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Na bolsa brasileira, chove capital. Nos EUA, o mercado enfrenta a pior seca de retornos desde 1995

Enquanto o S&P 500 caiu 1% desde o início do ano, o índice que acompanha o restante da economia global (ACWX) rendeu 8% no período

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Imagem criada por inteligência artificial para ilustrar a bolsa norte-americana. - Imagem: Dall-E/ChatGPT

Enquanto o Ibovespa renova recordes com a enxurrada de recurso estrangeiro entrando na bolsa brasileira, Wall Street enfrenta uma estiagem de otimismo: o motor da economia global tem lutado para encontrar tração nos primeiros meses de 2026, mesmo com o restante do mundo avançando rapidamente. 

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De acordo com dados do Goldman Sachs, as ações norte-americanas tiveram o pior início de ano desde 1995 em comparação com o mercado global.  

Enquanto o S&P 500 caiu 1% desde o início do ano, o índice que acompanha o restante da economia global (ACWX) rendeu 8%.  

A tendência de chuva de ganhos fora de Nova York se mantém no acumulado de um ano: o índice ex-EUA subiu 30%, o triplo do retorno de 10% registrado no país no mesmo período. 

Risco doméstico e o fim do prêmio 

Em um ambiente onde o risco geopolítico surge cada vez mais de dentro dos EUA — seja pelo regime de tarifas do governo Trump, comentários sobre uma anexação da Groenlândia ou invasões — a atenção do investidor se voltou para o resto do mundo. 

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“Para investidores globais, a reprecificação do [dólar] e a erosão do spread entre o [prêmio de risco de ações] dos EUA e outros foi brutal em 2025”, escreveu Viktor Shvets, chefe de estratégia de mesa global da Macquarie. 

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Ao mesmo tempo em que o mercado norte-americano apresenta um desempenho inferior, as ações dos EUA continuam ficando mais caras.  

Segundo o economista-chefe da Apollo, Torsten Sløk, o múltiplo preço sobre lucro (P/L) nos EUA era semelhante ao restante do mundo após a crise financeira global. Contudo, nos últimos 10 anos, a explosão das big techs elevou os valuations, e o P/L norte-americano está agora, em média, 40% acima do mercado global. 

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Concentração e vulnerabilidade na bolsa

O mercado dos EUA também se tornou pesadamente concentrado no setor de tecnologia. Em dezembro, as 10 maiores empresas — as Sete Magníficas mais Broadcom, Eli Lilly e Visa — representavam 40% das participações do S&P 500, o dobro do peso de uma década atrás. 

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Essa concentração deixa as ações norte-americanas mais vulneráveis caso as expectativas em torno do comércio de IA recuem.  

"O mercado dos EUA negocia acima de um P/L de 20x — mesmo excluindo as Sete Magníficas. Isso é estranhamente alto", afirmaram estrategistas do Goldman Sachs. 

Historicamente, investidores pagavam um prêmio pelas ações dos EUA esperando um crescimento de lucros superior. Mas, com o crescimento estável no exterior e a recuperação dos mercados emergentes, o gap no valuation se tornou difícil de justificar. 

Mudança no fluxo de capital 

A mudança no fluxo de capital já aparece no mercado de fusões e aquisições (M&A).  

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Dados de 2025 do Goldman Sachs mostram uma reversão: as empresas dos EUA estão agora enviando mais capital para aquisições no exterior do que os compradores estrangeiros estão levando para o mercado norte-americano. 

Embora a propriedade estrangeira de ativos dos EUA não tenha caído drasticamente, a participação de investidores globais em ações norte-americanas estagnou nos últimos quatro anos, após duas décadas de crescimento constante. 

*Com informações do Yahoo Finance

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