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Depois de investir pesado na expansão desde o IPO, companhia agora prioriza geração de caixa e redução da dívida; novos projetos dependerão da trajetória da Selic, afirma diretor

Desde que abriu o capital em 2021, a 3tentos (TTEN3) multiplicou suas receitas, dobrou o número de lojas, chegou a novos estados e passou a atuar em diferentes áreas.
Com atuação na agroindústria, venda de sementes e insumos agrícolas, crédito ao produtor e trading de commodities, a ideia é estar “em todos os ciclos de adição de valor da cadeia do agro”, afirmou Cristiano Machado Costa, CFO da 3tentos, em entrevista ao Seu Dinheiro.
Agora, é hora de colher os frutos: a indústria de etanol de milho de Porto Alegre do Norte (MT) começou a sua produção e a empresa deve se beneficiar da expansão de sua capacidade de processamento de soja.
Para este ano, no entanto, a estratégia é focar na geração de caixa e redução do endividamento. Para os anos seguintes, a estratégia está sendo estudada.
Se o crescimento dos últimos anos foi financiado com recursos vindos do IPO, a abertura de uma nova planta de etanol de milho no Pará, já anunciada, será financiada com empréstimos.
Com a taxa alta de juros, porém, a empresa ainda está maturando o melhor timing para começar essa construção.
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A companhia atua na venda de sementes e insumos agrícolas para o produtor, como fertilizantes e defensivos, com 81 lojas espalhadas em seis estados. Em 2021, eram 40 unidades, todas no RS.
Hoje, tem três indústrias para processamento de soja, para a produção de farelo de soja, óleo e biodiesel, além de uma planta de produção de etanol de milho.
Atua na originação e trading de grãos. Ela compra commodities como soja, milho e trigo dos produtores para venda no mercado interno e externo.
Também tem dois centros de pesquisa e inovação, uma frota de caminhões própria, dois desvios ferroviários que acessam as vias férreas no sul do país, e está finalizando um terminal hidroviário em uma joint venture com a Caramuru, em Miritituba (PA).
Apesar da história de crescimento, o desempenho das ações está abaixo do principal índice da bolsa de valores brasileira.
No último ano, as ações subiram 11,30% e, desde o começo de 2026, estão em queda de 5,27%. Enquanto isso, o Ibovespa, está em alta de 29,14% nos últimos 12 meses e de 9,16% em 2026.
A empresa sofreu no último trimestre do ano passado com custos logísticos maiores; para o BTG, o 4T25 abalou a confiança do mercado.
Antes vista apenas como uma tese de crescimento rápido com expansão acelerada, a empresa passou a ser vista com incerteza pelos investidores, segundo relatório do banco sobre os resultados do primeiro trimestre do ano.
No entanto, para o banco, a 3tentos é a Top Pick, ou ação preferida, no setor do agronegócio. O BTG Pactual tem recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 26 para os próximos 12 meses.
O BTG considera o risco de execução o principal fator de atenção para empresas de rápido crescimento como a 3tentos, mas destaca o histórico consistente da companhia de superar expectativas nos últimos cinco anos.
O Itaú BBA também diz que a ação é a sua principal aposta no agro, com recomendação de compra. O banco ressalta que o modelo de negócios diversificado ajuda a preservar resultados mesmo em ciclos mais fracos da atividade agrícola.
A XP também tem recomendação de compra e preço-alvo de R$ 23,60.

Criada em 1995 em Santa Bárbara do Sul (RS) e originalmente focada na produção de sementes, a 3tentos se expandiu para novas áreas, para se conectar com o produtor em diversos momentos da cadeia produtiva.
Com o IPO, em 2021, ganhou recursos para expandir suas lojas e indústrias e diminuir a dependência do Estado.
Além disso, três anos depois do IPO, em 2024, a companhia divulgou seu plano de crescimento para o próximo ciclo, até 2030. O investimento em capex estimado na época era de R$ 2 bilhões, que já foi completamente realizado.
No momento do IPO, a empresa tinha duas plantas industriais e capacidade de processamento de 3 mil toneladas por dia, em Ijuí e Cruz Alta, ambas no Rio Grande do Sul.
A planta de Vera, no Mato Grosso, foi o pilar principal dessa expansão, concentrando venda de insumos e grãos ao redor de sua indústria de processamento de soja. Hoje, tem capacidade de processamento de 10,8 mil toneladas de soja por dia.
Em maio deste ano, a 3tentos iniciou a produção de etanol de milho a partir de sua planta em Porto Alegre do Norte (MT).
