O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.
Esse espaço é um complemento às notícias do site.
Recurso Exclusivo para
membros SD Select.
Gratuito
O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.
Esse espaço é um complemento às notícias do site.
Você terá acesso DE GRAÇA a:
Executivos explicam a alta da inadimplência, os planos para a pessoa física e o que esperam da recuperação do agronegócio

O Banco do Brasil (BBAS3) encontrou um novo problema justamente onde esperava encontrar parte da solução para a crise do crédito. Depois de meses tendo o agronegócio como principal dor de cabeça, a carteira de pessoa física passou a dar sinais mais fortes de deterioração no segundo trimestre.
E o cartão de crédito foi o principal ponto de pressão: a inadimplência acima de 90 dias praticamente dobrou em apenas três meses.
O movimento acendeu um alerta porque acontece em uma carteira que o BB vinha usando como um dos motores para mudar o perfil do banco e reduzir a dependência do crédito rural.
Para o banco, porém, o aumento não representa uma deterioração generalizada da carteira de pessoas físicas. A administração do BB afirma que o episódio tem uma causa específica — e que já tomou medidas para evitar que ele se repita.
O principal foco de pressão veio de uma modalidade de parcelamento automático da fatura sem entrada, criada para oferecer uma alternativa de pagamento, principalmente, a clientes de menor renda.
A solução, no entanto, acabou produzindo um efeito de bola de neve na inadimplência, segundo o vice-presidente de Gestão Financeira e de Relações com Investidores do BB, Geovanne Tobias.
Leia Também
“Quando começou, passamos a rodar essa nova modalidade de parcelamento automático sem o pagamento de uma entrada, só que percebemos que isso virou quase como se estivesse se retroalimentando”, afirmou Tobias, em entrevista coletiva nesta quinta-feira (13).
O Banco do Brasil diz que identificou o comportamento ainda no primeiro trimestre, interrompeu a operação no fim de março e antecipou parte das provisões. O impacto, porém, apareceu com mais força no balanço do segundo trimestre.
“Nós provisionamos antecipadamente no primeiro trimestre; efetivamente aconteceu e reconhecemos a inadimplência agora no segundo trimestre”, disse Felipe Prince, vice-presidente de Controles Internos e Gestão de Riscos.
O Banco do Brasil reconhece que a expansão da pessoa física trouxe exposição maior a clientes mais sensíveis ao ciclo econômico.
A resposta, agora, é mudar a composição desse crescimento, direcionando o crédito para segmentos considerados mais resilientes e com melhor retorno ajustado ao risco.
“Nossa carteira de pessoa física não é comparável com a dos demais bancos; ela é muito calcada em linhas mais seguras”, afirmou a presidente do BB, Tarciana Medeiros.
É nessa tentativa de redesenhar a carteira que entram a aposta na alta renda, o consignado público e privado e a recuperação de crédito. Ao mesmo tempo, o banco continua tentando resolver o problema que deu origem à crise atual: o agronegócio.
“Isso permite créditos rentáveis com risco equilibrado para entregar o crescimento do guidance de pessoa física sem risco adicional”, afirmou Prince.
O Banco do Brasil espera que parte dos problemas de inadimplência vistos na carteira de crédito consignado privado diminua com a solução de um problema operacional: a transferência da margem consignável quando o trabalhador troca de emprego.
A automatização do vínculo empregatício está prevista para este mês e deve permitir que o empréstimo acompanhe o trabalhador na mudança de empregador. O banco também passou a contar com o FGTS como garantia em determinadas operações.
“É uma inadimplência pontual, fruto da não consignação no período entre empregos, e não por falta de recursos do trabalhador”, disse Tarciana.
A leitura do banco é que, uma vez resolvida essa questão operacional, a carteira poderá voltar a apresentar níveis de inadimplência mais próximos dos históricos.
Há, ao mesmo tempo, um movimento em outra ponta da equação: recuperar o dinheiro que já saiu do balanço. Segundo a CEO, a nova estrutura de gestão e recuperação de crédito recuperou cerca de R$ 2 bilhões apenas em julho, mais do que o banco havia recuperado em todo o ano de 2025.
A tecnologia passou a ser uma das ferramentas dessa nova estratégia. “Implementamos o modelo de IA que teve sucesso seis vezes maior na renegociação e recuperação de crédito”, afirmou a presidente.
Segundo ela, a inteligência artificial tem funcionado especialmente bem entre clientes mais digitais, que utilizam o aplicativo do banco e podem receber propostas de renegociação ajustadas ao seu perfil.
