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Sommeliers indicam seis variedades menos conhecidas que produzem vinhos cheios de personalidade

Chardonnay, Sauvignon Blanc, Pinot Grigio ou Moscato – dessas, você com certeza já ouviu falar. Mas, entre as uvas usadas em vinhos brancos, existem por todo o mundo tantas outras variedades além das mais conhecidas, é claro.

É o caso da Fiano, casta autóctone do sul da Itália, ou da Arinto, muito conhecida em Portugal, mas que ainda aparece pouco por aqui. Essas são apenas algumas das indicações que pedimos para amigos sommeliers, que nos contaram suas favoritas quando questionados sobre uvas brancas fora do óbvio.
A seguir, um roteiro por regiões, sabores e rótulos para fugir do convencional na hora de provar a sua próxima taça de vinho branco.

A sommelier Elaine de Oliveira escolhe a Arinto, uva branca portuguesa nascida em Bucelas, na região vitivinícola de Lisboa. Ela gosta de contar que a casta já dava as caras desde 1594, quando mencionada em Henrique VI, do célebre William Shakespeare. Mas o que realmente a conquistou foi outra coisa.
“Ela tem complexidade sem parecer complicada. É porque ela tem uma acidez muito alta, que faz os vinhos de Arinto durarem muito tempo e envelhecerem muito bem”, explica. Para ela, a mineralidade é outro ponto que conta a favor da uva.
Jovem, a Arinto costuma trazer limão-siciliano, laranja e flor branca; com o tempo de garrafa, ganha mel, frutos secos e um toque de amêndoas, com acidez viva e final longo, explica Oliveira. A uva já se espalhou por quase todo Portugal e começa a aparecer em vinhedos brasileiros, mas é em Bucelas, garante a sommelier, que ela ainda mostra sua versão mais autêntica.
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Para conhecer a casta, Elaine recomenda o Página Arinto Óbidos DOC, da Casa Romana Vinie (preço sob consulta), e o Bucellas Arinto DOC, da Caves Velhas (R$ 129, na Famiglia Valduga), elaborado em tanques de inox para preservar o frescor da fruta. “Não poderia deixar de indicar um vinho feito na terra natal dessa uva, ali mesmo em Bucelas”, afirma.
Outra indicação é o Quinta Dona Maria Arinto, do lendário enólogo Júlio Bastos (R$ 285,30, na Vino Veritas), que passa seis meses em barricas de carvalho francês na Quinta do Carmo, propriedade que pertenceu ao Rei D. João V e foi presenteada à amante Dona Maria, no século 18. “Pra mim, é uma das vinícolas mais lindas do mundo, não só de Portugal”, finaliza a sommelier.

Marco Freire, sócio do Empório Matarazzo, indica a Fiano, também conhecida como Fiano di Avellino na região onde ganha mais prestígio. É uma casta nativa do sul da Itália, com origem que remonta à Roma Antiga e que vive, de acordo com ele, um momento de redescoberta na alta gastronomia.
“Gosto da Fiano porque ela desafia o estereótipo de que brancos do sul da Itália são apenas leves e descompromissados. Ela é uma uva de imensa personalidade, que combina uma textura untuosa na boca com uma acidez vibrante”, diz, lembrando também de uma qualidade mais difícil de encontrar entre os brancos: a capacidade da Fiano de evoluir bem em garrafa, desenvolvendo notas terciárias ao longo dos anos.
Para harmonizar, ele recomenda risotos de frutos do mar, espaguete ao vôngole e peixes grelhados com ervas. Se a ideia é uma refeição mais elaborada, carnes brancas com molhos cremosos ou queijos de média cura, como a mozzarella de búfala campana, são as pedidas do sommelier.
Entre as recomendações de Freire está o Monte dei Cocci Fiano IGP (R$ 179, no Empório Matarazzo), da Cantine Girolamo. “Ele expressa o lado mais vibrante e envolvente da uva, com notas intensas de frutas brancas, um toque floral delicado e uma acidez refrescante que convida ao próximo gole.”
O sommelier também indica o Mastroberardino Fiano di Avellino DOCG (R$ 413,38, na Mistral), “um clássico absoluto e histórico da Campânia, focado na mineralidade profunda, notas de avelã tostada e grande potencial de guarda.”

