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Inaugurada há 16 anos, a Sett aposta em um modelo de atendimento que hoje virou tendência: acompanhamento individualizado, poucos alunos e foco na musculação, em uma das regiões mais disputadas de São Paulo

Bem antes de a Faria Lima virar o centro financeiro paulistano e de as academias premium disputarem clientes com banheiras de gelo, saunas e salas de recuperação muscular, uma academia já apostava em um modelo diferente de atendimento na região.
Inaugurada em 2010, a Sett abriu as portas quando o entorno do Itaim Bibi ainda tinha um perfil predominantemente residencial. Hoje, instalada em um ponto privilegiado, entre a Avenida Faria Lima e a Avenida Juscelino Kubitschek, a academia é endereço favorito de empresários, executivos e moradores do entorno que querem focar na musculação.
A mensalidade gira em torno de R$ 2,5 mil, mas o principal ativo não está na estrutura ou nos serviços de bem-estar. A academia foi uma das pioneiras na proposta de oferecer um treinador para acompanhar cada aluno durante os treinos, sem necessidade de agendamento prévio.
"Cerca de 50 professores circulam diariamente pelo espaço para atender os frequentadores de forma individualizada", conta o fundador Flávio Settanni em entrevista ao Seu Dinheiro. Para manter esse padrão de atendimento, aliás, a Sett limita sua base para cerca de 500 clientes.

Quando a Sett foi inaugurada 16 anos atrás, a paisagem era bastante diferente da atual. "O bairro ainda não tinha tantos prédios comerciais. Era uma região muito mais simples", lembra Settanni.
Na época, o público era formado principalmente por moradores de alto poder aquisitivo do Itaim Bibi. Com a expansão dos escritórios e a consolidação da Faria Lima como principal centro financeiro do país, o perfil dos alunos mudou naturalmente.
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Hoje, boa parte dos frequentadores trabalha nas empresas instaladas na região e encaixa o treino na rotina antes, durante ou depois do expediente. A academia também tem conquistado o público mais jovem, principalmente estudantes das universidades de elite da vizinhança, como Insper e Link School.



Antes de abrir o próprio espaço, Flávio trabalhou durante anos como treinador em grandes redes de academias e construiu autoridade no setor. Foi nesse período que percebeu uma oportunidade pouco explorada:
"Muitos alunos estavam insatisfeitos com o atendimento oferecido pelas academias da época. Então comecei montando uma equipe que fazia acompanhamento individual, tanto em academias de condomínios de luxo quanto dentro das próprias academias onde eles treinavam."
O modelo deu certo. A carteira de clientes cresceu rapidamente e, em pouco tempo, a equipe já não conseguia atender toda a demanda. "Chegou um momento em que percebemos que precisávamos de um espaço próprio."
A academia hoje ocupa mais de mil metros quadrados e aposta em uma estética industrial. O pé-direito alto, as paredes de tijolos aparentes e os equipamentos distribuídos em amplos salões lembram academias tradicionais de Nova York. Bem diferente do visual mais futurista adotado por parte das novas redes premium. No segundo andar, um estúdio completo de pilates complementa a operação. As aulas podem ser agendadas por qualquer aluno.
Segundo Settanni, se a academia fosse construída hoje, o investimento necessário seria entre R$ 6 e 10 milhões, considerando a valorização imobiliária da região e os custos atualizados de implantação.

Hoje é comum encontrar academias oferecendo snacks à vontade, toalhas, garrafinhas, estacionamento com valet e experiências mais exclusivas. Em 2010, porém, esse modelo ainda era raro.
A Sett foi uma das primeiras academias premium de São Paulo a apostar nesse tipo de serviço e também em um formato de atendimento praticamente exclusivo. Diferentemente do modelo tradicional de personal trainer contratado à parte, o acompanhamento com personal já faz parte da experiência oferecida pela academia. A ideia é que o aluno sempre encontre um profissional disponível para orientar o treino, sem precisar reservar horário.
Além disso, no momento da matrícula, que custa R$ 1.300, o aluno pode escolher entre uma avaliação com nutricionista, uma consulta com fisioterapeuta ou um teste genético, que avalia como o estilo de vida, o estresse e o ambiente influenciam a atividade dos seus genes, sem alterar o DNA.

Apesar da demanda crescente, Flávio afirma que a academia não foca completamente em aumentar sua base de clientes. Durante a pandemia, quando o setor de academias foi um dos mais afetados pelas restrições, a Sett passou a oferecer treinos online gratuitamente para manter os alunos ativos. A estratégia ajudou na fidelização e acelerou a retomada quando as atividades presenciais voltaram. "Já tivemos períodos com mais de cem pessoas na fila de espera."
Mesmo assim, a academia prefere manter aproximadamente 500 alunos ativos. Segundo o empresário, o limite existe para preservar o principal diferencial da marca, que é oferecer acompanhamento próximo com um profissional e evitar superlotação.

A chegada de concorrentes de alto padrão, como novas unidades da Bodytech do Shopping Iguatemi e, mais recentemente da Six Itaim, com mensalidades perto dos R$ 4 mil, por exemplo, elevou o nível da competição na região. Em vez de entrar em uma disputa por preços ou ampliar a lista de serviços, a Sett decidiu reforçar sua identidade. "É claro que nos tira da zona de conforto", confessa.
Nos últimos anos, novas redes alto-padrão passaram a incorporar experiências inspiradas em spas, com saunas, banhos de gelo, botas de compressão e espaços dedicados à recuperação muscular. Na avaliação de Flávio, esse movimento faz sentido, mas a prioridade da Sett continua sendo outra. "Costumo dizer que não existe wellness sem fitness."
Por isso, o investimento da academia permanece concentrado na musculação. A ideia é incorporar equipamentos de recuperação ainda este ano, mas como complemento ao treinamento, e não como principal atrativo.
Depois de mais de 16 anos atuando no segmento de academias de alto padrão, Flávio admite que já cogitou expandir o negócio para outras regiões de São Paulo e até para outros estados. A ideia, porém, sempre esbarra na mesma preocupação.
"Às vezes quero abrir outra unidade. Em outras, desisto. Já pensei em expandir para fora de São Paulo, mas não consigo estar em dois lugares ao mesmo tempo. Gosto de acompanhar de perto tudo o que acontece aqui."
Por enquanto, a estratégia continua focada em fortalecer a unidade do Itaim Bibi e preservar o modelo que transformou a Sett em uma referência entre os executivos da Faria Lima, com menos foco em experiências paralelas e mais atenção ao treino.
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