Menos dividendos à vista? Suzano (SUZB3) prioriza dívida e segura remuneração ao acionista
Com alavancagem acima de 3 vezes e caixa pressionado, companhia indica menor espaço para remuneração ao acionista no curto prazo

O acionista da Suzano (SUZB3) recebeu um balde de água fria nesta quinta-feira (30), após a companhia indicar que os dividendos devem perder força no curto prazo. Durante a teleconferência de resultados do 1T26, a Suzano deixou claro que a prioridade está no fortalecimento do balanço, em um momento de alavancagem elevada, investimentos ainda altos e geração de caixa mais pressionada.
Com isso, a remuneração ao acionista tende a ser mais conservadora.
A empresa encerrou o período com com dívida equivalente a 3,3 vezes o seu Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) em dólar. Esse nível segue acima do confortável para parte do mercado e limita decisões mais agressivas de distribuição de proventos.
“A desalavancagem continua sendo uma prioridade para a companhia”, afirmou o CFO, Marcelo Bacci. Segundo ele, o ritmo de redução da dívida dependerá da geração de caixa ao longo dos próximos trimestres — variável central para qualquer mudança na política de dividendos.
O mercado não reagiu bem à notícia. Por volta das 14h15 (de Brasília), as ações da Suzano caíam 2,12% no Ibovespa, cotadas a R$ 43,87. No ano, SUZB3 acumula queda de cerca de 14,7%.
Capex elevado pressiona caixa da Suzano
O cenário fica mais desafiador diante do volume de investimentos. O capex somou cerca de R$ 3,2 bilhões no trimestre, com desembolsos concentrados em florestas, manutenção e projetos em andamento.
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Esse nível de gastos, combinado a um Ebitda mais fraco, acabou comprimindo o fluxo de caixa, reduzindo o espaço para distribuição.
Bacci destacou que o período também foi marcado por maiores despesas financeiras e consumo de capital de giro, o que ajuda a explicar a geração de caixa mais fraca. Nesse contexto, a companhia deve priorizar a retenção de dinheiro no caixa, em vez de distribuir aos investidores.
Política mais conservadora
A mensagem é direta: enquanto a alavancagem permanecer acima de 3 vezes, a política de dividendos tende a ser mais cautelosa.
“A nossa prioridade, neste momento, é a desalavancagem e a disciplina de capital”, disse Bacci, sinalizando menor probabilidade de dividendos extraordinários ou recompras no curto prazo.
Mesmo com um ambiente mais favorável para os preços de celulose, a empresa deve manter uma postura conservadora. A normalização da remuneração ao acionista depende de uma melhora mais consistente na geração de caixa e no nível de endividamento.
A companhia também afastou a possibilidade de acelerar esse processo por meio de venda de ativos, o que indica que a desalavancagem deve ocorrer de forma gradual, sustentada pela operação.
Operacional ajuda, mas não resolve
Do lado operacional, o cenário é mais construtivo. A empresa destacou a continuidade da alta nos preços de celulose ao longo do trimestre, impulsionada principalmente pela demanda internacional, com destaque para a China.
Ainda assim, a valorização do real limitou a conversão desses ganhos para o resultado em reais.
Os volumes também vieram mais fracos, com queda de 17% nos embarques na comparação trimestral, refletindo fatores sazonais e paradas de manutenção. A expectativa é de recuperação ao longo do ano, o que pode ajudar a recompor a geração de caixa.
*Com informações do Money Times
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