A Grillo nasceu na Sicília, onde durante muito tempo foi associada à produção do Marsala. Nos últimos anos, porém, passou a aparecer cada vez mais em vinhos brancos tranquilos, ajudando a consolidar a reputação da ilha também nesse estilo. E é dessa versatilidade que gosta Diogo Robert, sommelier do restaurante Donna.
“São rótulos leves, equilibrados e versáteis, que agradam em diferentes ocasiões”, conta o profissional.
De acordo com Robert, a variedade costuma originar vinhos de boa acidez, perfil cítrico e mineralidade marcante. A Sicília é a principal referência da Grillo e, para ele, é onde a uva melhor expressa suas características.
Na harmonização, o sommelier recomenda peixes grelhados, como frutos do mar, por exemplo, além de risoto de limão siciliano e outros pratos leves. Entre os rótulos que valem uma chance, ele indica Nicosia Grillo (R$ 113,52, na Venga Vino) e Kheirè Grillo Riserva (preço sob consulta).

Muita gente conhece o Prosecco, mas não são todos que sabem que ele é produzido principalmente com a uva Glera. Para Erica Freitas, sommelier do Grupo Sky Hall, vale olhar além do nome do espumante e prestar atenção na variedade.
“A Glera me agrada pela capacidade de produzir vinhos leves, elegantes e muito versáteis. Ela tem frescor, boa acidez e aromas delicados. Quando bem elaborada, mostra que um espumante ou vinho branco pode ser complexo e gastronômico, com grande facilidade de beber”, afirma.
A Itália é a principal referência da variedade, mas Freitas conta que produtores brasileiros e argentinos também vêm explorando a uva com bons resultados, ainda que em menor escala.
Na mesa, a sommelier recomenda harmonizá-la com ostras, vieiras e outros frutos do mar, além de peixes crus, sashimis, ceviches, burrata, mozzarella de búfala e queijos frescos.
Entre os rótulos que indica, estão o Prosecco di Valdobbiadene Bosco di Gica Brut (R$ 350,65, na Mistral), o Casa Viccas Pet Nat Glera (R$ 140, na Casa Viccas) e o Alfredo Roca Parcelas Originales Glera (R$ 107,90, na Grande Adega).

E nem toda descoberta precisa vir de regiões pouco conhecidas. Às vezes, é só olhar com mais atenção para uma parte da Itália que costuma passar despercebida por nós. Foi lá, em Marche, que nasceu a Bianchello, também chamada de Biancame, a escolha da equipe de sommeliers do Bardega Wine Bar.
“Nossa escolha uva branca que foge do tradicional e tem personalidade é a Bianchello. Gostamos dessa uva por produzir vinhos mais frescos, bem minerais, com boa acidez e mineralidade considerável, além de ser um vinho mais gastronômico e elegante”, explicam os profissionais.
Apesar de pouco conhecida fora da Itália, a Bianchello ocupa um lugar importante na DOC Bianchello del Metauro, onde encontra as condições ideais para mostrar seu potencial.
Segundo a equipe do Bardega, ela combina especialmente bem com frutos do mar, peixes, polvo ao romesco e massas como um linguini mar e terra.
O rótulo recomendado é o Guerriero del Mare (R$ 613, na Vinhos Collection), produzido em Marche. “De colheita tardia e vinhas velhas, é um vinho branco com presença e personalidade, com influência do mar Adriático. Traz notas de pêssego maduro, maçã, leves notas de mel, com acidez refrescante e mineralidade intensa.”

Fernando Moreira, sommelier da Santo Vino, guardou a Vermentino para o fim.
“É uma variedade mediterrânea que vem conquistando espaço entre sommeliers e apreciadores de vinho por oferecer vinhos frescos, gastronômicos e com muita identidade territorial, fugindo dos estilos mais conhecidos, como Chardonnay e Sauvignon Blanc”, diz.
Para ele, a variedade reúne características que nem sempre aparecem juntas em um vinho branco: frescor, intensidade aromática e estrutura suficiente para acompanhar uma refeição inteira.
“Além disso, é uma uva extremamente fiel ao terroir, expressando com clareza as regiões litorâneas onde é cultivada. É um vinho elegante, equilibrado e muito versátil, tanto para o consumo descontraído quanto para harmonizações mais elaboradas”, afirma.
Sardenha, Ligúria e Toscana são as regiões em que mais a variedade se dá bem, mas Moreira conta que a França também produz excelentes Vermentinos, principalmente na Córsega e no sul do país, onde a uva é conhecida como Rolle.
“Ainda temos ótimos exemplares na Austrália, em algumas regiões da Califórnia e, mais recentemente, em áreas de clima mediterrâneo da África do Sul”, completa.
Seus rótulos imperdíveis? Timo Vermentino, da San Marzano (R$ 174, na Mistral), e Guadalmare Vermentino, da Famiglia Castellani (preço sob consulta).
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