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Banco vê retorno de quase 23% em dividendos nos próximos três anos e diz que companhia combina crescimento de lucro, caixa e flexibilidade financeira

A Copel (CPLE3) decidiu dar mais liberdade ao próprio balanço — e os acionistas podem ser os maiores beneficiados dessa escolha, segundo o Bank of America (BofA).
Em relatório publicado nesta semana, o banco norte-americano avaliou como positiva a revisão da política de capital anunciada pela elétrica na última quarta-feira (15).
Segundo os analistas Gustavo Faria e André Silveira, as mudanças aumentam o potencial de distribuição de dividendos nos próximos anos e reforça uma das principais teses de investimento na companhia.
O BofA tem recomendação de compra para as ações da Copel e destaca que a companhia é a quarta maior em potencial de remuneração aos acionistas dentro da cobertura de empresas brasileiras.
A elétrica elevou sua meta de alavancagem — indicador de endividamento que compara dívida e geração de caixa operacional — de 2,8 vezes para 2,9 vezes dívida líquida sobre Ebitda. Além disso, ampliou de 24 para 48 meses o prazo para convergir à meta.
Na prática, a empresa vai aceitar um nível ligeiramente maior de endividamento e ganhar mais flexibilidade para administrar seu caixa. O resultado é uma necessidade menor de guardar dinheiro para atender as metas financeiras, com mais espaço para distribuir recursos aos acionistas.
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O BofA destaca em relatório que a política continua prevendo um pagamento mínimo equivalente a 75% do lucro líquido anual, mas a nova estrutura cria margem para distribuições maiores ao longo do tempo.
Após incorporar as mudanças, o banco elevou a estimativa de dividend yield médio da Copel entre 2026 e 2029: de 7,3% para 7,6% ao ano.
No cenário-base do BofA, os rendimentos projetados são:
O destaque fica para 2027, quando o banco projeta uma remuneração superior a 10% ao ano.
O cenário pode ficar ainda mais favorável caso a empresa utilize toda a flexibilidade permitida pela nova política financeira. Em um cenário de alavancagem de 3,2x, o dividend yield médio poderia atingir 9,2% ao ano.
Nas contas do banco, isso representa um retorno acumulado de aproximadamente 27,6% em dividendos ao longo de três anos.
Por isso, o BofA afirma que a Copel é atualmente a quarta maior pagadora de dividendos entre todas as empresas brasileiras de sua cobertura.
O banco destaca que a atratividade da Copel não está apenas nos proventos. A tese de investimento também passa pelo crescimento operacional da companhia.
As projeções do BofA apontam para uma receita líquida de R$ 21 bilhões em 2026, avançando para R$ 26,6 bilhões em 2030. Já o Ebitda — indicador usado pelo mercado para medir a geração operacional de caixa — deve saltar de R$ 6,9 bilhões para R$ 12,5 bilhões no mesmo período.
Segundo o relatório, a companhia deve apresentar crescimento anual médio (CAGR) de aproximadamente 19% no Ebitda ao longo dos próximos três anos.
Para o lucro líquido, a projeção é de R$ 2,9 bilhões em 2026, atingindo R$ 5,7 bilhões em 2030.
Embora a nova política de capital resulte em um endividamento um pouco mais elevado, o banco considera que a geração de caixa da empresa é suficiente para sustentar o crescimento e preservar a capacidade de distribuir dividendos.
É justamente essa combinação que chama a atenção dos analistas: a empresa consegue crescer, investir e ainda manter uma remuneração elevada aos acionistas.
Diante desse cenário, o Bank of America reiterou recomendação de compra para as ações da Copel e manteve preço-alvo de R$ 21 para CPLE3. Considerando o fechamento usado no relatório (R$ 15,02), o potencial de valorização seria de quase 40%.
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