A Suzano (SUZB3) não vale mais a pena? Ação entra em leilão e fecha em queda de 6,4% após BofA cortar R$ 25 do preço-alvo
Banco rebaixou ação para neutra e cortou preço-alvo tanto das ações quanto dos ADRs; Suzano figurou entre as maiores quedas do Ibovespa nesta terça-feira (7)

A terça-feira (7) foi indigesta para os acionistas da Suzano (SUZB3). Em um pregão marcado por pressão vendedora, a gigante de papel e celulose encerrou o dia como a segunda maior queda do Ibovespa após uma revisão nada animadora de um dos titã de Wall Street.
Por volta das 11h (de Brasília), as ações da Suzano recuavam 6,15%, a R$ 46,55, chegando a entrar em leilão após atingir o limite de oscilação permitido pela bolsa.
As negociações foram retomadas por volta das 12h20. Entretanto, as ações voltaram ao pregão ainda pressionadas, e acabaram fechando o dia com baixa de 6,39%, cotadas a R$ 46,43. No ano, os papéis amargam perda de 9,8%.
Por trás do movimento esteve a mudança de visão do Bank of America (BofA), que revisou a recomendação para a Suzano. O banco rebaixou o papel de compra para neutro, sinalizando uma perspectiva menos otimista para a companhia no curto e médio prazo.
Além disso, os analistas cortaram de forma relevante o preço-alvo para o fim de 2026, de R$ 82 para R$ 57 — uma redução de R$ 25. Mesmo assim, o novo patamar ainda implica um potencial de valorização de 22,7% em relação ao fechamento anterior.
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Já o preço-alvo para o ADR da Suzano, negociado na Bolsa de Nova York (Nyse), foi reduzido de US$ 16 para US$ 11. O novo preço-alvo representa um potencial de alta de 22% sobre o fechamento anterior.
Apesar da revisão, o banco avalia que a companhia continua apresentando um valuation “saudável” e um rendimento de fluxo de caixa livre “atrativo” de 5,4% em 2026.
Cautela com o cenário global
Segundo os analistas do BofA, a revisão reflete uma visão mais cautelosa sobre o mercado global de celulose, com a expectativa de que os preços da commodity permaneçam pressionados por mais tempo devido a um excesso estrutural de oferta.
Com esse cenário-base, a equipe revisou a premissa de preço de longo prazo da fibra curta de US$ 600 por tonelada para US$ 500 por tonelada.
Ainda de acordo com o BofA, a China tem consolidado a sua posição como produtor relevante, reduzindo a dependência de importações e “remodelando” a dinâmica dos custos globais.
Além disso, uma nova onda de capacidade de baixo custo vinda da América Latina deve entrar no mercado nos próximos anos, elevando a deterioração do equilíbro estrutural entre oferta e demanda.
- Leia também: A reorganização societária da Suzano (SUZB3) que vai redesenhar o capital e estabelecer novas regras de governança
A Suzano, por sua vez, tem alta sensibilidade aos preços de celulose e deve ser pressionada por um cenário “mais cauteloso” para as commodities no longo prazo.
Ciclo positivo está acabando
Os analistas do BofA também avaliam “sinais de que o ciclo positivo atual está próximo do fim”. Entre eles estão:
- estoques de celulose acima da média nos portos chineses;
- baixa rentabilidade dos fabricantes de papel;
- preços de revenda e futuros negociando abaixo dos benchmarks;
- retomada da capacidade da Chenming;
- primeiros sinais de que as restrições florestais na Indonésia podem ser parcialmente revertidas ou flexibilizadas.
“Em conjunto, esses fatores apontam para uma dinâmica de preços mais fraca no curto prazo, o que deve pressionar o ritmo de crescim,ento dos resultados da Suzano”, escreveram.
O que esperar para a Suzano?
O BofA espera que a fabricante de papel e celulose apresente uma receita de R$ 56,506 bilhões em 2026, o que representa uma redução de 3,6% em relação à estimativa anterior.
Para o Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciaçao e amortização), a expectativa é de que a métrica alcance R$ 21,376 bilhões neste ano, 2,9% menor do que a projeção anterior.
Já o lucro líquido estimado é de R$ 5,953 bilhões, um ajuste de 14,1% abaixo da expectativa anterior.
*Com informações do Money Times
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