A melhora na recuperação e a tentativa de reorganizar a carteira de pessoa física, porém, não tiram o agronegócio do centro da crise do BB.
O banco ainda carrega os efeitos de uma deterioração provocada por dificuldades financeiras dos produtores, problemas climáticos e, mais recentemente, pelo chamado “risco moral”: clientes que deixaram de pagar enquanto aguardavam uma solução para a renegociação das dívidas rurais.
É nesse ponto que a Medida Provisória 1.376 passou a ser uma peça importante para a estratégia do banco.
A expectativa é que a implementação das medidas permita reorganizar o fluxo de caixa dos produtores, reduzir a formação de novos créditos problemáticos e aliviar a necessidade de provisões.
“A medida provisória será importantíssima para reestruturarmos o fluxo de caixa dos agricultores e retomarem seus créditos”, afirmou Tobias.
O executivo, porém, evita cravar quando a rentabilidade do BB voltará a níveis considerados adequados. A recuperação, segundo ele, ainda deve seguir o formato de um “W”: uma primeira melhora, seguida por nova pressão antes de uma retomada mais consistente.
O banco trabalha com a possibilidade de terminar 2026 próximo do piso do guidance de lucro, entre R$ 18 bilhões e R$ 22 bilhões.
Para isso, será fundamental que a carteira rural finalmente responda às medidas de renegociação. O banco afirma que já atingiu um pico de provisões e espera uma redução gradual da pressão ao longo do segundo semestre.
A meta, no longo prazo, é voltar a uma estrutura de risco mais próxima da que o BB apresentava antes da deterioração do agro.
A pressão sobre o crédito não termina no agro e na pessoa física. Na carteira de empresas, o BB também identifica sinais de deterioração, especialmente entre companhias de médio porte.
Segundo Prince, a inadimplência de pessoas jurídicas ainda está elevada — portanto, não é correto falar em normalização da carteira.
O que chamou atenção no segundo trimestre foi o aumento dos pedidos de recuperação judicial no middle market, formado por empresas com faturamento entre R$ 50 milhões e R$ 200 milhões.
“São empresas alavancadas sofrendo com a taxa de juros e relacionadas à cadeia do agronegócio”, afirmou Prince.
Nesse segmento, o banco diz estar atuando preventivamente, inclusive por meio de operações que buscam reorganizar a estrutura de dívida dos clientes.
Nas grandes empresas, a estratégia é diferente: o BB pretende priorizar o mercado de capitais sempre que possível, em vez de aumentar a exposição diretamente no balanço.
O problema é que esse mercado também não deve oferecer uma grande válvula de escape no curto prazo.
“O mercado de capitais não performou como projetado no primeiro semestre e o segundo semestre não indica uma recuperação forte; continuará morno, com oportunidades localizadas em infraestrutura”, disse Prince.
E há ainda uma variável que o Banco do Brasil não pode controlar: o clima. Questionados sobre o risco de um novo El Niño pressionar a carteira rural, os executivos afirmaram que o cenário já foi considerado nas projeções do banco.
“Estamos preocupados, sim. Nossas previsões de guidance já levavam em consideração os efeitos do El Niño”, afirmou Tarciana.
O impacto, no entanto, tende a aparecer mais à frente. Segundo Gilson Bittencourt, vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar, as safras que resultarão nos pagamentos ainda em 2026 já foram produzidas.
A maior preocupação está nas culturas que serão plantadas agora e terão seus pagamentos concentrados em 2027.
Ainda assim, o executivo destaca que o efeito não deve ser uniforme pelo país. Algumas regiões e culturas podem sofrer impactos relevantes, enquanto o efeito agregado sobre a produção brasileira tende a ser menor.
VAI TER QUE ESPERAR?
SD ENTREVISTA
VAI PESAR NO BOLSO?
MAIS PROVENTOS
PAROU DE PIORAR?
TODO TRIMESTRE, ELE FAZ TUDO SEMPRE IGUAL
MAIS UMA TEMPESTADE?
SD ENTREVISTA
ENTREVISTA EXCLUSIVA
ENTRE FUTURO E PASSADO
SD EXPLICA
APETITE MAIOR?
DE OLHO NOS EUA
REAÇÃO AO RESULTADO
BALANÇO
GOVERNANÇA CORPORATIVA
PETROBRAS QUE SE CUIDE
PISAR NO FREIO OU ACELERADOR?
A VIDA APÓS A FRAUDE