Quanto custa o Porsche da Louis Vuitton? Por dentro do carro de luxo que virou objeto de desejo “fashion”
Parceria entre a francesa e empresa de modificação de carros clássicos transformou dois Porsches em peças únicas, com relógios mecânicos, malas sob medida e acabamento artesanal

A Louis Vuitton se juntou à Singer, empresa californiana especializada na restauração e modificação de carros clássicos, para apresentar, nesta quarta-feira, 12, dois Porsche 911 com a assinatura da grife francesa. Os modelos têm como base a geração 964, produzida entre 1989 e 1994, e chegam ao mercado dignas de virar item de colecionador.
A parceria começou, curiosamente, com um objeto de criar um relógio mecânico para o painel de um Porsche personalizado. O projeto, porém, evoluiu até se transformar em dois automóveis completos, cada um acompanhado de uma coleção de acessórios.
"Essa colaboração reuniu duas organizações que compartilhavam a crença de que o verdadeiro luxo é definido pelo artesanato, autenticidade e uma atenção intransigente aos detalhes. Foi um privilégio para todos na Singer confiarem com os notáveis 172 anos de tradição e savoir-faire da Louis Vuitton e incorporar essas técnicas em nosso próprio trabalho", disse em nota Octave Chany, designer principal do projeto na Singer

Dois Porsches, duas propostas
O primeiro modelo, chamado de Classic, é um cupê inspirado no universo esportivo da Porsche. A carroceria combina tons de açafrão e azul-cobalto, cores associadas ao arquivo histórico da Louis Vuitton.
Sob o capô está um motor seis cilindros boxer de 4,0 litros aspirado, associado a um câmbio manual de seis marchas. O carro também recebeu freios de carbono-cerâmica e uma série de componentes desenvolvidos especificamente para o projeto.
O segundo modelo, o Classic Turbo, segue uma direção completamente diferente. Trata-se de um conversível, desenvolvido sob a direção criativa de Nicolas Ghesquière, diretor artístico das coleções femininas da Louis Vuitton.
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A carroceria recebeu uma tonalidade branca inspirada na pedra calcária de Paris, enquanto o interior combina couro e madeira. O motor é um seis cilindros boxer de 3,8 litros biturbo, com diferentes modos de condução.

O relógio que deu origem à parceria
O elemento mais curioso da colaboração está no painel. Os dois carros receberam um relógio mecânico de corda manual, desenvolvido pela divisão de alta relojoaria da Louis Vuitton, La Fabrique des Temps. O mecanismo tem reserva de marcha de oito dias e funciona a 18 mil vibrações por hora.

No Classic, o relógio fica posicionado à direita do painel, cercado por instrumentos inspirados no design dos relógios Tambour da marca. No Classic Turbo, ele ocupa uma posição central no console e ganhou mostrador dourado. E há um detalhe que ajuda a explicar a lógica de exclusividade do projeto: o relógio pode ser retirado do carro e colocado em um suporte para funcionar como um relógio de mesa.

A Louis Vuitton levou a ideia ainda mais longe no Classic Turbo. O carro vem acompanhado de um Tambour Automatic de 40 milímetros, feito em cerâmica e ouro amarelo, equipado com movimento de micro-rotor em ouro rosa. Ou seja, parte do valor não está apenas na engenharia do automóvel. Está também na relojoaria e no trabalho artesanal aplicado aos objetos que acompanham o veículo.

O Porsche vem com um “guarda-roupa”
Como seria de esperar de uma colaboração com a Louis Vuitton, os carros não terminam na garagem. O Classic vem com uma coleção própria, que inclui jaqueta de couro, capacete de fibra de carbono e um conjunto de três malas feitas sob medida. Além disso, a marca também criou um rack para transportar prancha de surfe ou esquis, integrado ao conjunto de bagagem do carro.
No Classic Turbo, a proposta é mais discreta. A coleção inclui um traje de seda, luvas para dirigir e um Coffret Trésor, modelo de estojo criado pela Louis Vuitton no fim do século XIX. O estojo foi redesenhado para acomodar justamente os dois relógios: o modelo de pulso e o relógio mecânico retirado do painel do carro.

Afinal, quanto vale o Porsche da Louis Vuitton?
A Louis Vuitton e a Singer Vehicle Design não divulgaram o preço dos dois Porsche 911 criados em uma colaboração inédita, mas referências do mercado de carros colecionáveis indicam que a conta pode chegar e até superar a casa dos milhões de dólares.
No Brasil, um Porsche 911 modificado pela Singer foi vendido no ano passado por R$ 10 milhões pela GTO Car Specialists. No exterior, exemplares da preparadora também já ultrapassaram a marca de US$ 1 milhão em leilões. Um Singer Classic Turbo, por exemplo, foi vendido pela Bonhams por US$ 1,49 milhão. Outro exemplar, ainda mais personalizado, recebeu estimativa de US$ 1,75 milhão a US$ 2,25 milhões.

A empresa não funciona como uma fabricante convencional. Eles desmontam o automóvel para reconstruí-lo, substituindo componentes, atualizando a mecânica e personalizando praticamente todos os detalhes. O processo pode levar anos e envolve engenharia, materiais especiais e trabalho artesanal. Por isso, o valor final pode superar com folga o preço de um Porsche novo.
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