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ALÉM DAS CORDILHEIRAS

Próxima parada, Chile. Presidente José Antonio Kast revela os planos do país vizinho na busca pelo capital estrangeiro

O líder chileno participou do Latam Focus 2026, evento organizado pelo BTG Pactual, que reuniu a nata do mundo político e empresarial em Santiago, e mandou um recado para os investidores

Imagem do presidente do Chile, José Antonio Kast. Ele está de pé, de terno azul marinho, em frente à bandeira do país
José Antonio Kast, presidente do Chile - Imagem: Divulgação/Governo do Chile (gob.cl)

O tabuleiro das finanças globais está sendo reorganizado. Após anos atuando como um imã que atraiu a liquidez mundial, os Estados Unidos começam a ver uma desconcentração de portfólios. O investidor estrangeiro, enfim, deu início a uma diversificação tática em direção aos mercados emergentes

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Nessa dança das cadeiras, a América Latina desponta como o destino da vez. Em um mundo conflagrado, a região oferece o que o capital mais busca: paz geopolítica, previsibilidade e a eficiência de ser o produtor de menor custo de commodities vitais. 

Com ações a preços de "liquidação" comparadas aos pares globais e o receio crescente sobre a hegemonia do dólar, o Chile — ao lado do Brasil — vem se consolidando como peça-chave no radar do gringo. 

Foi com esse pano de fundo que o presidente chileno, José Antonio Kast, subiu ao palco do Latam Focus 2026. No evento organizado pelo BTG Pactual, que reuniu a nata do mundo político e empresarial em Santiago, Kast foi categórico: o Chile tem sede por esse capital, mas a jornada exige maturidade para "separar o sinal do ruído". 

O foco agora, segundo o presidente chileno, não é “o aplauso fácil das redes sociais”, mas a solidez necessária para destravar o investimento e o crescimento em toda a região. 

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Além das redes sociais: o Desafio 90 

Kast foi eleito presidente do Chile em 14 de dezembro de 2025 e assumiu o cargo em 11 de março de 2026, marcando uma guinada conservadora. Agora, o país enfrenta um momento de alta expectativa e transição.  

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Para enfrentar esse cenário, o novo governo lançou mão de um projeto de reconstrução nacional e desenvolvimento econômico e social, enviado ao Congresso após o início do que Kast chamou de "Desafio 90". 

  • O Desafio 90 é um plano de ação de 90 dias, com foco em segurança, economia (redução de impostos) e saúde, mas também inclui questões sanitárias e de imigração.  

"Não estamos falando de um projeto ideológico, estamos falando de como transformar, de como recuperar nossa pátria", afirmou. 

Citando Steve Jobs, Kast pediu que o Chile não deixe o "ruído das opiniões dos outros" abafar a voz interior da nação. 

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O diagnóstico do estancamento 

O tom do discurso foi de confronto com as políticas das últimas décadas, que, segundo Kast, deixaram o Chile estancado em um crescimento de 2% ao ano, com mais de 800 mil desempregados e um déficit habitacional crítico. 

"Temos que distinguir entre os sinais e o ruído", afirmou. 

Neste contexto, o presidente chileno defendeu medidas impopulares, como o aumento dos preços dos combustíveis, argumentando que a alternativa seria o endividamento desenfreado. 

"Temos a convicção de que fazemos as coisas bem, não pelo aplauso fácil, mas pela convicção, e que aos chilenos devemos falar como pessoas adultas. Devemos dizer a verdade." 

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Kast foi enfático ao criticar a reforma tributária realizada há 12 anos, que prometia arrecadação e justiça social, mas que, em sua visão, puniu a classe média e os mais vulneráveis. 

Os pilares para atrair investimentos ao Chile

Para convencer o investidor de que o Chile é um "país que cumpre seus acordos", Kast apresentou um projeto baseado em quatro eixos: 

  • Reconstrução física, com recursos rápidos e normas para repatriação de capital; 
  • Reconstrução econômica, com redução do imposto de 27% para 23% e invariabilidade tributária; 
  • Apoio às pequenas e médias empresas (PMEs) e à construção para gerar emprego pleno; 
  • Reconstrução fiscal, com ajuste estrutural para controlar o gasto e garantir direitos sociais futuros. 

“O Chile pode crescer a 4% ou 5% se trabalharmos em unidade. A tarefa número um é dar emprego, e o resto é música”, afirmou Kast. 

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