Só os dividendos gordos já seriam motivo suficiente para comprar XP — mas JP Morgan vê outros trunfos que o mercado parece ignorar
Para analistas, o mercado continua focado nos problemas recentes da XP e deixa escapar uma tese que pode destravar valor nos próximos trimestres

Só um potencial de dividendos de dois dígitos já colocaria a XP (XPBR31) no radar de muitos investidores. Mas, para o JP Morgan, esse talvez nem seja o principal motivo para comprar as ações agora.
Na visão do banco norte-americano, o mercado continua excessivamente concentrado nos problemas recentes da companhia e acaba deixando em segundo plano uma combinação que pode abrir espaço para uma reprecificação relevante dos papéis.
É por isso que os analistas mantiveram recomendação de compra (overweight) para a XP e incluíram a empresa entre suas principais apostas no setor financeiro.
A tese reúne quatro pilares: uma ação negociada a múltiplos considerados baixos, uma remuneração robusta aos acionistas, sinais de estabilização do negócio e a possibilidade de recuperação da rentabilidade nos próximos meses.
Nas contas dos analistas, a XP pode distribuir cerca de R$ 5,5 bilhões entre dividendos e recompras de ações, o equivalente a um dividend yield próximo de 13%.
Mas o potencial de retorno não se limita aos dividendos. O JP Morgan estima que os BDRs da XP (XPBR31) podem subir 64%, com preço-alvo de R$ 136 até dezembro de 2026.
Leia Também
Já para as ações negociadas em Wall Street, o banco fixou um alvo de US$ 26, o que representa uma valorização de aproximadamente 61%.
Excesso de capital pode destravar bilhões para acionistas da XP
O principal argumento do JP Morgan é que a XP hoje opera com uma estrutura de capital mais robusta do que realmente precisa.
Atualmente, a companhia possui um índice de Basileia próximo de 21%, enquanto a própria administração já indicou que considera adequada uma faixa entre 16% e 19% até o fim de 2026.
Essa diferença representa, na prática, capital excedente que poderá ser devolvido aos acionistas.
"Acreditamos que o mercado pode estar negligenciando a capacidade da XP de entregar um yield atrativo ao acionista", escreveram os analistas.
Nas estimativas do JP Morgan, essa folga poderia render uma distribuição de aproximadamente R$ 5,5 bilhões aos acionistas, entre dividendos e recompras.
Mesmo em um cenário mais conservador (bear case), o banco calcula um dividend yield próximo de 6%. Já no cenário mais otimista (bull case), esse retorno poderia alcançar 19%.
Além disso, a XP tem privilegiado recompras de ações. Desde 2022, reduziu em cerca de 50 milhões o número de papéis em circulação, líquido dos programas de remuneração em ações, e renovou sucessivamente seu programa de recompra de até R$ 1 bilhão.
Na avaliação do JP Morgan, enquanto a ação continuar negociando a preços considerados descontados, recomprar papéis pode gerar ainda mais valor do que distribuir dividendos.
Mercado foca nos problemas, mas JP Morgan vê estabilização
O JP Morgan reconhece que os últimos trimestres foram difíceis para a XP.
A combinação de juros elevados, maior competição dos bancos tradicionais, a acusação de esquema de pirâmide por uma casa de análise vendida, os impactos relacionados ao Banco Master e perdas em algumas operações de crédito privado acabaram deteriorando a percepção do mercado sobre a companhia.
A participação de mercado da XP também perdeu força ao longo dos últimos anos.
Em 2020, ações representavam 44% dos ativos sob custódia (AUC) do varejo da XP. Hoje, essa fatia caiu para aproximadamente 25%, enquanto a renda fixa praticamente dobrou sua participação, passando de 18% para 36%.
Ainda assim, o JP Morgan avalia que esse processo de perda de participação parece ter chegado a um ponto de estabilização.
Nas séries ajustadas utilizadas pelo banco, o market share da XP permanece próximo de 17%, indicando que a empresa voltou a crescer praticamente no mesmo ritmo da indústria.
"Embora seja difícil comemorar uma estabilização, acreditamos que ela oferece uma base importante para o crescimento das receitas daqui para frente", afirmam os analistas.
XP: o pior para as margens ficou para trás?
Outro fator que vinha pressionando a tese da XP é o take rate, indicador que mede quanto a companhia consegue monetizar sobre o patrimônio dos clientes.
Com a migração dos investidores para produtos de renda fixa — que geram receitas menores do que ações, por exemplo — esse indicador caiu de forma consistente nos últimos anos.
Segundo o JP Morgan, porém, essa pressão parece estar próxima do limite. O banco estima que o take rate dos investimentos esteja hoje em torno de 0,8%, o que poderia representar um piso para a companhia.
Para o banco, caso o ambiente macroeconômico evolua para um ciclo de juros menores e incentive uma migração gradual para ativos de maior risco, a XP poderá aumentar sua rentabilidade sem que esse cenário esteja refletido no preço das ações hoje.
E, na avaliação dos analistas, essa opcionalidade praticamente não está sendo precificada pelo mercado.
"A XP tem exposição direta limitada a um ciclo de crédito brasileiro e oferece opcionalidade de alta caso as perspectivas de juros melhorem”, diz o JP Morgan.
Ação da XP ainda vale a pena?
Nas contas do JP Morgan, a XP negocia atualmente a cerca de 7,7 vezes o lucro esperado para 2026 e aproximadamente 7,1 vezes o lucro estimado para 2027, múltiplos considerados baixos para uma empresa capaz de entregar um retorno sobre patrimônio líquido (ROE) próximo de 23%.
Para o banco, essa combinação cria uma relação risco-retorno bastante favorável.
"O mercado parece focado apenas nos desafios de curto prazo, enquanto negligencia a capacidade da XP de continuar gerando caixa, distribuir capital aos acionistas e se beneficiar de uma eventual melhora do ambiente de juros", afirmam os analistas.
O JP Morgan ressalta, contudo, que a tese não está livre de riscos.
Segundo os analistas, entre os principais pontos de atenção estão a possibilidade de juros elevados por mais tempo, o avanço competitivo dos grandes bancos e uma execução fraca em novas iniciativas, como crédito para pequenas e médias empresas (PMEs).
VIRADA À FRENTE
IRB Brasil (IRBR3): mudança tributária abre caminho para dividendos generosos; JP Morgan turbina preço-alvo para ação
1 de outubro de 2026 - 17:28CASA NOVA?
Tenda (TEND3) ‘pega as chaves’ da Faixa 4 do Minha Casa, Minha Vida; o que a construtora busca no andar de cima
1 de outubro de 2026 - 14:15O QUE AINDA FALTA?
Queridinha do Barsi, Paranapanema (PMAM3) fecha acordo que acaba com boa parte da dívida bilionária, mas recuperação judicial segue
1 de outubro de 2026 - 13:03FUTURO DA 'FILHA DO DIVÓRCIO'
Todo mundo quer a Farm: ações da Azzas 2154 (AZZA3) lideram as altas no Ibovespa com chuva de propostas no radar
1 de outubro de 2026 - 12:38APOSTAS SAÍRAM DO CARRINHO
Com proibição das bets, duas ações do varejo podem ser as mais beneficiadas, mas Eleven faz alerta para a recuperação do setor
1 de outubro de 2026 - 12:12ROXINHO NÃO VAI ÀS COMPRAS?
Nubank (ROXO34) nega compra bilionária de fintech britânica Monzo após tombo em NY; ações sobem forte no pré-mercado
1 de outubro de 2026 - 9:35PANDA BONDS
A operação bilionária da Vale (VALE3) na China: mineradora conta os planos dessa estreia
30 de setembro de 2026 - 19:53BANCOS
Dia cheio no Bradesco (BBDC4): de R$ 3,8 bilhões em JCP a leilão de sobras de ações até o “Pix” internacional
30 de setembro de 2026 - 19:33QUEM SOBE QUANDO OS JUROS CAEM?
JP Morgan aumenta pessimismo com Natura (NATU3) e corta recomendação; veja as varejistas preferidas do banco para surfar o rali eleitoral
30 de setembro de 2026 - 12:10CORTANDO ONDE DÁ
Como o Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) quer transformar uma despesa milionária em fonte de receita em meio à recuperação
30 de setembro de 2026 - 10:53REESTRUTURAÇÃO CORPORATIVA
Raízen (RAIZ4) quer trocar o conselho, mexer no capital e entregar até R$ 35 bilhões em novos papéis aos acionistas
30 de setembro de 2026 - 10:33GOVERNANÇA
CEO bumerangue: por que empresas, como Natura e Ri Happy, trazem antigos líderes de volta — e quando isso vira um sinal de alerta
30 de setembro de 2026 - 6:12CHEQUE EM BRANCO
Do sonho de construir um ‘avião de ponta-cabeça’ ao banco do futuro: o que o CEO da Revolut prevê para o seu dinheiro
29 de setembro de 2026 - 19:42GATILHO BILIONÁRIO
IRB (IRBR3): nova lei reduz impostos e pode liberar vantagem bilionária para a resseguradora
29 de setembro de 2026 - 14:11DANÇA DAS CADEIRAS
Copasa (CSMG3) troca liderança e aumenta poderes do governo de MG com a golden share; entenda as mudanças
29 de setembro de 2026 - 10:21MAIS UMA FRONTEIRA
BTG Pactual (BPAC11) conquista licença de banco no Peru e acelera expansão internacional; veja o que muda
29 de setembro de 2026 - 10:00Marketing Digital
R$ 42,7 bilhões em publicidade digital: Por que as marcas estão indo além do anúncio para conquistar a atenção do público
29 de setembro de 2026 - 9:00RECUPERAÇÃO JUDICIAL
Do Chapter 11 para o 15: o que significa a decisão favorável da Ambipar (AMBP3) nos EUA
28 de setembro de 2026 - 19:34TCHAU OU ATÉ LOGO?
Presidente do conselho da Tupy (TUPY3) renuncia, mas não deve dar adeus à empresa
28 de setembro de 2026 - 19:24REVANCHE EM SOLO INGLÊS