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ORIENTE MÉDIO

Plano do Irã reacende esperança de acordo, mas Trump joga dúvida sobre fim da guerra

Proposta com 14 pontos foi enviada por meio do Paquistão, enquanto cessar-fogo de três semanas segue em vigor e negociações continuam

Foto de jornal do presidente dos EUA, Donald Trump
O presidente dos EUA, Donald Trump - Imagem: Unsplash/Markus Spiske

A tentativa de avançar nas negociações para encerrar o conflito entre Estados Unidos e Irã ganhou um novo capítulo neste sábado (2), mas sem sinal claro de consenso. O presidente dos EUA, Donald Trump, indicou que recebeu uma nova proposta de Teerã e que o documento ainda está sob análise, ao mesmo tempo em que demonstrou pouca confiança em um desfecho positivo.

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Em uma rápida interação com jornalistas antes de deixar Washington, Trump afirmou que aguardava a versão final do texto. Pouco depois, ao comentar o tema nas redes sociais, endureceu o discurso e disse considerar improvável que a proposta seja aceitável, argumentando que o Irã ainda não teria enfrentado consequências proporcionais por suas ações ao longo dos últimos anos.

Segundo veículos semioficiais iranianos, como Tasnim e Fars, o plano enviado por Teerã teria 14 pontos e foi encaminhado por meio do Paquistão, país que já atuou como intermediador em outras rodadas de negociação. A iniciativa seria uma resposta a uma proposta anterior dos EUA, composta por nove itens.

Apesar da rejeição recente de outra sugestão iraniana, o canal diplomático segue aberto. Um cessar-fogo que já se estende por cerca de três semanas continua em vigor. Em paralelo, Trump voltou a mencionar a possibilidade de um plano para reabrir o Estreito de Ormuz, corredor estratégico responsável por uma parcela relevante do fluxo global de petróleo e gás.

Ativista iraniana presa

A saúde da advogada de direitos humanos iraniana presa, Narges Mohammadi, estava em “risco muito alto”, disseram sua fundação e sua família no sábado (2), acrescentando que o Ministério da Inteligência do Irã estava se opondo à sua transferência para Teerã, a capital do país, para tratamento com seus próprios médicos.

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Mohammadi, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz e com pouco mais de 50 anos, foi transferida com urgência para um hospital em Zanjan, no noroeste do Irã, na sexta-feira (1) após uma crise cardíaca e desmaio.

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Sua família disse que sua saúde vinha piorando, em parte devido a uma surra que ela recebeu durante sua prisão em dezembro.

As equipes médicas em Zanjan solicitaram seus prontuários antes de realizar qualquer tratamento, ao mesmo tempo em que recomendaram que ela fosse transferida para Teerã, informou sua fundação.
Mas seu marido, Taghi Rahmani, que vive em Paris, disse que o Ministério da Inteligência se opôs à transferência para a realização de uma angiografia, ou exame de imagem dos vasos sanguíneos.

Ele falou em uma mensagem de voz compartilhada com a Associated Press pela fundação.

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Em comunicado, o Comitê Norueguês do Nobel instou as autoridades iranianas a transferirem Mohammadi imediatamente para sua equipe médica, afirmando que a vida dela ‘está em suas mãos’.

“Ela tem resiliência mental para a prisão, mas seu corpo não tem preparo. O Ministério da Inteligência não se importaria nem um pouco se (ela) morresse”, disse o marido à Sky News. Ele acrescentou que os filhos do casal não viam Mohammadi há mais de uma década, desde 2015.

Antes de sua prisão em 12 de dezembro, Mohammadi já estava cumprindo uma pena de 13 anos e nove meses por acusações de conluio contra a segurança do Estado e propaganda contra o governo do Irã, mas estava em liberdade condicional desde o final de 2024 devido a problemas de saúde.

Sua equipe jurídica está acompanhando o caso junto ao Ministério Público Geral, informou a fundação.

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Possíveis sanções

Os Estados Unidos alertaram as companhias marítimas de que poderiam enfrentar sanções por pagar ao Irã para passar com segurança pelo Estreito de Ormuz, aumentando a pressão no impasse pelo controle da região.

O Irã efetivamente fechou o estreito ao atacar e ameaçar navios depois que os EUA e Israel iniciaram uma guerra em 28 de fevereiro. Teerã ofereceu posteriormente a alguns navios passagem segura por rotas mais próximas à sua costa, cobrando taxas em alguns momentos.

Na sexta-feira, os EUA alertaram contra transferências não apenas em dinheiro, mas também em “ativos digitais, compensações, swaps informais ou outros pagamentos em espécie”, incluindo doações de caridade e pagamentos em embaixadas iranianas.

Desde 13 de abril, os EUA responderam com um bloqueio naval aos portos iranianos, privando Teerã da receita do petróleo necessária para sustentar sua economia em crise. O Comando Central dos EUA informou no sábado que 48 navios comerciais foram orientados a dar meia-volta.

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Espionagem

O Irã disse também no sábado que enforcou dois homens condenados por espionagem para Israel.

O portal de notícias do Judiciário, Mizanonline, informou que Yaghoub Karimpour foi acusado de enviar “informações confidenciais” a um oficial da agência de inteligência de Israel, a Mossad, enquanto Nasser Bekrzadeh supostamente enviou detalhes sobre líderes governamentais e religiosos, bem como informações sobre Natanz.

A cidade abriga uma instalação de enriquecimento nuclear bombardeada por Israel e pelos EUA no ano passado.

Nas últimas semanas, o Irã enforcou mais de uma dezena de pessoas por suposta espionagem e atividades terroristas.

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Grupos de direitos humanos afirmam que o Irã realiza rotineiramente julgamentos a portas fechadas, nos quais os réus não conseguem contestar as acusações que enfrentam.

*as informações são da Agência Associated Press

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