JBS (JBSS32) ganha upgrade do JP Morgan com novo gatilho, mas Minerva (BEEF3) fica para trás
Segundo o JP Morgan, a reabertura da fronteira dos Estados Unidos com o México para o transporte de gado é um catalisador crucial para o setor

O setor de proteínas ganhou uma notícia aguardada há mais de um ano: o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) anunciou no início desta semana a reabertura gradual da fronteira com o México para a entrada de gado.
Segundo o relatório do JP Morgan divulgado nesta terça-feira (28), a reabertura é um gatilho crucial para o setor. Ainda que a medida entre em vigor apenas a partir de 24 de agosto, a instituição financeira já coloca na balança as empresas que vão sair ganhando e quem vai ficar para trás.
Para os analistas, a verdadeira campeã segue sendo a Marfrig (MBRF3). O banco reiterou a recomendação de compra e voltou a classificar a empresa como a favorita no setor.
Porém, a JBS (JBSS32) também ganhou espaço entre as queridinhas do JP Morgan. A instituição elevou a recomendação das ações de neutra para compra.
Já a Minerva (BEEF3) deve enfrentar um cenário mais restritivo, levando os analistas a rebaixarem os papéis da empresa de compra para neutra.
Apesar da reclassificação, o banco manteve os preços-alvos para as três companhias. Para a Marfrig, a expectativa é que a ação chegue a R$ 22,5 por papel até dezembro de 2027. Já para JBS e Minerva, a projeção é de US$ 18 (R$ 91,79) e R$ 5,50, respectivamente.
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Após o anúncio, o setor de frigoríficas sobe forte na bolsa brasileira hoje. Por volta das 12h20, MBRF3 subia 3,52%, a R$ 16,45; JBSS32 tinha alta de 3,47%, a R$ 71,63; e BEEF3, 0,29%, a R$ 3,47.
Os efeitos da reabertura nos EUA na JBS e na Marfrig
De acordo com o documento, ainda é difícil estimar os efeitos do evento sobre os resultados no curto prazo. Porém, os analistas enxergam que o anúncio pode marcar uma inflexão no sentimento dos investidores, encerrando o pior momento da percepção sobre o setor.
Vale lembrar que o governo norte-americano havia fechado os pontos de entrada de gado nos Estados Unidos pelo México há mais de um ano para conter o avanço da mosca-varejeira-do-novo-mundo (NWS).
O principal fator de impulso para a JBS e para a Marfrig é justamente a reabertura gradual da fronteira de gado entre os dois países. Isso porque, na visão do JP Morgan, o evento deve ajudar a estabelecer um piso para as margens da indústria de carne bovina dos Estados Unidos.
Além disso, a reabertura deve apoiar uma recuperação gradual do setor no segundo semestre de 2026.
O JP Morgan estima que cada aumento de um ponto percentual na margem Ebitda da carne bovina dos EUA poderia elevar o Ebitda consolidado da JBS em 4,6% e da Marfrig em 5,4%.
- Leia também: UE confirma veto à carne brasileira; veja os impactos para JBS (JBSS32), Marfrig (MBRF3) e Minerva (BEEF3)
Hora de colocar Marfrig e JBS na carteira
As empresas também têm seus próprios gatilhos de alta.
Segundo os analistas, a Marfrig chama atenção por ser líder no setor de proteínas brasileiro. Além disso, possui forte crescimento no segmento de alimentos processados e potencial de valorização por conta das sinergias entre Marfrig e BRF.
Apesar de a instituição ver um pico do ciclo global no mercado de frango, a empresa ainda apresenta resiliência nas margens na operação no Brasil, além de sólido crescimento nos volumes.
O JP Morgan enxerga ainda que a precificação da ação parece atraente para o momento.
Já no caso da JBS, são os preços dos papéis que chamam a atenção dos analistas. Para a instituição, a queda recente nas ações JBSS32 é vista como uma oportunidade para comprar de olho em 2027.
As projeções do banco são de um EV/Ebitda (Valor da Empresa/lucro antes dos juros, impostos, amortizações e depreciações) de 6 vezes para o próximo ano e um rendimento de fluxo de caixa livre (FCF yield) de 2%.
Nem comprar nem vender: a tese do JP Morgan para a Minerva
Enquanto isso, para a Minerva, o principal inimigo para as ações hoje é o tempo.
Segundo os analistas, os fatores que poderiam impulsionar positivamente os papéis BEEF3 são a redistribuição das cotas de exportação para a China e o aumento das cotas de importação dos Estados Unidos. No entanto, os dois eventos estão levando mais tempo do que o esperado para se concretizar.
Além disso, a empresa possui uma das maiores relações dívida/EV na cobertura do JP Morgan. Essa alta alavancagem aumenta o risco de volatilidade das ações e dificulta a previsão de resultados futuros, segundo os analistas.
O setor de carne também não colabora para o momento da Minerva. O banco enxerga que a indústria se aproxima de um pico, que, somado à característica cíclica do segmento, amplia as incertezas sobre o lucro da companhia.
Porém, a ação da BEEF3 negocia a um FCF yield (fluxo de caixa livre em relação ao faturamento) atraente, de acordo com a instituição, de 28% para 2027 e um EV/EBITDA de 5,2 vezes.
Ainda assim, as preocupações com a alta alavancagem e a falta de catalisadores imediatos superam essa avaliação. Com isso, o JP Morgan não vê um momento claro para uma reavaliação positiva da empresa agora.
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