Nubank dispara mais de 10% em NY após lucro recorde de US$ 1,1 bilhão; o que fez o mercado voltar a confiar no roxinho?
Resultado do 2T26 veio acima das expectativas, levou o ROE a 33% e ajudou a aliviar os temores sobre a qualidade do crédito

Desde que o Nubank (ROXO34) divulgou os números do segundo trimestre (2T26), na noite passada (13), as ações ganharam fôlego em Wall Street, com um novo voto de confiança do mercado no roxinho.
Por volta das 11h40 desta sexta-feira (14), as ações do Nu saltavam 10,44% em Nova York, a US$ 15,39.
"Finalmente, algumas boas notícias, e das grandes", avalia o BTG Pactual. "As expectativas já eram elevadas… e, ainda assim, o 2T26 superou o esperado."
Não é difícil entender o motivo: lucro recorde de cerca de US$ 1,1 bilhão e ROE de 33%, em um balanço que superou as expectativas e ajudou a dissipar parte das preocupações com a qualidade da carteira de crédito da fintech.
“Vemos este resultado como uma surpresa positiva de qualidade, ainda que o Desenrola possa ter contribuído. É difícil reclamar de uma expansão tão significativa da margem financeira (NIM) ajustada ao risco e de um ROE de 33%”, afirma o JP Morgan.
Veja os principais indicadores do Nubank (ROXO34) no 2T26:
| Indicador | Resultado 2T26 | Projeções | Variação (a/a) | Evolução (t/t) |
|---|---|---|---|---|
| Lucro líquido | US$ 1,06 bilhão | US$ 949,6 milhões | +49% | +17% |
| ROE | 33% | 30,1% | +4,8 p.p. | +3,7 p.p |
| Margem financeira ajustada ao risco (NIM) | 12,4% | — | +2,5 p.p | +2,9 p.p |
| Carteira de crédito total | US$ 39,4 bilhões | — | +37% | +5% |
A margem que virou o jogo para o Nubank no 2T26
Na avaliação da XP Investimentos, o principal responsável pela surpresa positiva no 2T26 do Nubank foi justamente a recuperação da margem financeira (NIM) ajustada ao risco, que avançou de 9,5% para 12,4% entre o primeiro e o segundo trimestre.
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A melhora veio acompanhada de maiores receitas de crédito, menor custo de risco e melhor utilização do balanço, com o índice de Empréstimos/Depósitos (LDR) continuando a subir.
“Isso indica que a recuperação não ocorreu apenas devido a uma redução nas provisões, mas também porque o crescimento do crédito originado nos últimos trimestres está se traduzindo em maiores receitas e melhor utilização do balanço após o aumento do LDR”, avaliam os analistas da XP.
O ponto é importante porque ajuda a separar uma melhora pontual de uma evolução mais estrutural do negócio. Segundo a XP, o programa Desenrola representou apenas uma pequena parcela da recuperação da margem, indicando que os fundamentos da carteira tiveram papel mais relevante para o resultado.
“Acreditamos que os resultados reforçam a capacidade superior do Nubank para avaliar e conceder crédito, o aumento da principalidade dos clientes e o forte potencial de monetização, sustentando níveis elevados e sustentáveis de rentabilidade para os próximos períodos”, disse a XP.
Sob a ótica de qualidade de carteira, apesar da alta da inadimplência acima de 90 dias, a XP considera que a qualidade do crédito continua saudável no Nubank.
Isso porque os atrasos iniciais recuaram, mesmo com a fintech expandindo deliberadamente a concessão para segmentos de maior risco — mas que também oferecem retornos ajustados ao risco mais atrativos.
Mas, para a corretora, há um porém: o 2T26 provavelmente representou o limite superior da faixa para a NIM ajustada ao risco.
“Parte da expansão observada no segundo trimestre refletiu fatores sazonais favoráveis que devem se reverter nos próximos trimestres, à medida que o crescimento da carteira de crédito continua, os benefícios sazonais desaparecem e itens não recorrentes perdem efeito”, avalia a XP.
Ou seja: o desafio agora é descobrir quanto dos 12,4% de margem pode ser repetido quando os efeitos mais favoráveis do trimestre ficarem para trás.
Geração de lucros do Nubank fala mais alto que o ciclo de crédito?
Na visão do BTG, as vantagens estruturais do Nubank estão se tornando cada vez mais evidentes. "É possível observar que os índices de inadimplência do Nu estão melhorando em todas as três faixas de renda, enquanto há uma deterioração clara entre seus concorrentes."
O Itaú BBA, por sua vez, avalia que os resultados reforçam a confiança no ritmo de crescimento da receita do Nubank e devem aliviar preocupações relacionadas à qualidade do crédito.
