O mercado não gostou do que viu nos balanços de Sabesp (SBSP3) e Copasa (CSMG3)? Veja por que as ações caem hoje
As duas empresas de saneamento entregaram crescimento em algumas linhas, mas deixaram pontos de atenção diferentes para os investidores

As duas principais ações de saneamento básico da bolsa brasileira estão passando por uma prova de fogo nesta quinta-feira (13). Em meio à temporada de balanços do segundo trimestre de 2026, Sabesp (SBSP3) e Copasa (CSMG3) aparecem entre as maiores quedas do Ibovespa, apesar de as duas companhias terem apresentado crescimento de receita no período.
Após passarem o dia no vermelho, SBSP3 fechou o pregão em queda de 6,74%, a R$ 24,36, enquanto CSMG3 recuou 3,99%, a R$ 56,10.
À primeira vista, os dois balanços trouxeram números que, isoladamente, poderiam parecer positivos — mas que deixaram questões diferentes no radar dos investidores.
Na Sabesp, a preocupação está na pressão sobre as margens. Na Copasa, o mercado parece mais interessado no que vem pela frente: a companhia ainda está em transição, enquanto a Equatorial (EQTL3) se prepara para assumir o controle após a privatização.
Apesar da reação negativa nesta sessão, os analistas não descartaram as teses de investimento das duas companhias. Você confere aqui o que esperar para os papéis — e se ainda vale a pena ter as ações na carteira.
Sabesp (SBSP3) sente o peso dos custos, mas analistas ainda confiam na tese
Na avaliação do Itaú BBA, o balanço da Sabesp foi fraco. O Ebitda ajustado, que mede a capacidade de geração de caixa de um negócio, ficou em R$ 3,5 bilhões, abaixo das expectativas dos analistas.
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O indicador foi pressionado por menor consumo de água, um mix menos favorável de clientes, aumento dos custos operacionais e maiores investimentos em atendimento e relacionamento com consumidores.
Ainda assim, o banco manteve a recomendação de compra (outperform) para as ações SBSP3, sob o argumento de que os números do trimestre não representam uma mudança estrutural na tese de investimento e que parte das dificuldades parece pontual.
O BTG Pactual também classificou o trimestre como difícil. Segundo o banco, aproximadamente 70% do desvio em relação às projeções veio do avanço dos custos, principalmente com serviços, tratamento de água e provisões para inadimplência.
O efeito apareceu diretamente na rentabilidade operacional. A margem Ebitda recuou para 58,3%, ante 63% no trimestre anterior.
Ainda assim, o BTG vê parte relevante dessas pressões como temporária e considera que a correção recente das ações pode abrir uma oportunidade para investidores de longo prazo.
O banco também seguiu com recomendação de compra para Sabesp, com preço-alvo de R$ 32.
O Safra chama atenção para outro fator: uma parte dos gastos que pesaram sobre a Sabesp teria caráter não recorrente.
Entre eles estão despesas relacionadas à modernização dos sistemas de atendimento, investimentos na experiência do cliente e gastos decorrentes do incidente de Jaguaré.
Se desconsiderados esses efeitos extraordinários, o Ebitda recorrente da companhia ficaria próximo de R$ 4 bilhões, em linha com as expectativas do banco.
É por isso que, para o Safra, a fotografia do trimestre parece pior do que o filme completo.
Os analistas avaliam que a estratégia de ampliar os investimentos e executar o plano de universalização do saneamento continua preservada. Por isso, o Safra manteve a recomendação outperform, com preço-alvo de R$ 33.
Copasa cresce no 2T26, mas o mercado quer saber o que vem depois da privatização
Na Copasa, a história é um pouco diferente. A companhia mineira de saneamento reportou lucro líquido ajustado de R$ 275,5 milhões entre abril e junho, queda de 4,8% em relação ao mesmo período de 2025.
A receita líquida, por outro lado, avançou 8,9%, para R$ 2 bilhões. O Ebitda ajustado também cresceu, 11,7%, para R$ 762 milhões, com margem ajustada de 39%.
O resultado financeiro líquido, porém, ficou negativo em R$ 168,1 milhões, ante resultado negativo de R$ 102,4 milhões um ano antes.
Para o Itaú BBA, o balanço foi neutro. O principal impacto operacional veio do crescimento modesto dos volumes, reflexo, segundo os analistas, das temperaturas mais amenas observadas ao longo do ano.
Mas, no caso da Copasa, talvez os números do trimestre em si sejam menos importantes do que o que está acontecendo nos bastidores.
A companhia ainda está atravessando o período de transição após a privatização, enquanto a Equatorial (EQTL3) se prepara para assumir o controle da empresa.
Por isso, o mercado está começando a olhar menos para pequenas oscilações trimestrais e mais para como a nova estrutura vai transformar a operação.
O Itaú BBA destaca que as despesas gerenciáveis cresceram abaixo da inflação — um sinal considerado positivo diante da maior flexibilidade que a companhia passa a ter para avançar nessa nova fase.
Mas o principal destaque para os analistas foi outro: a unitização dos investimentos, que quase dobrou em relação ao primeiro trimestre e chegou a R$ 1,476 bilhão no acumulado do primeiro semestre.
É esse número que ajuda a explicar por que o mercado pode estar mais interessado no futuro da Copasa do que propriamente no balanço do segundo trimestre.
“Neste momento, o desempenho operacional trimestral não é o principal foco da tese de investimento. Em vez disso, os investidores devem se concentrar na conclusão das renegociações dos contratos com os municípios remanescentes, bem como em obter maior visibilidade sobre a trajetória dos investimentos (capex) e o ritmo em que os novos investimentos serão incorporados à base de ativos regulatórios no próximo ano”, avalia o Itaú BBA.
O banco continuou com recomendação outperform para a Copasa, com preço-alvo de R$ 55,90.
Privatização é a verdadeira aposta por trás das ações CSMG3
A XP Investimentos também encontrou pontos de pressão no balanço. O problema apareceu principalmente na frente de custos, com despesas operacionais e custos variáveis acima do projetado. As despesas com inadimplência, por sua vez, ficaram em linha com as estimativas.
“Apesar do resultado mais fraco, não esperamos qualquer reação relevante do mercado, uma vez que, neste momento, o único fator realmente importante é a nova perspectiva de reestruturação operacional após o processo de privatização”, avaliam os analistas.
A XP mantém recomendação neutra para CSMG3 e preço-alvo de R$ 88,30.
Para a corretora, a história de investimento da Copasa tem sido bem-sucedida desde o início de sua cobertura, quando antecipou que a privatização era uma possibilidade concreta.
Agora, a expectativa é de que a mudança de controle abra uma nova etapa para a companhia.
“Após as relevantes e estruturais melhorias implementadas no modelo regulatório da Copasa, ainda enxergamos a companhia sendo negociada a uma TIR (taxa interna de retorno) real implícita de 14,0%”, afirmam os analistas.
*Com informações do Money Times.
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