A companhia também chegou, neste ano, a novos estados, com a abertura de oito novas lojas: as unidades estão em Goiás, Pará, Tocantins e Minas Gerais.
O plano da expansão era reduzir a dependência da companhia da região Sul e da soja. Com atuação em outros setores e regiões, a empresa se protege dos riscos de um só mercado.
"Essa expansão faz com que a gente tenha uma diversidade em relação ao regime de chuvas e ao risco de crédito, um hedge climático", declara Costa.
Em março de 2025, passou a atuar como instituição financeira para oferecer crédito ao produtor, com a TentosCap.
No primeiro trimestre deste ano, sua carteira era de R$ 510,8 milhões. Também lançou, em fevereiro, a conta de pagamentos e o cartão.
Foi justamente no crédito destinado ao agro que grandes instituições financeiras sofreram, como o Banco do Brasil. O setor foi afetado tanto pelos juros altos quanto por problemas nas safras causados por desastres climáticos e preços baixos para as commodities.
Costa diz que o diferencial da 3tentos nesse setor é poder receber os grãos como pagamento de dívidas, por ter o braço de trading de commodities.
Além de conceder empréstimos, a empresa tem condições de dar recomendações e consultorias aos produtores sobre como melhor usar esse dinheiro, por meio de seus agrônomos.
A empresa também buscou desenvolver sua governança interna. Por pedido de investidores minoritários, a empresa criou um conselho fiscal. Também criou uma diretoria de governança, risco e compliance, com mapeamento de riscos.
Concentrada até então no RS, a empresa buscou profissionais que conhecessem outras áreas, como Bruno Prado, que irá supervisionar a abertura das lojas no Vale do Araguaia (MT) e nos novos estados (Pará, Tocantins, Goiás e Minas Gerais).
Com a expansão feita desde o IPO, a empresa conseguiu multiplicar sua receita. Em 2021, a receita foi de R$ 5,34 bilhões, alta de 71,7%, e lucro de R$ 505,46 milhões, com margem Ebitda ajustada de 9,6%.
Em 2025, a companhia atingiu receitas de R$ 16,42 bilhões, e lucro líquido de R$ 808,7 milhões. A margem Ebitda ajustada foi de 6,2%.
No primeiro trimestre deste ano, a receita operacional líquida foi de R$ 4,21 bilhões, alta de 20,2%. O lucro líquido foi de R$ 230,89 milhões e margem Ebitda ajustada, de 9,4%.
Nos últimos cinco anos, as expansões foram feitas com os recursos vindos do IPO, diz o CFO. "Entregamos aos investidores os projetos que nos propusemos a entregar", declara.
Já os próximos planos dependerão da entrada de novos recursos e endividamento. No primeiro trimestre do ano, a dívida líquida era de R$ 2,01 bilhões. Desconsiderando a TentosCap, sua divisão financeira, o valor cai para R$ 1,66 bilhão, com relação entre a dívida líquida e Ebitda de 2,65 vezes.
Em dezembro, a companhia anunciou a construção de sua nova usina de etanol de milho em Redenção, no Pará. O investimento previsto, de R$ 1,15 bilhão, virá principalmente da emissão de dívida.
A ideia é que a planta comece a produzir entre 2028 e 2029, mas a maturação deste projeto depende da situação macroeconômica do país.
Segundo Costa, embora essa unidade possa trazer receitas e rentabilidade para a companhia, um novo endividamento depende de juros menores.
"Um próximo movimento de investimentos requer que a economia esteja em um patamar de juros mais razoável. Por isso, temos cuidado com o timing de execução dessa obra", afirma.
O ano deve ser mais positivo para a empresa, que divulga seus resultados do segundo trimestre de 2026 no dia 13 de agosto.
O crescimento no MT pode ajudar a aumentar as margens, tanto na sua divisão de varejo quanto na indústria, já que a região tende a operar com spreads mais elevados para compensar os maiores custos logísticos, diz o BTG em relatório.
Com os preços dos fertilizantes acumulando alta de 40% no ano e a maior parte das vendas concentrada no segundo semestre, as receitas podem ser ainda mais fortes nos próximos trimestres.
A XP destacou em relatório que a 3tentos pode se beneficiar de mais chuvas na região Sul.
"O estado vem enfrentando déficits recorrentes de chuvas nos últimos anos, resultando em perdas sucessivas de safra. Como o El Niño costuma estar associado a maiores volumes de precipitação no Sul do Brasil, vemos o fenômeno como assimetricamente positivo para a companhia", diz a empresa.
Conteúdo Empiricus
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