Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos
JÁ DEU PARA ACOSTUMAR?

De novo, o pesadelo: Hapvida (HAPV3) desaba mais de 20% após balanço. O que deu errado desta vez?

CEO admite erros na gestão da judicialização, enquanto bancos voltam a colocar em dúvida a recuperação da operadora após resultados muito abaixo das expectativas no segundo trimestre

Hapvida, operadora de saúde, sendo analisada por um médico
Imagem: IA/ChatGPT

Se gato escaldado tem medo de água fria, o investidor de Hapvida (HAPV3) tem mais é que temer as divulgações de balanço da operadora de saúde. A companhia está desabando na bolsa nesta quinta-feira (13) após publicar os resultados do segundo trimestre de 2026, na noite de ontem (12).

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Por volta das 13h, as ações da empresa caiam mais de 23%, negociadas a R$ 7,32. No mesmo horário, o Ibovespa desacelerava 0,55%, a 166.566 mil pontos.

Cabe lembrar que essa não é a primeira (nem a segunda) vez que a ação derrete após a divulgação de um balanço. No terceiro trimestre do ano passado, por exemplo, a queda foi de 42%.

Depois de ter dado um breve sossego na última safra, com os planos da administração para virar o jogo, o mercado parece estar se dando conta de que o buraco é mais embaixo.

Diante da frustração, o CEO Luccas Adib não tentou colocar panos quentes sobre um dos principais problemas nos números de ontem: a judicialização.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Em teleconferência com investidores nesta quinta-feira (13), ele reconheceu que a operadora de planos de saúde e dentários errou na forma de lidar com o avanço das disputas judiciais e em evitar que esses processos se transformassem em custos maiores para a companhia.

Leia Também

NA MIRA DA AUTARQUIA

André Schwartz vai ser afastado do Banco Genial? Entenda a decisão do BC que inabilitou o CEO e multou o banco em R$ 21,2 milhões

REAÇÃO AO RESULTADO

Balanço do Banco do Brasil (BBAS3) no 2T26 não foi tão bom quanto parece; mercado vê pouca margem para erros

"Esse foi o principal detrator dos nossos resultados, que fez com que os números viessem abaixo do consenso. Aqui cabe uma autocrítica: estamos errando na execução e calibragem de alguns vetores. Nosso modelo de gestão jurídica não acompanhou o tamanho do desafio", afirmou o executivo durante a teleconferência.

Além disso, o trimestre continuou marcado por muitos dos problemas que a companhia enfrenta há algum tempo: alta utilização (sinistralidade), diversos contratos em condições econômicas desfavoráveis, elevado endividamento, perda de beneficiários, despesas corporativas elevadas e pressão persistente sobre os custos médicos.

Essa combinação explosiva fez com que o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado da empresa caísse 37,2% em relação ao mesmo período do ano passado, para R$ 504,4 milhões.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O número veio 30% abaixo das estimativas do BTG Pactual, que classificou a cifra como a pior dos últimos cinco anos.

A companhia teve um prejuízo líquido 40,7% maior no trimestre em comparação anual, de R$ 217,1 milhões. Em base ajustada, a Hapvida reportou um lucro líquido de R$ 12,5 milhões, 94% menor do que os mesmos três meses de 2025. A sinistralidade de caixa aumentou 3 pontos percentuais (p.p) no ano, para 75,2%.

Para o Safra, o balanço da operadora trouxe "pouquíssimos" elementos para sustentar uma tese de recuperação no curto prazo e a deterioração foi generalizada.

Onde a Hapvida errou?

Sobre a judicialização, Adib reconheceu que a própria estratégia adotada pela Hapvida para lidar com os processos contribuiu para agravar o problema.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ele afirmou que a companhia levava as disputas até a última instância de forma indiscriminada, sem priorizar os casos ou considerar adequadamente a "qualidade do direito" envolvido — ou seja, sem avaliar em quais situações fazia sentido continuar recorrendo e em quais seria mais eficiente buscar uma resolução antes.

Segundo Adib, essa forma de condução acabou resultando em liminares e bloqueios judiciais que poderiam ter sido evitados.

Segundo a companhia, houve mais despesas relacionadas a depósitos cíveis, o que elevou o sinistro judicial em R$ 37,4 milhões na comparação com os três primeiros meses do ano, para R$ 135,4 milhões. Esse movimento contribuiu para pressionar os custos assistenciais e a sinistralidade caixa no período.

O efeito também apareceu nas despesas administrativas. As contingências e tributos passaram de R$ 185,4 milhões no primeiro trimestre para R$ 237,7 milhões no segundo, uma piora de R$ 52,3 milhões, explicada principalmente pelo aumento das contingências cíveis e, em menor medida, por um evento trabalhista pontual de R$ 14 milhões.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Considerando a composição total das contingências e tributos antes do efeito do sinistro judicial e dos itens extraordinários, o montante chegou a R$ 359,2 milhões, equivalente a 4,5% da receita líquida, ante R$ 283,4 milhões, ou 3,6% da receita, no trimestre anterior.

Tanto BTG Pactual, quanto Itaú BBA e Safra destacaram esse como o grande problema nos resultados de abril a junho deste ano.

Fora os impactos no balanço em si, os bancos enxergam a judicialização como a principal fonte de incerteza para os resultados futuros da empresa, já que tornou muito mais difícil projetar um nível “normal” de lucro da Hapvida.

A questão agora é colocada como um dos principais obstáculos para a recuperação da empresa.

O que mais virou um problema?

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A judicialização está longe de ser a única dor de cabeça da Hapvida. Um pente-fino da administração encontrou problemas que vão dos contratos pouco rentáveis à ociosidade da rede própria — e a ordem agora é priorizar margem e geração de caixa, mesmo que isso custe parte da base de clientes.

