Sonhando com o IPO na Nasdaq, Grupo Transire compra empresa da GetNet e avança estratégia de crescimento em até dois anos
Gigante brasileira das maquininhas aposta na aquisição da Mobyan para acelerar a verticalização da operação, ganhar eficiência logística e fortalecer a tese que pretende apresentar aos investidores em um futuro IPO na Nasdaq

A Transire é uma daquelas empresas que está imiscuída no nosso cotidiano, mas poucas pessoas notam. Mesmo assim, incorporando o ditado das redes sociais de "calado vence", a gigante brasileira das maquininhas de cartão e outras ferramentas de pagamentos continua expandindo seu império. O grande sonho no horizonte é o IPO na Nasdaq.
A companhia anunciou, nesta terça-feira (28), a aquisição da Mobyan, braço de logística, gestão de ativos e tecnologia da Getnet, que faz parte do Grupo Santander. A empresa adquirida cuida da entrega, coleta e transporte de maquininhas de cartão e outros dispositivos em mais de 5,5 mil municípios brasileiros.
Ela fabrica as maquininhas usadas por Stone, PagSeguro, Cielo e GetNet, entre outros, mas quer mais. O anúncio vem na esteira da estratégia da Transire para deixar de ser apenas uma fabricante de hardware e construir um ecossistema próprio de tecnologia, software e serviços.
"A operação de serviços é hoje a nossa maior alavanca de crescimento. A aquisição traz uma aceleração de 18 a 24 meses na nossa estratégia. É um símbolo importante de que o Grupo Transire não apenas queria entrar em serviços, mas comprou uma operação consolidada", afirma Fernando Otani, CEO da companhia, em entrevista ao Seu Dinheiro.
A expansão dessa frente é considerada uma das principais alavancas para sustentar o crescimento e internacionalização da empresa, pilares que deverão preparar a Transire para uma futura abertura de capital. Você pode entender mais detalhes dessa estratégia nesta reportagem do Seu Dinheiro.
O valor da transação não foi revelado, mas, segundo Otani, trata-se de uma quantia substancial para o Grupo Transire. A receita da companhia foi de R$ 2 bilhões em 2025. A operação está sujeita à aprovação dos órgãos reguladores competentes, incluindo o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
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O racional da operação
A Mobyan será integrada à Alya, braço de logística do Grupo Transire, responsável por conectar a fabricação de equipamentos à sua operação em campo. No entanto, essa processo será gradual, com as duas atuando separadamente à princípio, uma vez que a companhia adquirida é maior e já tem operação própria.
Juntas, as operações vão reunir mais de 40 filiais próprias, mais de 300 parceiros para serviços de campo e oito hubs regionais para triagem e reparos avançados. Esse movimento acelera a ofertas de serviços diferenciados com o objetivo de reduzir custos relevantes para os clientes.
Para Marcio Silva, CEO da Alya, a principal vantagem da operação é combinar a escala da Mobyan com a estrutura industrial e logística da Transire. Essa estrutura cobre toda a jornada dos equipamentos, desde a entrega e a coleta no estabelecimento até o reparo das maquininhas nos centros de manutenção.
Outro diferencial destacado é a descentralização. Hoje, segundo Silva, equipamentos recolhidos em diferentes partes do país costumam ser enviados para São Paulo, o que pode fazer a logística reversa levar de 40 a 60 dias. Com os hubs regionais, a intenção é encurtar esse percurso, acelerar os reparos e reduzir custos para os clientes.
Eles também relacionam essa eficiência ao fato de a Transire fabricar os próprios equipamentos e ter acesso aos dados de telemetria. Com informações sobre falhas, vida útil e índices de quebra, o grupo pretende antecipar problemas, melhorar o hardware e tornar a operação de campo mais eficiente.
O caminho para o IPO da Transire
Segundo Otani, a aquisição reforça a tese que a companhia pretende apresentar ao mercado ao buscar sua listagem na Nasdaq.
O executivo afirmou que a compra marca a transição da empresa para um modelo mais focado em serviços e software, áreas que exigem maior volume de investimentos, mas também oferecem margens superiores às da fabricação de equipamentos.
"A aquisição da Mobyan é uma demonstração forte ao mercado de que mudamos nosso posicionamento. Se a nossa tese se provar consistente, o IPO deixa de ser um desejo e passa a ser uma necessidade de captação para acelerar o crescimento", diz Otani.
A intenção é abrir o capital nos próximos três anos. Para tal, o Grupo Transire conta com desenho estratégico da operação, estabelecendo marcos que devem ser cumpridos para que o desejo vire realidade.
A estratégia envolve transformar a companhia em uma plataforma completa de tecnologia, combinando hardware, software e serviços, além de acelerar a expansão internacional e fortalecer a governança corporativa.
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