Luz no fim do túnel? Braskem (BRKM5) lucra R$ 3,3 bilhões no 2T26, reverte prejuízo e vê Ebitda disparar
Braskem registra lucro de R$ 3,33 bilhões no 2T26 e aumento do Ebitda, impulsionados por maiores spreads internacionais, apesar da alta dívida e desafios financeiros

Apesar da crise gerada pelo alto endividamento, há uma luz no fim do túnel para a Braskem (BRKM5). A gigante petroquímica registrou lucro líquido de R$ 3,33 bilhões no segundo trimestre de 2026 (2T26), revertendo o prejuízo de R$ 267 milhões apurado no mesmo período do ano passado, segundo balanço divulgado nesta sexta-feira (14).
A guerra no Oriente Médio deu uma força para suas receitas. Segundo a companhia, o resultado refletiu principalmente o aumento dos spreads no mercado internacional — a diferença entre o valor pago pela matéria-prima e o preço do produto vendido, que ficou maior com o impacto do conflito sobre a oferta global de matérias-primas.
O cenário elevou os custos dos produtores marginais da Ásia e resultou em preços mais altos para resinas e produtos químicos, ampliando a rentabilidade da Braskem.
Apesar desse impulso, as ações ainda estão com desempenho negativo. Desde o começo do ano, os papéis BRKM5 caíram 32,32%. Nos últimos 12 meses, a queda é de 33,66%.
Como foi o resultado da Braskem
O Ebitda recorrente da companhia somou R$ 5,25 bilhões entre abril e junho, um salto expressivo frente aos R$ 427 milhões registrados um ano antes. Em dólares, o indicador atingiu US$ 1,04 bilhão.
A receita líquida avançou 22% na comparação anual, alcançando R$ 21,72 bilhões, beneficiada pela alta dos preços internacionais e pela melhora dos spreads químicos e petroquímicos.
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No segmento de Brasil e América do Sul, o Ebitda recorrente atingiu R$ 4,37 bilhões, impulsionado pela alta dos spreads internacionais de resinas e químicos, além dos créditos de PIS/Cofins relacionados ao Regime Especial da Indústria Química (Reiq).
Nos Estados Unidos e na Europa, o indicador somou R$ 739 milhões, enquanto a operação no México registrou R$ 289 milhões.
A geração operacional de caixa foi positiva em R$ 1,93 bilhão no trimestre, revertendo o consumo de caixa observado no primeiro trimestre.
De acordo com a empresa, o avanço decorreu principalmente do crescimento do Ebitda, embora tenha sido parcialmente compensado pelo aumento dos estoques e pela volatilidade dos preços das matérias-primas.
Crise na Braskem
Apesar da melhora operacional, a Braskem segue enfrentando desafios em sua estrutura de capital. Ao final de junho, a companhia registrava dívida líquida ajustada de US$ 9,4 bilhões, com alavancagem de 6,74 vezes a relação entre dívida líquida ajustada e Ebitda recorrente dos últimos 12 meses.
A Braskem vem lidando com um prolongado ciclo de baixa no setor petroquímico e deve precisar de três a cinco anos para resolver todos os seus desafios herdados, segundo as agências de notícias.
Além disso, a posição de caixa da Braskem foi enfraquecida por um desastre ambiental ligado às suas minas de sal gema em Alagoas, que afundaram um bairro em Maceió e levaram milhares de pessoas a abandonar suas casas.
Renegociação da dívida
A empresa informou que continua negociando alternativas para a reorganização de sua estrutura financeira junto aos credores.
As informações mais recentes são de que a petroquímica Braskem está em discussões avançadas para um potencial pedido de recuperação extrajudicial, que pode ser protocolado ainda neste mês.
A companhia, controlada pela gestora de private equity IG4 Capital e pela Petrobras (PETR4), corre contra o tempo até 24 de agosto, já que nessa data expira uma proteção obtida por medida cautelar em junho.
Segundo a companhia, o vencimento de R$ 2,7 bilhões em dívidas previsto para julho poderia desencadear cláusulas de vencimento antecipado de aproximadamente R$ 54 bilhões em obrigações financeiras.
A Braskem tenta convencer credores a aderirem ao Projeto Catalyst, plano de recuperação extrajudicial que busca reorganizar mais de US$ 3 bilhões em vencimentos concentrados entre julho deste ano e dezembro de 2027.
Apesar desse prazo maior para resolver seu problema, as agências de classificação de risco não estão otimistas com a capacidade de pagamento da petroquímica.
A Fitch Ratings e a S&P Global apertaram ainda mais o cerco sobre a Braskem e rebaixaram as notas de crédito da companhia, sinalizando que enxergam um cenário cada vez mais próximo de um calote.
*Com Money Times
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