Do sapato de plástico de R$ 3 mil aos jazz shoes, os calçados mais controversos que estão de volta às tendências
Ranking que mede o interesse dos consumidores por marcas e produtos de moda revelou a força dos calçados pouco convencionais neste trimestre

O que está na lista de desejos dos consumidores de moda hoje? O Lyst Index deu algumas pistas. Divulgado na quarta-feira, 5, o ranking reúne os produtos que mais despertaram o interesse dos consumidores no trimestre.
Entre as peças mais comentadas, estão os sapatos Jelly da SKIMS e os mules Jelly da Chloé. Feitos em materiais transparentes, os modelos deixam os pés à mostra e resgatam uma estética que parecia ter ficado no passado. O plástico, velho conhecido de marcas como a brasileira Melissa, ganha espaço novamente na moda. Desta vez, pelas mãos de algumas das maiores grifes internacionais.
Publicado trimestralmente, o Lyst Index funciona como um termômetro do desejo de consumo na moda ao acompanhar os produtos que mais ganharam buscas e atenção no período. Nesta edição, a lista combina itens de luxo, acessórios esportivos e peças de marcas contemporâneas.

A gelatina que virou artigo de luxo
Os chamados jelly shoes, calçados feitos de plástico flexível e geralmente translúcido se destacaram na lista. Embora tenha perdido espaço por alguns anos, o material nunca desapareceu completamente. Ele continuou presente principalmente em calçados infantis e bolsas. Desta vez, o plástico volta à lista de desejo pelas mãos de marcas como Chloé, SKIMS e Jimmy Choo, que apostam na estética translúcida e deixam os pés em evidência.
A SKIMS, marca de moda fundada por Kim Kardashian, entrou na onda em abril de 2025, quando lançou o Jelly Shoe. Leve e pensado para combinar com a estética do streetwear, o modelo é feito de PVC e tem pequenos furos ao redor da sola, que ajudam na ventilação. A peça chegou em tons neutros, como preto, clay e melon, e custa US$ 58 (cerca de R$ 296). Diante do sucesso do modelo, a marca aproveitou para realizar um relançamento em março de 2026.

A Chloé, porém, foi quem levou a tendência mais longe. Na coleção primavera-verão 2026, a diretora criativa Chemena Kamali colocou sandálias mules de aparência gelatinosa na passarela. Entre eles está o Jelly Mule, feito de TPU transparente, que aparece em quinto lugar entre os modelos mais desejados do momento, segundo o levantamento da Lyst. O calçado chega ao mercado por US$ 670 (cerca de R$ 3.419).
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Do estúdio de dança para as ruas
Um calçado que por décadas foi quase um uniforme entre dançarinos de jazz agora ganha as ruas. O movimento surfa no sucesso das sneakerinas, híbridos que misturam a estrutura de um tênis com a delicadeza das sapatilhas de balé e que ajudaram a abrir espaço para modelos mais finos, flexíveis e pouco convencionais.
Um dos nomes mais tradicionais dessa categoria é o Zizi, da francesa Repetto. Criado no início dos anos 1970 para dançarinos que precisavam de um calçado de couro macio e flexível, o modelo logo ultrapassou os limites dos estúdios. A silhueta leve e o couro de bezerro deram ao modelo uma aparência que combinava com o visual mais despojado.


Décadas depois, porém, o jazz shoe volta a despertar o interesse da moda. Um dos principais responsáveis pelo movimento é Michael Rider, que apresentou sua primeira coleção para a Celine no Resort 2026. Entre as novidades, os calçados de perfil baixo e aparência flexível chamaram atenção pela semelhança com os modelos usados por dançarinos.
A tendência, porém, não ficou restrita à Celine. A Bottega Veneta também levou sua própria interpretação do jazz shoe para a coleção de inverno 2026, apresentada na Semana de Moda de Milão no início do ano.
O loafer também está de volta
Outro personagem dessa história é menos controverso. O loafer já é um clássico. A ligação com o estilo universitário americano ajudou a popularizar o modelo, que é menos estruturado do que um mocassim clássico, ao longo do século XX. Depois, em 1953, a Gucci elevou o modelo a símbolo do luxo italiano com a criação do icônico horsebit loafer.
Agora, porém, ele reaparece em versões mais leves, minimalistas e, muitas vezes, sem a aparência tradicional de sapato social. Depois de anos em que os tênis dominaram o guarda-roupa cotidiano, consumidores parecem dispostos a voltar a modelos mais arrumados, desde que eles mantenham alguma sensação de conforto e informalidade.

A italiana Ilio Smeraldo, por exemplo, conhecida por suas interpretações das tradicionais furlane venezianas, exemplifica como a categoria está sendo expandida. Para entrar no mercado masculino, aliás, a marca pretende apresentar novos modelos. Entre eles estão o Saint Germain, um loafer refinado, e o Rivoli, com franjas. A coleção também terá versões mais próximas de sapatilhas, segundo a fundadora Barbara Borghini, em entrevista ao WWD.
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