Única petroleira americana na Venezuela está no país há mais de 100 anos e se prepara para os efeitos da queda de Maduro
Única petroleira americana atua no país há mais de um século e pode sair na frente com a abertura do setor após a queda de Nicolás Maduro

Na madrugada de 3 de janeiro, forças especiais do governo de Donald Trump entraram na Venezuela e capturaram Nicolás Maduro. Além dos impactos geopolíticos, o episódio coloca em xeque a posição da Chevron — única petroleira norte-americana ainda presente no país sul-americano.
Isso porque, já no sábado, o presidente dos Estados Unidos defendeu a entrada de mais empresas americanas para reconstruir o setor de petróleo venezuelano, que vive há décadas em colapso e hoje responde por menos de 1% da produção global.
Para efeito de comparação, na década de 1970 a Venezuela produzia cerca de 3,5 milhões de barris por dia, o equivalente a mais de 7% da produção mundial.
“Vamos fazer com que nossas gigantescas companhias petrolíferas entrem em cena, gastem bilhões de dólares, consertem a infraestrutura petrolífera e comecem a gerar lucro para o país”, afirmou Trump. Segundo ele, a indústria local era “um fracasso total”, bombeando “quase nada em comparação com o que poderia”.
O interesse dos EUA na Venezuela não é por acaso. O país detém a maior reserva de petróleo do mundo, com potencial para extrair mais de 300 bilhões de barris do subsolo.
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Com a possível reabertura do mercado petrolífero venezuelano, novas empresas do setor tendem a entrar no país. Trump afirmou ainda que os EUA têm as “melhores companhias de petróleo do mundo” e que o país estará “fortemente envolvido” na indústria petrolífera venezuelana daqui para frente.
Na prática, isso significa o surgimento de novas concorrentes para a Chevron. Ainda assim, é a petroleira americana quem larga na frente.
Chevron, Venezuela e o ouro negro
O mundo pode estar às vésperas de uma nova corrida do ouro — desta vez, do ouro negro, como o petróleo é conhecido. E a Chevron aparece como uma das principais candidatas a liderar esse movimento.
A companhia desembarcou na Venezuela em 1923 e foi a única grande petroleira americana a permanecer no país após a decisão de Hugo Chávez de nacionalizar o setor, em 2007.
Enquanto empresas como ExxonMobil e ConocoPhillips optaram por deixar o país, a Chevron aceitou manter uma participação minoritária em joint ventures com a PDVSA — estatal nacional de petróleo — para seguir operando no mercado venezuelano.
Atualmente, a Chevron produz entre 200 mil e 250 mil barris por dia na Venezuela, cerca de um quinto da produção total do país. Ainda assim, esse volume representa menos de 10% da produção global da companhia, que supera 3 milhões de barris diários.
Segundo analistas ouvidos pelo New York Times, o plano de Trump pode fazer da Chevron a principal beneficiada desse novo cenário, embora o desfecho dependa de como a transição política e econômica vai se desenrolar nas próximas semanas.
O formato desse período de transição ainda não está claro. Até o momento da publicação desta reportagem, no entanto, o primeiro movimento já havia ocorrido: Delcy Rodríguez, vice de Maduro, foi reconhecida pelas Forças Armadas como presidente interina do país.
Coincidência ou não, Delcy foi a responsável direta pelo último contrato firmado entre a Chevron e o governo venezuelano.
No mercado, a reação foi imediata. As ações da Chevron chegaram a subir cerca de 10% no pré-mercado desta segunda-feira (5).
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