Braskem (BRKM5), Raízen (RAIZ4) e agora Oncoclínicas (ONCO3): IG4 faz proposta pela empresa de saúde, em recuperação extrajudicial
A IG4 propõe investimento de R$ 500 milhões na Oncoclínicas em troca de debêntures conversíveis em ações, que busca reestruturação financeira para superar dívidas e retomar crescimento

O Grupo IG4 tem um novo alvo. Após se tornar sócia da Petrobras na Braskem (BRKM5) e estar em negociações para assumir controle da Raízen (RAIZ4), a gestora de empresas em situações complicadas quer um pedaço da Oncoclínicas (ONCO3).
Depois que a rede de clínicas voltadas ao tratamento de câncer entrou com um pedido de recuperação extrajudicial, ela anunciou que recebeu uma oferta não vinculante indicativa apresentada pela IG4. Por ser não vinculante, não envolve multas caso o negócio não vá para frente.
A transação envolve a subscrição de debêntures conversíveis em ações no valor total de R$ 500 milhões. Também tem usufruto de ações emitidas pela empresa, o que ainda depende de acordo com o restante de seus acionistas, entre outras condições.
Não há qualquer garantia sobre essa negociação. "A companhia esclarece que o recebimento da oferta não vinculante indicativa não implica em qualquer aceitação, compromisso ou obrigação por parte da companhia. Nesse sentido, não há qualquer definição acerca de eventual operação com a IG4 Capital ou com qualquer outro interessado e seus assessores", escreveu a Oncoclínicas em fato relevante divulgado ontem (15) à noite.
A companhia também reiterou seu compromisso de manter o mercado devidamente informado, na forma da regulamentação aplicável, caso sobrevenham fatos relevantes a esse respeito.
- RECUPERAÇÃO EXTRAJUDICIAL: Sobrou para o investidor de novo: o que acontece com os CRIs da Oncoclínicas (ONCO3) agora?
No começo do ano, a IG4 iniciou conversas com a Oncoclínicas para adquirir fatia do Goldman Sachs na empresa de saúde, conforme informou o Pipeline, site de negócios do Valor.
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Paralelamente, há também conversas com os acionistas por conta da oferta pública de ações (OPA), que, se for adiante, pode movimentar cerca de R$ 6 bilhões, diz o jornal.
Quem é a IG4
A IG4 Capital foi criada em 2016 por Paulo Mattos e tem mais de 40 funcionários em escritórios em Londres, Jersey, Miami, Madri, São Paulo. A gestora é focada em mercados emergentes e administra recursos de fundos de investidores institucionais.
"Buscamos empresas que enfrentam desafios e que podem se beneficiar significativamente de uma equipe de executivos experiente e atuante, especialmente aquelas com ativos de alta qualidade que podem ser adquiridos a valuations atrativos", diz a empresa em seu site.
Antes de criar a gestora, Mattos foi sócio da RK Partners, uma empresa líder em assessoria especializada em reestruturação de dívidas e turnarounds operacionais, além de diretor da GP Investments.
Também atuou como vice-presidente executivo de estratégia de negócios na Oi S.A. e como diretor superintendente no BNDES.
A primeira investida da IG4 foi a CAB Ambiental, que se tornou a Iguá Saneamento e foi vendida em 2024, após a reestruturação.
A recuperação extrajudicial da Oncoclínicas
A Oncoclínicas (ONCO3) protocolou um pedido de recuperação extrajudicial (RE) no dia 14 de julho, como parte do processo de reestruturação da sua dívida financeira. O passivo é estimado em aproximadamente R$ 5,1 bilhões.
Em fato relevante, a empresa informou que já conta com a adesão de credores detentores de aproximadamente 37% dos créditos abrangidos pelo plano, percentual suficiente para o ajuizamento da recuperação extrajudicial.
Agora, a empresa tem 90 dias para conseguir apoio de pelo menos 50% dos credores para seu plano.
De acordo com a Oncoclínicas, o plano de recuperação poderá incluir uma série de medidas, entre elas:
- Capitalização da empresa pelos acionistas;
- Conversão de parte da dívida em ações;
- Substituição de parte dos débitos por novas dívidas;
- Alongamento do cronograma de amortização das obrigações financeiras.
A Oncoclínicas enfrenta problemas financeiros decorrentes de uma expansão malsucedida. Em meio a investimentos em hospitais e crescimento no setor oncológico, a companhia se viu obrigada a recalcular a rota e retomar o core business.
A entrada de sócios controversos, como o Banco Master, o aumento da alavancagem e as mudanças recentes no alto escalão contribuíram para deteriorar a percepção de risco em torno da companhia. Entenda a história da empresa aqui.
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