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Levantamento mostra como mudou a corrida por residência no exterior e quais destinos estão mais bem posicionados para investidores brasileiros este ano

A fórmula pareceu simples por anos: comprar um imóvel no exterior, conseguir uma autorização de residência e, de quebra, abrir caminho para uma eventual cidadania. Mas o mercado de "golden visas", os passaportes dourados, está mudando e o dinheiro do investidor passou a ter de fazer mais do que comprar uma casa.
É o que mostra o Índice Global de Programas de Residência 2026, divulgado nesta semana elaborado pela Global Citizen Solutions, consultoria especializada em mobilidade e migração por investimento. O levantamento avaliou 48 programas em 46 jurisdições a partir de cinco critérios: qualidade de vida, procedimento, mobilidade, investimento e conformidade e credibilidade.
No topo, aparecem três destinos com propostas bastante diferentes: Suíça, Emirados Árabes Unidos e Portugal. A residência fiscal de montante fixo da Suíça lidera o ranking, com 91,9 pontos. Em seguida vêm o Golden Visa dos Emirados Árabes Unidos, com 91,5, e o Golden Visa de Portugal, com 91,3.

A mudança começou a ganhar força nos últimos anos. Portugal retirou os imóveis das modalidades elegíveis de seu Golden Visa em outubro de 2023. A Espanha encerrou definitivamente seu programa em 2025, enquanto outros países europeus também abandonaram ou restringiram mecanismos de cidadania e residência vinculados ao mercado imobiliário.
Em Portugal, por exemplo, uma das principais alternativas atualmente é o aporte de pelo menos 500 mil euros em fundos de investimento qualificados. As opções precisam obedecer a regras específicas e são reguladas pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).
Na prática, o investidor deixa de simplesmente comprar um ativo imobiliário e passa a direcionar capital para fundos, empresas, pesquisa científica ou criação de empregos.
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“Os programas com melhor pontuação em 2026 são aqueles que conseguem comprovar uma contribuição econômica genuína e resistir ao escrutínio, não apenas aqueles com o menor custo de entrada”, afirma em nota Patricia Casaburi, CEO e fundadora da Global Citizen Solutions.
Segundo Laura Madrid, pesquisadora-chefe da Global Intelligence Unit, os Golden Visas ainda representam a maioria dos programas analisados, mas cresce o número de países que migram para modelos de investimento ativo e vistos destinados a empreendedores.
Suíça e Emirados Árabes Unidos aparecem praticamente empatados no topo do ranking, mas oferecem propostas bastante diferentes. A Suíça ocupa a primeira posição, com 91,9 pontos, e se destaca principalmente pela combinação de qualidade de vida, estabilidade institucional, segurança jurídica e possibilidades de planejamento tributário.

Um dos modelos considerados pelo índice é a residência fiscal de montante fixo (lump-sum tax), destinada a determinados estrangeiros que se estabelecem no país e não exercem atividade profissional em território suíço. Nesse caso, a tributação pode ser calculada com base em critérios específicos, como as despesas do residente, em vez de seguir exclusivamente o modelo tradicional de tributação sobre a renda.
Já os Emirados Árabes Unidos vêm logo atrás, com 91,5 pontos, mas têm uma estratégia de atração de capital mais diretamente ligada ao investimento e à atividade econômica. O país recebeu 99,3 pontos no pilar de investimento, a maior nota entre todas as jurisdições avaliadas, e vem se consolidando como um polo internacional para empresários, investidores e famílias de alta renda.

A mudança na forma de investir não diminuiu o interesse por Portugal. O país aparece em terceiro lugar no ranking global e continua sendo um dos principais destinos para brasileiros que vivem no exterior. Segundo o levantamento mais recente disponível do Ministério das Relações Exteriores, referente a 2023, havia quase de 5 milhões de brasileiros vivendo fora do país. Estados Unidos e Portugal estavam entre as maiores comunidades brasileiras no exterior.
O país europeu combina alguns dos fatores que costumam pesar na decisão de famílias que pretendem se mudar: segurança, infraestrutura, proximidade cultural e facilidade de integração. Mas também há uma diferença importante em relação ao passado.
O Golden Visa português já não é uma porta de entrada para quem simplesmente quer comprar um imóvel em Lisboa, Porto ou no Algarve. Hoje, entre as possibilidades estão fundos de investimento, contribuições para pesquisa científica, projetos culturais e criação de empregos.
Além disso, mudanças recentes nas regras de nacionalidade portuguesa alteraram o horizonte para quem pensa na residência como um caminho para a cidadania. A própria Global Citizen Solutions aponta que as novas regras elevaram o período de residência exigido para a naturalização em determinados casos.

Os Estados Unidos continuam entre os principais destinos procurados por brasileiros, mas seus programas de residência por investimento não aparecem no topo do ranking. Canadá, porém, é melhor colocado do continente americano.
O programa norte-americano EB-5, voltado a investidores que aplicam capital em projetos que atendam aos requisitos de geração de empregos, marcou 83,9 pontos. Já o visto E-2, destinado a investidores de países com tratado de comércio e navegação com os EUA, ficou com 82,6 pontos. Os dois ficaram abaixo dos dez primeiros colocados.
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