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Resultado vem acima do esperado, mantém rentabilidade de bancão, enquanto inadimplência e provisões seguem no radar

Pela primeira vez na história, o Nubank (ROXO34) colocou uma cifra de dez dígitos no lucro. A fintech encerrou o segundo trimestre (2T26) com US$ 1,06 bilhão de lucro líquido, desconsiderando os efeitos cambiais, um salto de 49% em um ano e de 17% em relação ao trimestre anterior.
O resultado veio acima das expectativas do mercado, que projetava um lucro médio de US$ 949,6 milhões, segundo o consenso da Bloomberg.
A rentabilidade também surpreendeu: o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) ficou em 33%, contra 30,1% esperados pelos analistas. O indicador avançou 4,8 pontos percentuais (p.p) na comparação anual e cresceu 3,7 p.p frente ao trimestre anterior.
A cifra coloca o Nubank à frente dos grandes bancos brasileiros na briga por rentabilidade. Para efeito de comparação, o Itaú Unibanco (ITUB4) reportou ROE de 24,2% no mesmo período.
Mas, à medida que o roxinho ganha escala, cresce também a importância de uma pergunta para os investidores: quanto desse crescimento ainda pode ser acelerado sem que a qualidade do crédito comece a cobrar seu preço?
A primeira reação do mercado foi bastante positiva. As ações do Nu chegaram a saltar mais de 8% no after market em Wall Street após a divulgação do balanço.
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O desempenho também reforça a tese que o fundador e CEO global do Nubank, David Vélez, vem defendendo desde a criação da companhia.
“Há treze anos, começamos com uma hipótese simples: um banco construído com base em tecnologia, sem agências físicas e sem sistemas legados para preservar, poderia atender centenas de milhões de pessoas melhor por uma fração do custo. Isso já não é mais uma hipótese e geramos mais de US$ 1 bilhão em lucro líquido por trimestre”, afirmou Vélez, em nota à imprensa.
Nos últimos trimestres, a qualidade dos ativos entrou no radar dos analistas como um dos principais pontos de atenção para o setor financeiro. No Nubank, essa discussão ganha ainda mais peso à medida que a fintech amplia rapidamente sua carteira de crédito.
Afinal, uma carteira maior abre espaço para mais receita e rentabilidade, mas também aumenta a necessidade de controlar eventuais sinais de deterioração do portfólio.
No 2T26, a inadimplência acima de 90 dias chegou a 6,9%, alta de 0,4 ponto percentual tanto na comparação anual quanto trimestral. Segundo o Nubank, o movimento reflete principalmente a migração sazonal dos atrasos iniciais registrados no primeiro trimestre.
Já os atrasos entre 15 e 90 dias, acompanhados pelo mercado como um indicador antecedente de deterioração, ficaram em 4,8%. Isto é, alta de 0,3 p.p. em um ano, mas recuo de 0,2 p.p. na comparação trimestral.
“A maior parte dessa melhora veio da sazonalidade, parcialmente compensada pela expansão deliberada em segmentos de maior risco e maior retorno. O mix de produtos e outros efeitos menores foram, em geral, neutros”, afirmou o Nubank.
Outro fator que pesa na leitura da qualidade da carteira é a principalidade. Segundo o banco digital, clientes que têm o Nu como banco principal apresentam inadimplência equivalente a aproximadamente metade da média da carteira.
Ainda assim, o aumento do crédito já se reflete também no colchão destinado a absorver eventuais calotes. As despesas com provisões para perdas de crédito do Nubank subiram 46,4% em um ano, para US$ 1,48 bilhão no trimestre.
Mesmo com a atenção maior sobre a qualidade dos ativos, o Nubank não dá sinais de querer tirar o pé do crédito. A carteira de crédito total cresceu 37% em um ano e 5% na comparação trimestral, chegando a US$ 39,4 bilhões.
O cartão de crédito continua sendo a maior fatia, com uma carteira de US$ 26 bilhões. O crédito sem garantia somou US$ 10,3 bilhões, enquanto o portfólio colateralizado alcançou US$ 3,1 bilhões.
A expansão ajuda a explicar o avanço da receita líquida de juros (NII), que chegou a US$ 3,7 bilhões no segundo trimestre, alta de 9% ante os três primeiros meses do ano.
Mais importante para a rentabilidade, a margem financeira ajustada ao risco (NIM) ficou em 12,4%, avanço de 2,5 p.p. em um ano e de 2,9 p.p. na comparação trimestral.
Ou seja: até aqui, o Nubank vem conseguindo ampliar a margem mesmo enquanto aumenta a exposição ao crédito. A questão que fica para os próximos trimestres é se essa combinação continuará funcionando à medida que a carteira ganha escala.
A receita total alcançou US$ 5,87 bilhões no trimestre, alta de 39% em relação ao mesmo período de 2025, também excluindo os efeitos cambiais.
A fintech também conseguiu aumentar o valor extraído de sua enorme base de clientes. A receita média mensal por cliente ativo (ARPAC) cresceu 22% em um ano, para US$ 17,10.
O custo médio mensal para servir cada cliente ativo subiu 14% na mesma comparação, para US$ 1, mas ficou estável em relação ao primeiro trimestre.
Essa diferença ajuda a explicar parte da lógica do modelo de negócio: quanto mais produtos o cliente utiliza, maior tende a ser a receita gerada por esse relacionamento, enquanto a escala ajuda a diluir os custos da operação.
No trimestre, o Nubank adicionou 4 milhões de clientes, elevando a base global para 138,9 milhões, alta de 13% em um ano.
No Brasil, o Nubank chegou a quase 118 milhões de clientes, consolidando sua posição como a maior instituição financeira privada do país em número de usuários.
Mas a próxima etapa da estratégia no país não passa apenas por conquistar mais clientes. O Nubank quer aumentar a profundidade do relacionamento com a base que já possui no Brasil — e avançar para faixas de renda mais altas.
“O Nu já atende a maior parte do segmento de mass market [o massificado, que representa o crédito para baixa renda] e é o principal banco de uma parcela significativa desses clientes. O Nu também está avançando nos segmentos de maior renda, em que o Ultravioleta continua aprofundando os relacionamentos bancários principais”, afirmou Vélez.
Nesse movimento, a fintech lançou nas últimas semanas o Croma, segmento voltado à média renda e definido pelo executivo como formado por seus clientes “super core”.
A aposta é ampliar para esse público a estratégia de transformar o Nubank no banco principal do cliente, aumentando a utilização de produtos e, consequentemente, a monetização.
“Sustentando tudo isso está o NuFormer, nosso modelo fundacional de comportamento financeiro, que orienta decisões de análise de crédito, atendimento ao cliente e crescimento em toda a companhia”, afirmou Vélez.
Fora do Brasil, o México continua ganhando peso. A operação chegou a 15,8 milhões de clientes, assumindo a liderança entre os bancos digitais do país, segundo o Nubank. A base representa 16,5% da população adulta mexicana — uma penetração comparável à que o Brasil apresentava em 2020, mas com monetização mais precoce, segundo a companhia.
“Esses fatores criam uma das oportunidades mais promissoras que o Nu já identificou no México”, afirmou o banco.
Na Colômbia, a operação também avançou e superou 5 milhões de clientes.
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