O segredo da Chanel: como marca se tornou a mais desejada do mundo pelo segundo trimestre seguido
Lyst Index coloca a maison francesa na liderança pelo segundo trimestre consecutivo, seguida por Miu Miu e Dior; entenda o que está por trás do ranking de desejo da moda

A Chanel conseguiu uma façanha rara no mercado de luxo em 2026: virou a marca mais desejada do mundo — e permaneceu no topo. Isso porque, pelo segundo trimestre consecutivo, a maison francesa liderou o The Lyst Index, ranking trimestral que mede quais são as marcas e produtos mais “quentes” da moda.
A análise avalia as grifes em três pilares: desejo, demanda e descoberta, cruzando dados de comportamento e buscas de aproximadamente 160 milhões de usuários.
Na última edição da lista, divulgada em 5 de agosto, a Chanel manteve a liderança, enquanto a Miu Miu subiu duas posições e retomou o segundo lugar, e a Dior se manteve em terceiro.
Veja as 20 marcas mais desejadas da moda no 2T26:
- Chanel
- Miu Miu — subiu 2 posições
- Dior
- Saint Laurent — caiu 2
- Gucci
- Prada — subiu 1
- Ralph Lauren — caiu 1
- Burberry — subiu 1
- Coach — caiu 1
- Massimo Dutti — subiu 8
- Chloé — subiu 3
- The Row — caiu 1
- Versace — caiu 1
- Bottega Veneta — subiu 1
- Celine — subiu 5
- Moncler — caiu 3
- Loewe — caiu 1
- Phoebe Philo — estreia no ranking
- Jacquemus — retorna ao ranking
- Stone Island — caiu 3
Chanel continua no topo
No segundo trimestre, o lançamento das coleções Coco Beach e Métiers d’Art 2026 ajudou a manter a Chanel no radar dos consumidores. Só as buscas pelos óculos de sol da grife cresceram 70% em relação aos três meses anteriores, segundo o levantamento.

Mas o fenômeno vai além do interesse online. Nos seis primeiros meses de 2026, a receita comparável da Chanel teria avançado cerca de 16%, segundo informações obtidas pela Bloomberg e repercutidas pela Reuters.

A divisão de moda, responsável por aproximadamente 60% da receita, teria avançado em ritmo semelhante, enquanto relógios e joias cresceram cerca de 35%. As vendas nos Estados Unidos aumentaram mais de 25%, e houve crescimento também na China e no Oriente Médio.
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O contraste fica mais evidente quando se olha para algumas concorrentes. Na LVMH, dona de Louis Vuitton e Dior, a divisão de moda e artigos de couro recuou 1% organicamente no primeiro semestre, embora tenha voltado a crescer 1% no segundo trimestre. A própria companhia destacou a boa recepção aos primeiros produtos de Jonathan Anderson na Dior, mas o ritmo do grupo ficou bem abaixo do atribuído à Chanel.
Já a Richemont, dona de Cartier e Van Cleef & Arpels, teve um trimestre bem mais forte: as vendas avançaram 20% em taxas de câmbio constantes entre abril e junho, puxadas principalmente pelas joalherias, que cresceram 24%.
A diferença é que, enquanto boa parte desse crescimento veio das joias, a Chanel conseguiu acelerar também justamente na moda, uma categoria que tem apresentado uma recuperação mais irregular dentro do setor. E há um nome que aparece no centro dessa virada.
Matthieu Blazy e a missão de mexer na Chanel sem desmontá-la
Karl Lagerfeld permaneceu à frente da Chanel por 36 anos. Entre 1983 e sua morte, em 2019, transformou elementos como tweed, pérolas, camélias e o duplo C em uma máquina global de desejo.
Virginie Viard assumiu depois dele e permaneceu no comando até 2024. Em dezembro daquele ano, a Chanel anunciou Matthieu Blazy como novo diretor artístico de moda, com responsabilidade pelas coleções de alta-costura, prêt-à-porter e acessórios. Na ocasião, Bruno Pavlovsky, presidente da divisão de moda, destacou justamente a capacidade do estilista de dialogar com a herança da casa sem ficar preso a ela.
Blazy não chegou à Chanel como uma aposta desconhecida. Antes disso, passou por Raf Simons, trabalhou na linha Artisanal e no prêt-à-porter feminino da Maison Margiela, tornou-se designer sênior da Céline e, em 2020, entrou na Bottega Veneta. Um ano depois, assumiu a direção criativa da marca italiana.
Na Bottega, ajudou a consolidar bolsas como a Sardine, reconhecida pela alça metálica em formato de peixe, e a Andiamo, apresentada em 2023. O trabalho reforçou sua capacidade de fazer algo especialmente valioso para uma grande grife: criar novidade sem apagar aquilo que o consumidor já reconhece.
O que Blazy mudou nas araras da Chanel
A primeira coleção de Blazy para a Chanel foi apresentada em 6 de outubro de 2025, durante a Semana de Moda de Paris.
O cenário do Grand Palais parecia anunciar uma ruptura: planetas gigantes tomaram o espaço enquanto o estilista apresentava uma versão mais livre e menos rígida dos códigos históricos da maison.
O clássico tweed continuava lá, mas não da maneira esperada. Blazy mexeu nas proporções, deixou construções mais soltas e trouxe mais movimento para peças tradicionalmente associadas à formalidade da Chanel. A estreia foi recebida como uma reinterpretação dos códigos da casa, em vez de uma tentativa de apagá-los.

Já na coleção de outono/inverno 2026, essa linguagem ganhou ainda mais clareza, com saias de cintura baixa e blazers de ombros marcados.
O tradicional conjunto de saia e casaco também ganhou outras texturas, com materiais como lurex, silicone, gaze e peças de construção mais leve e fluida.
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