Um dos principais focos está justamente nos contratos que não entregam retorno suficiente para a operadora.

A companhia identificou cerca de 947 mil beneficiários, o equivalente a 11% da carteira de planos de saúde, enquadrados nos novos critérios mais rígidos de rentabilidade e inadimplência. O tíquete médio desse grupo corresponde a aproximadamente metade da média da carteira.

A Hapvida pretende aproveitar os próximos ciclos de renovação para tentar reequilibrar esses contratos por meio de reajustes. Se a conta não fechar, a companhia admite abrir mão dos clientes.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Segundo o CEO, a partir de agora, crescer por crescer não é o objetivo da empresa. A nova prioridade do comercial é garantir que a expansão da carteira venha acompanhada de rentabilidade.

Essa revisão acontece justamente quando a Hapvida ainda perde clientes. A companhia encerrou junho com 8,668 milhões de beneficiários de planos de saúde, 16 mil a menos do que três meses antes. No entanto, a redução desacelerou frente à perda de 44 mil vidas registrada no primeiro trimestre deste ano.

Segundo Adib, a Região Metropolitana de São Paulo, que foi a primeira praça a receber a nova estratégia comercial focada em rentabilidade, já acumula cinco meses de adições líquidas positivas, enquanto o Rio de Janeiro está no azul há dois meses.

A próxima etapa prevê levar o modelo ao interior paulista, ao estado de Minas Gerais e à região Sul do país. Posteriormente a empresa deve levar essa mentalidade às grandes praças do Norte e Nordeste.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A companhia também decidiu voltar a disputar com mais força o segmento de maior renda. Em agosto, reativou a marca NotreDame como bandeira premium de planos de saúde, inicialmente em São Paulo e no Rio de Janeiro.

A promessa de uma Hapvida melhor (de novo)

Esse pente-fino feito pela administração entra em um contexto maior para tentar reviver a Hapvida, promessa que a companhia já tenta cumprir há anos, como você pode conferir nesta reportagem do Seu Dinheiro.

Desta vez, a nova administração colocou recuperação das margens, geração de caixa e redução do endividamento no centro da estratégia — objetivos que, segundo Adib, passaram inclusive a ter peso relevante na remuneração dos executivos.

"Não é uma trajetória simples nem linear", reconheceu o CEO. Segundo ele, a companhia trabalha em uma série de iniciativas sobre receitas, custos e despesas, algumas com potencial de trazer resultados em até 90 dias e outras que levarão mais tempo para aparecer nos números.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Além da revisão dos contratos, a Hapvida iniciou uma verificação na rede própria e já racionalizou centenas de leitos ociosos. A companhia também pretende reduzir mais de 30 unidades, entre fechamentos e revisões de aberturas — esse movimento deve ser concluído nos próximos 60 dias.

Ao mesmo tempo, a empresa está revendo a relação com prestadores terceiros, renegociando valores e direcionando procedimentos para aqueles que oferecem melhores condições de preço e qualidade.

Em São Paulo, segundo Adib, 40% do custo cirúrgico já foi "empacotado" nos últimos 60 dias, estratégia que agora começa a ser levada para o Rio de Janeiro e o interior paulista.

"Esperamos que [as iniciativas] tragam frutos nos próximos meses rumo a um 2027 mais construtivo e previsível, não com promessas, mas com ações concretas já em andamento que devem entregar resultados", afirmou Adib.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Mas talvez o maior desafio da nova administração seja convencer o mercado de que agora as mudanças sairão efetivamente do papel.

O próprio histórico recente ajuda a explicar a cautela. No ano passado, depois de mais uma forte frustração com os resultados, gestores ouvidos pelo Seu Dinheiro já demonstravam cansaço em dar novas chances à companhia.

Na ocasião, a promessa também passava pela redução da judicialização, maior utilização da rede própria e recuperação da rentabilidade, melhorias que demoraram a aparecer nos números.

O que o mercado acha?

Os bancos ainda evitam comprar antecipadamente a nova promessa. O BTG Pactual diz que prefere esperar sinais mais efetivos da virada diante dos riscos de execução e dos desafios operacionais que permanecem.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Já o Safra afirma precisar de "substancialmente mais evidências" de uma recuperação estrutural antes de adotar uma visão mais positiva para as ações.

O Citi, por sua vez, destacou que continua vendo méritos nas recentes mudanças na administração mas reconhece que a ausência de detalhes quantitativos concretos e os recentes problemas de execução fazem com que os investidores não estejam dispostos a dar à empresa o benefício da dúvida.

Assim, a recomendação de BTG Pactual, Itaú BBA, Safra e Citi para a ação é neutra.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Fachada do Banco do Brasil (BBAS3). 12 de agosto de 2026 - 18:37
Neymar Jr. e Ronaldo 'Fenômeno' em campanha para o Mercado Livre. 12 de agosto de 2026 - 17:50
Banco do Brasil 12 de agosto de 2026 - 9:12
Renato Hermann Cohn, diretor financeiro do banco BTG Pactual. 11 de agosto de 2026 - 16:34
Imagem mostra funcionário com uniforme da Friboi colocando produtos em prateleira no supermercado 11 de agosto de 2026 - 12:35
Escritório do BTG Pactual 11 de agosto de 2026 - 10:48
Fachada da Oncoclínicas (ONCO3) 10 de agosto de 2026 - 19:52
No campo petrolífero, ao entardecer, as bombas de petróleo estão em funcionamento. O reflexo das bombas e do belo pôr do sol na água cria a silhueta da unidade de bombeio ao entardecer 10 de agosto de 2026 - 17:10
Fachada de uma loja Americanas. É possível ver produtos da loja, vendedores e consumidores na lateral direita. 10 de agosto de 2026 - 11:29
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar