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Empresa sul-coreana de skincare aposta em um tratamento à base de gordura humana doada para combater “cara de Ozempic”

Medicamentos como Ozempic, Mounjaro e Wegovy estão mudando os hábitos de consumo por todo o mundo. E não se trata apenas de alimentos. O que antes era apenas um remédio usado por pessoas diagnosticadas com diabetes tipo 2, se tornou um fenômeno mundial para o processo de emagrecimento — especialmente para pessoas sem a doença.
E, como tudo na vida, onde há bônus, há ônus.
O uso de medicamentos à base de GLP-1 por pessoas sem diabetes tipo 2 é, majoritariamente, associado à perda de peso por estética. E, o que talvez não fosse esperado por esse grupo, é que um termo começou a ser associado a eles: o "rosto de Ozempic". O fenômeno está relacionado à perda de volume facial após o emagrecimento acelerado provocado pelas chamadas canetas emagrecedoras.
Foi aí que uma empresa sul-coreana encontrou espaço para lançar um produto que pode revolucionar o mercado: um preenchedor facial feito de gordura humana doada.
A responsável pela possível próxima tendência da K-beauty, a indústria de beleza sul-coreana, é a empresa de biotecnologia L&C Bio.
O produto em desenvolvimento é um tratamento injetável produzido a partir de gordura humana doada. O objetivo é restaurar o volume perdido no rosto e em outras regiões do corpo.
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O CEO da companhia, Lee Whan Chul, afirmou em entrevista à Bloomberg que a tecnologia está em desenvolvimento há quase cinco anos.
E eles já estão preparados para os concorrentes: as patentes já estão registradas na Coreia do Sul, nos Estados Unidos e na China.
Os outros produtos da empresa eram desenvolvidos para combater rugas utilizando tecido de pele humana doada.
Apelidado provisoriamente de MegaAdipoECM, o novo tratamento utiliza gordura humana doada para criar uma estrutura biológica que estimula a regeneração das células de gordura do próprio paciente.
De acordo com a empresa, isso ajudaria o paciente a recuperar o volume perdido de forma mais natural. Por isso, o público-alvo do item são as pessoas que "sofrem" com a "cara de Ozempic".
E não para por aí. A L&C Bio também vê potencial para utilizar a tecnologia como alternativa biológica aos implantes de silicone tradicionais.
A tecnologia ganhou viabilidade comercial depois de uma mudança na legislação sul-coreana.
Antes, a gordura humana doada era considerada lixo hospitalar e não podia ser reutilizada. Com a nova regra, empresas passaram a ter autorização para empregar esse material em tratamentos e produtos médicos.
A expectativa é de que o produto chegue às prateleiras em 2027 — e isso não é só uma coincidência.
Segundo o jornal, as estimativas do setor dizem que o mercado global de preenchimentos dérmicos deve ultrapassar os US$ 17 bilhões até 2035.
As projeções indicam que essa alta será impulsionada pela demanda crescente por procedimentos minimamente invasivos e pelo envelhecimento da população.
Em paralelo, a popularização das canetas emagrecedoras deve dar um "empurrãozinho" extra.
Apesar do potencial de mercado, a tecnologia também levanta questionamentos sobre o uso de tecidos humanos doados em procedimentos estéticos.
Críticos alertam para possíveis implicações éticas e para o risco de desviar materiais que poderiam ser destinados a tratamentos médicos.
Já a L&C Bio afirma que os doadores autorizam previamente esse tipo de aplicação e acredita que a inovação pode impulsionar uma nova fase de crescimento da indústria de beleza sul-coreana.
Inclusive, não é a primeira vez que algo do tipo acontece. A indústria coreana de cosméticos também já viralizou produtos feitos à base do filtrado de secreção de lesma, mais conhecido como mucina.
*Sob supervisão de Ricardo Gozzi.
*Com informações da Bloomberg.
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