O Safra também acredita que a capacidade de geração de lucros do Nubank falou mais alto que o ciclo de crédito.
Embora os analistas avaliem que o resultado tenha sido "inegavelmente forte", eles destacam que os sinais de deterioração na qualidade dos ativos continua no radar à medida que o ciclo de crédito amadurece. A carteira em Estágio 3 cresceu 16% trimestre contra trimestre e o índice de inadimplência acima de 90 dias piorou 0,40 ponto percentual.
"Apesar da pressão contínua sobre os indicadores de qualidade dos ativos, o Nubank continua entregando níveis de rentabilidade muito superiores aos dos concorrentes", avalia o Safra.
"Nos atuais níveis de NIM ajustada ao risco, acreditamos que a companhia mantém ampla capacidade de geração de lucros para sustentar um ritmo agressivo de crescimento da carteira de crédito e continuar ganhando participação de mercado, especialmente porque os bancos incumbentes permanecem mais cautelosos na concessão de crédito para segmentos de clientes de maior risco", acrescenta.
Segundo o JP Morgan, mesmo os investidores mais otimistas trabalhavam com uma NIM ajustada ao risco próxima de 11%. Ou seja, a performance surpreendeu até quem já esperava uma melhora relevante.
“A melhora foi impulsionada por uma combinação entre menor custo de risco e expansão da NIM, o que, na nossa visão, torna a qualidade desse resultado ainda melhor, embora precisemos de mais visibilidade sobre o quanto o programa Desenrola contribuiu”, diz o banco norte-americano.
O JP Morgan também recebeu positivamente as novas informações sobre a inadimplência nos segmentos de massificado (de crédito para baixa renda), super core e alta renda.
Embora destaquem que ainda há dúvidas sobre como diferentes políticas de baixa contábil foram tratadas pelo Nubank, os analistas consideram positivo o desempenho superior da fintech em relação à indústria nos diferentes segmentos de cartões de crédito.
O próximo capítulo pode estar no México
Embora o Brasil continue sendo o principal motor do Nubank, o México começa a ganhar importância como uma segunda frente de crescimento — especialmente depois da aprovação da licença bancária no país.
Para a XP, o mercado mexicano continua sendo uma das principais oportunidades de longo prazo da companhia.
A combinação entre digitalização financeira, mudanças regulatórias e maior utilização de pagamentos instantâneos pode criar uma dinâmica semelhante à que ajudou o Nubank a crescer no Brasil na última década.
E há uma diferença importante: a operação mexicana está chegando à monetização mais rápido.
O México atingiu o break-even em seis anos, contra oito anos no Brasil. Além disso, o ARPAC — receita média mensal por cliente ativo — já está acima dos níveis históricos registrados pelo Nubank no Brasil em estágio semelhante de maturidade.
A fintech já afirmou que, no longo prazo, a operação mexicana poderá representar entre 60% e 70% do tamanho da brasileira, com espaço adicional caso a digitalização financeira avance em ritmo ainda mais acelerado.
Então, é hora de apostar no Nubank?
O balanço do segundo trimestre colocou ainda mais argumentos na mesa para quem já enxergava o Nubank como uma das principais histórias de crescimento do setor financeiro. Das 22 recomendações compiladas pela Bloomberg para as ações do Nu, 18 são de compra, duas são neutras e duas, de venda.
Mas também deixou uma questão para os próximos trimestres: quanto da combinação de NIM elevada, menor custo de risco e forte rentabilidade veio para ficar?
Apesar de o resultado do 2T26 ter sido considerado "uma clara vitória", o BTG avalia que a “guerra” ainda não terminou, e o Nu precisará continuar provando seu valor repetidamente.
Ainda assim, os analistas mantiveram recomendação de compra para o Nubank. "Acreditamos que trimestres como este ajudam a lembrar por que temos apontado o Nu como um dos poucos vencedores claros que enxergamos em nosso setor."
O JP Morgan manteve recomendação overweight, equivalente à compra, para as ações, citando a contínua conquista de participação de mercado, vantagens estruturais e uma expectativa de crescimento dos lucros que pode chegar a 30% nos próximos anos.
O banco, porém, reconhece que está mais conservador com 2027 diante do ambiente mais complexo no Brasil. “Sim, estamos mais cautelosos em relação a 2027 devido ao cenário desafiador no Brasil, seu principal mercado, mas acreditamos que parte disso já está refletida no múltiplo P/L projetado para 2027 de 12,6 vezes”, avalia.
O Itaú BBA também seguiu com recomendação outperform (compra) para o Nubank, sustentada por uma "avaliação atraente diante do perfil de crescimento e rentabilidade da companhia", segundo os analistas.
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