Raízen (RAIZ4) reduz prejuízo, mas resultado financeiro ainda pesa e ações caem; entenda os próximos passos da companhia
Com o processo de recuperação extrajudicial em andamento, a Raízen terá os negócios divididos em dois. Segundo o CFO, a empresa trabalha para reduzir a alavancagem

Em meio ao processo de recuperação extrajudicial, a Raízen (RAIZ4) abriu os números do primeiro trimestre da safra 2026/27 (abril a junho). Segundo o documento divulgado nesta manhã (14), a empresa reduziu em 11% o prejuízo líquido, passando para R$ 1,64 bilhão.
O desempenho foi apoiado por uma expansão do resultado operacional e por um aumento da receita líquida, que avançou 4% na comparação anual, para R$ 51,46 bilhões. Já o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado mais do que dobrou, alcançando R$ 3,85 bilhões.
Apesar da melhora operacional, o resultado líquido da empresa não impressionou o mercado. O balanço mostrou que o resultado financeiro, que ficou no negativo em R$ 2,97 bilhões, segue pesando na conta. A Raízen registrou um aumento de 42,4% no rombo em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Após a divulgação do balanço, as ações RAIZ4 abriram o dia em forte queda. Por volta das 12h (horário de Brasília), os papéis caíam 4%, a R$ 0,24.
Outros números da Raízen
Segundo o documento, o desempenho operacional da empresa foi impulsionado pelo setor de distribuição de combustíveis no Brasil. No segmento, o volume de vendas cresceu 6,6% na comparação anual, para 7,18 bilhões de litros.
O avanço foi liderado pelos combustíveis do ciclo Otto (gasolina e etanol), com alta de 8,0%, para 3,11 bilhões de litros. Já as vendas de diesel aumentaram 6,5%, para 3,65 bilhões de litros. Em relação ao trimestre imediatamente anterior, o volume total comercializado subiu 2,5%.
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A melhora de volumes veio acompanhada de uma forte expansão da rentabilidade da divisão. O Ebitda ajustado da distribuição de combustíveis saltou para R$ 3,54 bilhões, ante R$ 959 milhões um ano antes.
A Raízen informou ainda que os investimentos totalizaram R$ 1,05 bilhão entre abril e junho, queda de 32,6% em relação ao mesmo período de 2025.
Porém, a empresa registrou queda na moagem de cana-de-açúcar e na produção de açúcar, com impacto de chuvas do El Niño na colheita. Além disso, a Raízen aumentou o direcionamento da matéria-prima para a produção de etanol, com preços mais vantajosos, o que também pesou no resultado.
De abril a junho, a companhia moeu 19,7 milhões de toneladas de cana no período, volume 2,0% menor que as 20,1 milhões de toneladas processadas um ano antes.
A produtividade agrícola recuou 3,2%, para 9,0 toneladas de ATR por hectare, enquanto o teor de açúcares recuperáveis (ATR) caiu 2,9%, para 118,4 quilos por tonelada de cana.
Com menor disponibilidade de açúcar por tonelada de cana e um direcionamento maior de cana para etanol, a produção de açúcar da companhia somou 1,03 milhão de toneladas, queda de 13,6% em comparação ao 1T25.
O mix de produção passou para 46% açúcar e 54% etanol, ante 51% açúcar e 49% etanol um ano antes.
Por outro lado, a produção de etanol de primeira geração cresceu 9,4%, para 737 milhões de litros, beneficiada pela mudança.
Os próximos passos
Além do balanço, a Raízen também divulgou seus planos para dar a volta por cima. Segundo o CFO, Lourival Luz, a companhia trabalha para que a futura separação dos negócios resulte em empresas com estruturas de capital mais saudáveis e menor alavancagem.
Vale lembrar que a divisão das operações faz parte do plano de recuperação extrajudicial da companhia. O processo define a separação dos negócios em dois: a Raízen Energia, voltada para a operação agrícola, e a vertical responsável pela distribuição de combustíveis.
De acordo com o CFO, ainda é cedo para definir como eventuais benefícios da melhora dos resultados e da geração de caixa serão distribuídos entre os dois negócios.
A definição sobre qual dos negócios ficará relativamente mais alavancado dependerá da evolução dos resultados e das condições financeiras até a conclusão da segregação. “É muito cedo para dizer se esse benefício vai estar do lado A ou do lado B”, disse.
A Raízen tem até março de 2027 para concluir as etapas previstas no plano de recuperação extrajudicial e até dezembro de 2027 para realizar a segregação dos negócios, segundo o CFO. Até lá, o cenário pode mudar, com fatores capazes tanto de beneficiar quanto de pressionar os resultados das duas operações.
Luz afirmou que a gestão está concentrada na geração de caixa e na saúde financeira da Raízen.
De acordo com ele, ao final do primeiro trimestre, a companhia apresentava Ebitda e posição de caixa melhores do que aqueles considerados durante a negociação do plano de recuperação extrajudicial.
*Com informações do Money Times.
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