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Executivos do banco espanhol prometem recuperar rentabilidade até 2028 e reduzir índice de eficiência para competir com os novos players
O Santander decidiu mirar alto até 2028: quer ultrapassar 20 bilhões de euros em lucro. Só que, para o acionista brasileiro, o número que define o jogo é outro: a promessa de levar o Santander Brasil (SANB11) de volta a uma rentabilidade superior a 20% dentro dos próximos dois anos.
Há sucessivos trimestres, o banco fica para trás de pares domésticos na corrida pelo retorno, ainda com dificuldades de encurtar a distância em relação aos líderes do setor.
Agora, a administração decidiu transformar discurso em compromisso formal. A meta é reconquistar um retorno sobre patrimônio tangível (ROTE) na faixa dos 20% entre 2027 e 2028.
Nas contas do JP Morgan, isso levaria a um retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) de 22%.
Hoje, o ponto de partida ainda exige fôlego. No quarto trimestre, o ROE da unidade brasileira ficou em 17,6%. O número supera o de concorrentes como Bradesco e Banco do Brasil, mas permanece distante dos 24,4% entregues pelo Itaú Unibanco.
Vale lembrar que, até pouco tempo atrás, os 20% eram apenas uma ambição reiterada pelos executivos do Santander Brasil em conversas com a imprensa e investidores.
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Faltava calendário. Agora, há meta, prazo e cobrança embutida.
Para o CEO global, Héctor Grisi, o ciclo anterior do Santander Brasil ficou para trás. A fase de crescimento acelerado de crédito, com expansão ampla de carteira, deu lugar a uma estratégia mais seletiva.
O banco entra agora em uma etapa menos volumosa e mais cirúrgica. A meta é reequilibrar o portfólio, realocar capital e priorizar clientes com maior potencial de rentabilidade.
Na prática, isso significa deslocar o foco para os segmentos de alta renda (Select), pequenas e médias empresas (PMEs) e grandes clientes corporativos — onde o relacionamento é mais profundo, as receitas de tarifas são mais previsíveis e a volatilidade tende a ser menor.
O crédito massificado deixa de ser o motor principal e passa a ser peça tática dentro da operação.
Grisi também afirmou que o retorno aos 20% não virá de um trimestre excepcional, mas de uma transformação estrutural.
“O caminho é avançar para um ROTE de 20% conforme o negócio se normaliza e, então, continuar melhorando”, disse, durante encontro anual com investidores.
Um dos pilares dessa equação é o custo de risco. A projeção é mantê-lo abaixo de 5% no consolidado brasileiro. Mas há um detalhe: se os juros caírem, o indicador pode não acompanhar automaticamente essa trajetória.
O motivo é estratégico. O banco pretende reingressar de forma seletiva no mercado de cartões de crédito e empréstimos pessoais para clientes de maior renda, em busca de margens mais altas.
Segundo a administração, rentabilidade e risco precisam caminhar juntos no Santander — e conservadorismo excessivo também pode custar caro. “Se meu custo de risco em cartões for inferior a 10%, estou deixando dinheiro na mesa”, disse Grisi.
Se rentabilidade é a meta, eficiência é o caminho — e o Brasil aparece como peça-chave nesta estratégia.
O país é descrito como o “grande destaque” na implementação da plataforma Gravity, o novo sistema global em nuvem do Santander.
A migração, prevista para este ano, é vista como um catalisador de eficiência operacional para o Santander Brasil. A lógica é simplificar produtos, automatizar processos e reduzir a complexidade para diminuir o custo de servir.
Em vez de uma estrutura fragmentada, o grupo quer operar como uma plataforma única. Escala, nesse modelo, não é apenas balanço maior — é capacidade de construir uma solução uma vez e replicá-la em vários mercados.
A possibilidade de fechar o capital do Santander Brasil na B3 também voltou ao radar.
Questionada sobre uma eventual oferta de aquisição (OPA) pelas ações dos minoritários, a administração afirmou que avalia todas as alternativas constantemente, mas segue uma lista de prioridades.
O foco está primeiro no crescimento orgânico, depois em recompra de ações do próprio grupo — consideradas hoje muito descontadas — e só então outras opções.
No plano global, a ambição é ainda mais ampla. Ana Botín, presidente executiva do Santander, deixou claro que o grupo quer competir de frente com os bancos digitais.
"Quando vocês nos compararem com Nubank e Revolut, por favor, digam-nos onde eles são melhores e onde nós somos melhores — nós vamos chegar perto deles, acreditem", afirmou Botín.
O alvo do Santander é reduzir o índice de eficiência do grupo para menos de 34% até 2028 — patamar próximo ao observado entre grandes players digitais, que operam na faixa de 30% a 38%.
"Nossa ambição é ser um dos players de escala em varejo e banco de consumo na Europa”, disse a executiva.
Essa transformação está baseada no conceito de “One Transformation”: operar como uma plataforma global integrada, com processos e tecnologia padronizados.
"Escala em bancos não é apenas balanço patrimonial, é escala operacional. A capacidade de construir uma vez e implantar em vários mercados", disse a executiva.
Segundo o Santander, o investimento de 20 bilhões de euros em tecnologia e inteligência artificial na última década é a base para “absorver crescimento com custo incremental próximo a zero”.
Esse plano estratégico não é vendido como uma revolução glamourosa no Santander, mas como disciplina. Os executivos inclusive batizaram a abordagem de “boring banking” — setor bancário entediante, na tradução livre.
Em outras palavras, um banco menos dependente de grandes tacadas e mais focado em execução disciplinada, alinhamento de incentivos e simplificação radical de produtos e processos.
Segundo os executivos, as metas até 2028 funcionam como a “Estrela do Norte” do grupo, e incluem:
Ao mesmo tempo, Botín reforçou a disciplina de capital: não haverá grandes novas aquisições nos próximos dois anos. O foco é executar o plano.
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