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UPGRADE DUPLO

Privatização muda o jogo da Copasa (CSMG3), e JP Morgan eleva os papéis de venda para compra; ação sobe na B3

Se a empresa conseguir cortes de custos de 50% e volumes de água maiores, o potencial de alta chega a 90%, segundo os analistas

logo copasa
Imagem: Reprodução/ News Copasa

Depois de ter uma valorização de mais de 80% nos últimos 12 meses, parecia que a Copasa (CSMG3) não tinha mais para onde crescer, segundo a avaliação do JP Morgan até então. Porém, o avanço no processo de privatização da companhia fez os analistas da instituição mudarem de ideia. 

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Segundo documento divulgado nesta manhã (2), o banco atualizou a avaliação das ações CSMG3, que pularam de underweight (semelhante a indicação de venda) para overweight (equivalente à compra). 

Com isso, os papéis da Copasa tiveram um duplo upgrade e ganharam um novo preço-alvo, que passou de R$ 30 para R$ 66. O montante representa um retorno total de aproximadamente 30%. 

Após o anúncio, o mercado também vem respondendo positivamente. Nesta manhã, CSMG3 despontava como a maior alta do Ibovespa. Por volta das 11h50, as ações subiam 3,60%, a R$ 52,99. Já o principal índice da B3 registrava ganhos de 0,62%, aos 182.467 pontos. 

A atualização da recomendação vem na esteira do anúncio do governo de Minas Gerais, que detalhou, na última quinta-feira (29), a proposta para o processo de desestatização da Copasa. 

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A proposta é vista pelo mercado como um avanço muito positivo, já que a privatização da empresa é discutida há oito anos, sem grandes progressos até outubro de 2025.

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Segundo os analistas, a mudança feita hoje foi motivada pela avaliação de que há uma menor probabilidade de um cenário pessimista (bear-case), devido à recente aceleração da privatização. 

O governo mineiro acelerou o processo com a aprovação de emendas constitucionais e leis de privatização. As mudanças vieram na esteira da necessidade de usar os recursos para abater a dívida de R$ 160 bilhões do estado com a União. 

Além da venda do controle da Copasa, o banco também ressalta que o ambiente regulatório se tornou muito mais atraente.

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Uma revisão tarifária concluída em dezembro de 2025 definiu um custo de capital (WACC regulatório) de 9,8% real e após impostos, valor considerado acima do de seus pares no setor. 

Assim, a expectativa é que novos contratos de concessão sigam moldes semelhantes aos da Sabesp, permitindo que a empresa retenha ganhos de eficiência e incentivando investimentos pesados. 

No cenário base, o banco projeta uma redução de custos de 35% após a privatização. Porém, se a empresa conseguir cortes de custos de 50% e volumes de água maiores, o potencial de alta chega a 90%. 

Segundo os analistas, com uma projeção de crescimento de 20% ao ano para o Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) nos próximos três a cinco anos, a Copasa deixou de ser uma "tese duvidosa" para se tornar uma das principais apostas do banco no setor de utilidades públicas (utilities) da América Latina. 

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Riscos no Radar 

Apesar da recomendação de compra, há riscos para a tese da Copasa. Isso porque o sucesso do investimento depende quase inteiramente da conclusão da privatização. 

Caso o processo fracasse ou a empresa não consiga entregar o plano de investimentos (capex) necessário para a universalização dos serviços, a ação teria um potencial de queda de 40%, retornando aos níveis de avaliação pré-otimismo político. 

A proposta de privatização da Copasa 

A desestatização da empresa foi aprovada em dezembro de 2025, pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Na ocasião, o governador mineiro, Romeu Zema (Novo), afirmou que a privatização da Copasa deveria ocorrer até abril de 2026, em uma operação que poderia movimentar pelo menos R$ 10 bilhões. 

O objetivo da operação é transformar a empresa em uma corporation, ou seja, num modelo de privatização no qual o controle da companhia é pulverizado e não há um único “dono”. 

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A proposta enviada na última quinta-feira (29) prevê que o governo mineiro possa vender até a totalidade de sua participação na empresa. Porém, a venda de todos os papéis do estado ocorrerá apenas se o processo não atrair nenhum investidor estratégico. 

Caso pelo menos um seja elencado, o governo poderá manter fatia de 5% na Copasa. 

Além disso, a gestão mineira buscará compradores tanto no Brasil quanto no exterior, com o objetivo de atrair um investidor estratégico, que tenha experiência em infraestrutura. 

Esse investidor poderá ficar com até 30% do capital social da empresa, com a possibilidade de comprar mais papéis no âmbito da oferta. Ele também terá que se comprometer a não vender suas ações por pelo menos quatro anos. 

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Para evitar que um único acionista mande sozinho na empresa, a proposta conta com uma regra no estatuto, que limita o poder de voto de qualquer acionista a, no máximo, 45%.

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