguagem visual muda completamente. As prateleiras iluminadas por LED dão lugar a um ambiente que remete às antigas sapatarias de bairro.
Centenas de tênis pendem do teto. Atrás de um balcão de madeira, artesãos personalizam os sneakers à vista dos clientes. Uma placa de preços de pegboard vintage e o maquinário exposto completam a cenografia. Em contraste com a arquitetura contemporânea do restante da loja, o espaço parece ter parado no tempo de propósito.
A Golden Goose, aliás, já vem testando esse estilo de loja experimental há um tempo. A marca lançou o primeiro LAB em 2019, dentro de sua flagship na Via Cusani, em Milão, com a proposta de aproximar clientes e artesãos. O conceito estreou nos tênis e, mais tarde, chegou ao prêt-à-porter.
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Entre os serviços oferecidos pela sapataria, o que mais chama a atenção é o programa bespoke(ou "sob medida" em português). Por R$ 13.020, o cliente cria um sneaker inteiramente do zero. Escolhe o tipo de couro, os tecidos, o solado, as cores, os acabamentos e os detalhes finais. Cada etapa acontece ao lado dos dream makers, artesãos da Golden Goose responsáveis por criar as peças.
Também é possível higienizar o calçado por R$ 290, trocar as solas por R$ 1.270 e restaurar a peça por R$ 700. Já os serviços de customização incluem troca de cadarço por R$ 630, troca de estrela (símbolo da marca) por R$ 800, aplicação de cristais por R$ 1.070. Além disso, quem quer deixar o calçado com o aspecto desgastado característico da marca pode procurar pelo serviço de "efeito lived-in" por R$ 690. Os serviços de reparo, inclusive, se estendem a produtos de outras marcas.
Por lá também é possível comprar um calçado da marca, que possui modelos que custam a partir de R$ 3.400, podendo chegar até R$ 8.800 o par.

A loja fica instalada na Cidade Matarazzo, complexo que reúne hotel, gastronomia, moda e que não passa um final de semana vazio desde a inauguração. O espaço funciona como uma plataforma para marcas autorais e criadores ligados aos universos da moda, beleza, design e arte no bairro da Bela Vista.
A abertura da loja, inclusive, acontece em um momento de expansão acelerada da Golden Goose. No fim de 2025, a marca iniciou uma nova fase ao anunciar a entrada do fundo de investimento chinês HSG como acionista majoritário. A operação também trouxe a Temasek, por meio da True Light Capital, para a estrutura societária, enquanto a Permira permaneceu como investidora estratégica minoritária. A aquisição de participação majoritária foi concluída nesta segunda-feira, 29.

Apesar da mudança no controle, o CEO Silvio Campara segue à frente da operação global, agora acompanhado por Marco Bizzarri, que é ex-presidente e CEO da Gucci e um dos executivos mais influentes da indústria do luxo. Ele assume o posto de presidência não executiva do conselho.
Os números ajudam a explicar o interesse dos investidores. Em apenas cinco anos, a receita da Golden Goose saltou de 266 milhões de euros, em 2020, para 734 milhões de euros em 2025, de acordo com um relatório publicado pela própria marca.
O crescimento continuou em 2026. Apenas no primeiro trimestre, a companhia registrou alta de 10% sobre o mesmo período do ano anterior, alcançando 173,2 milhões de euros, impulsionada pelo desempenho consistente nas Américas, Europa e Ásia.
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