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A proposta, que deverá ser aprovada por assembleia geral de acionistas, prevê que o governo possa vender até a totalidade de sua participação na empresa

A privatização da Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais, CSMG3) está cada vez mais perto de sair do papel, e o governo de Minas Gerais já traçou os próximos passos. Segundo a proposta enviada para a companhia, focada em abastecimento de água e coleta e tratamento de esgoto, o processo de desestatização será realizado pelo modelo de oferta secundária de ações, sem tranche primária.
Após a divulgação, o BTG Pactual e o Itaú BBA reiteraram a recomendação de compra, com preços-alvo de R$ 52,00 e e R$ 55,90, respectivamente. Os valores indicam uma valorização de 1,3% e de 8,8% em relação ao fechamento de ontem, quando CSMG3 estava cotada a R$ 51,35.
A proposta, que deverá ser aprovada por assembleia geral de acionistas da Copasa, prevê que o governo estadual possa vender até a totalidade de sua participação na empresa, que, atualmente, é de 50,03%.
Além dos detalhes do processo de privatização, o governo de Minas Gerais também divulgou o que pretende fazer com o dinheiro da venda das ações da Copasa. Segundo o documento, a gestão usará os recursos para pagamento da dívida do estado com a União.
A desestatização da empresa foi aprovada em dezembro de 2025, pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Na ocasião, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), afirmou que a privatização da Copasa deveria ocorrer até abril de 2026, em uma operação que poderia movimentar pelo menos R$ 10 bilhões.
O objetivo da operação é transformar a empresa em uma corporation, num modelo de privatização no qual o controle da companhia é pulverizado e não há um único “dono”.
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A proposta, que deverá ser aprovada por assembleia geral de acionistas da Copasa, prevê que o governo mineiro possa vender até a totalidade de sua participação na empresa.
Porém, a venda de todos os papéis do estado ocorrerá apenas se o processo não atrair nenhum investidor estratégico, segundo o documento enviado ao mercado. Caso pelo menos um seja elencado, o governo poderá manter fatia de 5% na Copasa.
Além disso, a gestão mineira buscará compradores tanto no Brasil quanto no exterior, com o objetivo de atrair um investidor estratégico, que tenha experiência em infraestrutura.
Esse investidor poderá ficar com até 30% do capital social da empresa, com a possibilidade de comprar mais papéis no âmbito da oferta. Ele também terá que se comprometer a não vender suas ações por pelo menos quatro anos.
Para evitar que um único acionista mande sozinha na empresa, a proposta conta com uma regra no estatuto, que limita o poder de voto de qualquer acionista a, no máximo, 45%.
Em documento, a companhia reforçou que o objetivo da privatização é permitir que a Copasa tenha melhores condições para cumprir as metas de universalização do saneamento.
Para o BTG, o anúncio da proposta é "outro passo muito importante rumo à privatização". Com a operação, a projeção do banco é de um dividend yield (taxa de retorno de dividendos) líquido de 4,1% para 2026 e 6,0% para 2027.
Os analistas do banco destacam como ponto positivo a estrutura de lock-up (bloqueio de venda de ações) para o investidor estratégico, parcialmente atrelada ao cumprimento das metas de universalização do saneamento até 2033.
O Itaú BBA também vê o anúncio com bons olhos, avaliando que a divulgação da proposta traz mais visibilidade aos termos de governança e à estrutura da transação. Além disso, destaca que, agora, o processo sai da fase legislativa e entra na fase estrutural e transacional.
Mas ainda há outras etapas da privatização que o mercado vai precisar ficar de olho. Entre elas, os analistas do banco ressaltam a definição do preço mínimo junto ao Tribunal de Contas, a renovação de contratos de concessão e a obtenção de autorizações de credores.
O Itaú BBA também vê um potencial de valorização adicional se a empresa expandir para o tratamento de esgoto ou outros serviços em contratos onde atualmente fornece apenas água.
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