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O líder chileno participou do Latam Focus 2026, evento organizado pelo BTG Pactual, que reuniu a nata do mundo político e empresarial em Santiago, e mandou um recado para os investidores

O tabuleiro das finanças globais está sendo reorganizado. Após anos atuando como um imã que atraiu a liquidez mundial, os Estados Unidos começam a ver uma desconcentração de portfólios. O investidor estrangeiro, enfim, deu início a uma diversificação tática em direção aos mercados emergentes.
Nessa dança das cadeiras, a América Latina desponta como o destino da vez. Em um mundo conflagrado, a região oferece o que o capital mais busca: paz geopolítica, previsibilidade e a eficiência de ser o produtor de menor custo de commodities vitais.
Com ações a preços de "liquidação" comparadas aos pares globais e o receio crescente sobre a hegemonia do dólar, o Chile — ao lado do Brasil — vem se consolidando como peça-chave no radar do gringo.
Foi com esse pano de fundo que o presidente chileno, José Antonio Kast, subiu ao palco do Latam Focus 2026. No evento organizado pelo BTG Pactual, que reuniu a nata do mundo político e empresarial em Santiago, Kast foi categórico: o Chile tem sede por esse capital, mas a jornada exige maturidade para "separar o sinal do ruído".
O foco agora, segundo o presidente chileno, não é “o aplauso fácil das redes sociais”, mas a solidez necessária para destravar o investimento e o crescimento em toda a região.
Kast foi eleito presidente do Chile em 14 de dezembro de 2025 e assumiu o cargo em 11 de março de 2026, marcando uma guinada conservadora. Agora, o país enfrenta um momento de alta expectativa e transição.
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Para enfrentar esse cenário, o novo governo lançou mão de um projeto de reconstrução nacional e desenvolvimento econômico e social, enviado ao Congresso após o início do que Kast chamou de "Desafio 90".
"Não estamos falando de um projeto ideológico, estamos falando de como transformar, de como recuperar nossa pátria", afirmou.
Citando Steve Jobs, Kast pediu que o Chile não deixe o "ruído das opiniões dos outros" abafar a voz interior da nação.
O tom do discurso foi de confronto com as políticas das últimas décadas, que, segundo Kast, deixaram o Chile estancado em um crescimento de 2% ao ano, com mais de 800 mil desempregados e um déficit habitacional crítico.
"Temos que distinguir entre os sinais e o ruído", afirmou.
Neste contexto, o presidente chileno defendeu medidas impopulares, como o aumento dos preços dos combustíveis, argumentando que a alternativa seria o endividamento desenfreado.
"Temos a convicção de que fazemos as coisas bem, não pelo aplauso fácil, mas pela convicção, e que aos chilenos devemos falar como pessoas adultas. Devemos dizer a verdade."
Kast foi enfático ao criticar a reforma tributária realizada há 12 anos, que prometia arrecadação e justiça social, mas que, em sua visão, puniu a classe média e os mais vulneráveis.
Para convencer o investidor de que o Chile é um "país que cumpre seus acordos", Kast apresentou um projeto baseado em quatro eixos:
“O Chile pode crescer a 4% ou 5% se trabalharmos em unidade. A tarefa número um é dar emprego, e o resto é música”, afirmou Kast.
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