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Nem Rosewood, nem Copacabana Palace, ranking da Robb Report elegeu hotel mato-grossense entre os melhores de luxo do mundo por combinar hotelaria de alto padrão e conservação ambiental

O melhor hotel de luxo do mundo em 2026 não fica em Paris, Nova York ou Londres. Está no Nepal, em um vale remoto cercado por montanhas. E, entre as 50 propriedades escolhidas por uma das principais revistas de luxo dos Estados Unidos, há também um representante brasileiro.
Mas já adiantamos: ele não é o famoso Rosewood nem o Copacabana Palace. O escolhido fica, na verdade, em meio à Amazônia mato-grossense, cercado pela floresta e longe dos tradicionais destinos de luxo do país.
O ranking 50 Greatest Luxury Hotels on Earth 2026, divulgado em julho pela Robb Report, colocou o Cristalino Lodge, em Alta Floresta (MT), entre os melhores hotéis de luxo do planeta.
A seleção foi feita por um painel de 24 especialistas em viagens de luxo, os chamados Travel Masters, profissionais que montam roteiros para clientes de alto poder aquisitivo. Em vez de olhar apenas para estrelas, tamanho das suítes ou número de restaurantes, a publicação considera fatores como serviço, experiências, atenção aos detalhes, arquitetura, design e integração com o ambiente.


O primeiro lugar ficou com o Shinta Mani Mustang, no Nepal. Inaugurado em 2023, o hotel tem apenas 29 quartos e foi projetado pelo arquiteto Bill Bensley no vale do rio Kali Gandaki.
A proposta está longe do luxo tradicional de grandes hotéis urbanos. Por lá, a experiência gira em torno da paisagem com cavalos, antigos mosteiros budistas, trilhas de alta altitude e terapias tradicionais tibetanas.
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O segundo lugar foi para o Singita Kwitonda, em Ruanda, que fica na fronteira do Parque Nacional dos Vulcões, uma das regiões onde vivem os raros gorilas-das-montanhas. Já o terceiro ficou com o Hope Lodge, na Escócia, em meio às Terras Altas.
Localizado em Alta Floresta, no norte do Mato Grosso, o hotel Cristalino Lodge fica às margens do rio Cristalino, dentro de uma reserva particular de 11.399 hectares de floresta amazônica. Para efeito de comparação, a área equivale a cerca de seis vezes o arquipélago de Fernando de Noronha, segundo o próprio empreendimento.

Sem piscina de borda infinita, spa cinco estrelas ou incontáveis restaurantes, a propriedade nasceu com uma proposta bem diferente da de um resort convencional. Vitória Da Riva criou o projeto em 1990 com a ideia de unir turismo e conservação da floresta. Dos 700 hectares que deram origem à área, o lodge ocupou apenas dois para construir sua infraestrutura inicial.
Hoje, a experiência inclui trilhas guiadas, observação de aves, passeios de barco, canoagem e caminhadas pela floresta. O hotel também conta com torres de observação da fauna e da flora. A região é especialmente procurada por fotógrafos e observadores de aves, já que o Cristalino é considerado um dos principais destinos do mundo para a prática. Isso significa que o hóspede não está pagando apenas por um quarto, mas para dormir em uma das áreas de floresta mais preservadas da Amazônia.

O restaurante, com cardápio elaborado pelo chef Fábio Vieira, que já trabalhou no Restaurante Hofmann de Barcelona, com uma Estrela Michelin, apresenta pratos típicos da Amazônia, como Tambaqui com mel e tucupi negro e Bacalhau de Pirarucu.
Apesar de figurar em uma lista internacional de hotéis de luxo, o Cristalino não cobra necessariamente os valores encontrados em alguns dos resorts mais exclusivos do mundo.
Com diárias entre R$ 5.100 e R$ 8.200 para um casal, dependendo da acomodação, o pacote inclui hospedagem, refeições, bebidas não alcoólicas, atividades guiadas, equipamentos, passeios pela reserva e transfer entre o aeroporto de Alta Floresta e o hotel.

Além disso, segundo o empreendimento, cada noite de hospedagem contribui para manter sete postos de trabalho no hotel, além de financiar iniciativas da Fundação Cristalino. A instituição desenvolve projetos que unem a conservação da biodiversidade ao desenvolvimento socioeconômico através de atividades educativas e do apoio à pesquisadores.

O lodge utiliza energia fotovoltaica durante o dia, com 189 painéis solares capazes de gerar 115 kWh, além de compostagem de todo o resíduo orgânico. Para reduzir o impacto na floresta, o lodge limita os grupos das trilhas a oito visitantes. A arquitetura segue a mesma lógica. Os bangalôs e as áreas sociais de madeira priorizam a ventilação natural, enquanto o sistema de aquecimento solar fornece água quente.
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